
Se me pedissem para definir Growth Hacking, eu diria que não se trata apenas de uma técnica, mas de uma mentalidade, um novo jeito de pensar o crescimento, que busca formas rápidas, sustentáveis e consistentes para evoluir. É algo aparentemente simples e, ao mesmo tempo, muito libertador.
O growth está nos levando a lugares que dificilmente pensaríamos em chegar. Até ontem, o que seria criticado como desvio de foco, hoje já é considerado “prova de conceito”. Propostas fora da caixa dependiam de esforço e recursos muito maiores. Ficava caro e ninguém bancaria o risco. Mas, pela nova lente, ousar não só é permitido, como é desejável e até necessário.
Embora seja tudo muito novo, algumas empresas já começam a rever a cultura de que processos de melhoria devem ser complexos e longos e passaram a buscar melhorias rápidas e eficientes rumo à mentalidade que o Growth propõe. É uma virada de chave que envolve otimização contínua, testes, campanhas virais e uso intensivo de dados, automação, ferramentas de marketing e outras tecnologias.

A IA no seu devido lugar
Vamos percebendo que o que se classificava como FOMO (Fear of Missing Out), que é o medo de perder oportunidades, vai se convertendo em FOBO (Fear of Becoming Obsolete), por conta do ritmo acelerado do surgimento de novas ferramentas de IA – como a OpenClaw, que ganhou muita visibilidade nos últimos meses. Porém, antes de se deixar dominar por esse sentimento, é fundamental entender que a inteligência artificial é um grande facilitador do Growth Hacking, mas não é o seu centro.
A IA pode ser um grande norte para casos de uso, mas a estratégia funcionará melhor se for guiada pela mentalidade de sempre testar e aprender, aproveitando o hype da ferramenta, sem ser seu escravo. Por sinal, pesquisas indicam que a maioria das empresas é receptiva a trabalhar com agentes de inteligência artificial, tomando o devido cuidado para que não se tornem chefes e atuem apenas como ferramentas de apoio.
Estratégias de Growth Hacking
Testes Constantes: Realizar testes A/B e lançamentos controlados para otimizar anúncios, páginas, produtos e e-mails.
Ferramentas Integradas: Utilizar CRM e CDP para personalizar a comunicação (e-mails, SMS, notificações, WhatsApp) no momento certo para cada perfil.
Métricas: Monitorar métricas de qualidade e engajamento do cliente, como NPS e a proporção de usuários diários/mensais (DAU/MAU).
Foco: Todo teste deve ter um objetivo claro, por exemplo, aumentar a receita e reduzir o custo, com ciclos de aprendizado incrementais.

IA é a grande parceira do Growth
Testar e aprender continuamente, exige ousadia. E ousadia exige mentalidade de Growth Hacking, escoltada por IA. Os testes que antes eram caros (em tempo ou dinheiro) e de difícil execução se tornam mais possíveis e menos arriscados. Isso nos dá direito de ousar, considerar testes que parecem distantes da realidade e almejar novos saltos.
E se o Marketing exaurir a quantidade de aplicações de iniciativas, pode utilizar ferramentas para identificar processos ineficientes e se abrir para mais possibilidades. O caminho é utilizar o hype da inteligência artificial para ajudar a área a buscar soluções, sejam automatizadas, inteligentes ou não.
Na Wine, por exemplo, instruímos a IA para que levantasse falhas em processos. Fomos além e a utilizamos para sugerir caminhos para crescer. Isso nos ajudou a orientar os times em iniciativas de crescimento de forma estrutural, que antes não passavam no nosso radar, ao invés de ações pontuais em áreas isoladas.
Agora, estamos conduzindo um teste comparando as respostas de máquinas e humanos na recomendação de ofertas e formas de comunicação para um número considerável de clientes. Para realizar testes rápidos, fizemos as mesmas perguntas aos times e à inteligência artificial. Essa abordagem nos permitiu descobrir soluções que talvez as equipes humanas não considerariam. Isso reforça que o Growth Hacking, aliado à IA, possibilita a ampliação das iniciativas -- ainda que pareçam estranhas, num primeiro momento, só que, no contexto do teste, podem ser seguidas.
Hiperpersonalização e futuro
A demanda por personalização em tempo real é alta: 69% dos consumidores esperam, mas apenas 34% das marcas entregam. Isso indica um grande espaço para evolução, que é sob medida para a aplicação da mentalidade focada em melhorar sempre, buscando mais clientes e vendas com um custo cada vez menor.
Empresas como Reserva, Sephora, Starbucks e a gigante chinesa Tencent estão explorando IA para personalização, produtividade, gamificação e expansão para novos segmentos. Com IA preditiva, a Nike analisa dados de comportamento e preferências dos clientes com profundidade para oferecer recomendações personalizadas para cada perfil de usuário. Por meio de algoritmos, a marca consegue gerar diferentes designs de tênis baseados em dados de vendas, avaliações e estilo de vida do público. Imagine o tempo que se poupa em desenvolvimento de produtos, sem falar nas chances aumentadas de vender mais e sempre.
Não tenho a menor dúvida de que quem dominar essas ferramentas emergentes ganhará vantagem competitiva. E é uma hora ótima para explorar tecnologias disruptivas. Só não podemos esperar que a IA resolva todos os problemas do mundo sozinha. Isso não vai acontecer.
O sucesso reside na mentalidade humana que valoriza o testar, o aprender e o se adaptar. A IA será um poderoso apoio para alcançar o crescimento e um nível de personalização e criatividade nunca antes vistos. Entendeu a diferença?
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