
Se a inteligência artificial já consegue prever comportamento, personalizar jornadas em tempo real e antecipar padrões de consumo, por que tantas empresas continuam errando justamente na parte mais importante de qualquer negócio: decidir bem?
Tenho pensado bastante sobre isso porque o marketing virou o maior retrato dessa nova era. Nunca tivemos tanta capacidade de entender hábitos de consumo e transformar interações em dados. Segundo o relatório Digital 2026 Brazil, do DataReportal, o Brasil já reúne mais de 185 milhões de pessoas conectadas, o que significa que passamos boa parte da vida deixando rastros valiosos sobre preferências e padrões de comportamento.
A sensação é quase sedutora. Finalmente conseguimos transformar comportamento em algo previsível. Mas basta olhar para nossa própria rotina para perceber que essa conta nunca fecha exatamente assim.

Se escolher fosse um processo totalmente racional, ninguém pagaria caro em um café que custa metade do preço na esquina ou trocaria um celular funcionando perfeitamente porque uma nova versão foi lançada.
Neurociência e psicanálise ajudam a explicar essa contradição. Emoção, desejo, pertencimento e reconhecimento influenciam escolhas muito antes da racionalização. Consumimos muito mais do que simplesmente produtos.
Passamos anos aperfeiçoando frameworks e metodologias acreditando que mais informação produziria decisões melhores. Segundo a McKinsey, 78% das empresas já utilizam inteligência artificial em alguma área do negócio, consolidando um cenário em que operar tecnologia deixou de ser diferencial e virou quase obrigação.
Mas decisões que realmente mudam mercados raramente nasceram do caminho mais seguro.

Tomar decisões continua sendo um exercício de coragem
Se todas as empresas terão acesso às mesmas ferramentas, o diferencial competitivo começa a migrar para competências muito menos técnicas e muito mais humanas. Interpretar cenários incompletos, sustentar convicções, assumir riscos e influenciar pessoas continuam sendo ativos difíceis de replicar.
Não parece coincidência observar cada vez mais mulheres ocupando posições decisórias em um ambiente que passou a valorizar autonomia, inteligência emocional, colaboração e novas formas de liderar.
No marketing, essa conversa fica ainda mais interessante porque nosso trabalho nunca foi só vender produtos. Marketing sempre foi a arte de vender ideias.
No sistema financeiro, boa parte do mercado corre em direção à massificação. Dentro da Unicred, escolhemos outro caminho ao preservar um posicionamento nichado, sustentado em proximidade, relacionamento consultivo e entendimento profundo sobre nosso cooperado.
Escolher não disputar volume a qualquer custo e sustentar uma estratégia mais especializada exige convicção.
A tecnologia continuará evoluindo rapidamente. Mas aquilo que realmente separa marcas relevantes das simplesmente eficientes continua no mesmo lugar: a capacidade humana de interpretar pessoas e tomar decisões que nenhum algoritmo consegue escolher por nós.
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