
O interesse pela Copa do Mundo da FIFA é praticamente unânime entre os brasileiros, mas a forma de viver a competição varia significativamente. É o que aponta o estudo "O Brasil em Campo", da Opinion Box, que se debruça sobre questões como o comportamento de consumo e a relação com as campanhas publicitárias associadas ao torneio.
A pesquisa usa quatro perfis primários de torcedor para descrever os efeitos provocados pela máquina comercial da FIFA: Fanáticos, Conectados, Casuais e Sociais. Os Conectados, representam a maioria da amostra, com 29% do total. Para este grupo, a experiência digital é o centro do envolvimento: comentar nas redes sociais, compartilhar memes e reagir em tempo real são parte essencial de como acompanham as partidas.
Os Fanáticos representam 28% da amostra e vivem o torneio de forma mais intensa, acompanhando notícias diariamente e organizando a própria agenda em função do calendário de jogos. Eles apresentam maior propensão a considerar ofertas e campanhas promovidas pelas marcas que patrocinam a copa. Já os Casuais, também com 28%, demonstram menor envolvimento emocional, mas buscam se manter informados para participar das conversas cotidianas.
Por fim, os Sociais, com 15%, encontram no torneio principalmente uma desculpa para reuniões especiais, churrascos e momentos de confraternização, com o jogo em si ocupando posição secundária.

Patrocinadoras ocupam espaço relevante na atenção do consumidor
As marcas que patrocinam a Copa conquistaram parte considerável da atenção dos brasileiros antes mesmo do início da competição. No total, 72% dos entrevistados afirmam já ter visto alguma campanha ou ação ligada à Copa do Mundo da FIFA 26, proporção que sobe para 84% entre os Fanáticos.
A televisão segue como o principal ponto de contato dessas campanhas, mencionada por 67% dos entrevistados, seguida de perto pelas redes sociais, citadas por 66%. Isto confirma que a experiência publicitária do torneio já é, de forma equilibrada, multiplataforma. Entre as marcas mais espontaneamente associadas a campanhas da Copa do Mundo da FIFA 26 estão Coca-Cola, Nike, Globo, McDonald's e Adidas.
Quando o assunto é o que chama atenção nas campanhas, a emoção lidera com 71% das menções, seguida por brasilidade, citada por 68%. Garra e competitividade aparecem na sequência, com 53%, enquanto música, humor e nostalgia somam 49%, 46% e 43%, respectivamente. A etapa qualitativa reforça essa expectativa: os entrevistados esperam que as marcas atuem como um termômetro emocional do torneio e sejam capazes de despertar identificação com a experiência de ser brasileiro.

O impacto dessas campanhas no comportamento de consumo também é expressivo. Mais da metade dos entrevistados afirma que campanhas com temática da Copa aumentam a vontade de comprar ou experimentar uma marca — efeito que chega a 81% entre os Fanáticos e 63% entre os Conectados, mas cai para 39% e 38% entre Casuais e Sociais, respectivamente.
Além disso, 60% dos entrevistados afirmam gostar de produtos temáticos lançados por marcas durante o período, e 43% concordam que a competição já influencia tendências de moda.
Engajamento emocional segue alto
Entre os Fanáticos, 20% afirmam que assistirão a todos os jogos sem exceção, quase o dobro da média geral de 11%. Já entre os Sociais, 37% dizem que pretendem acompanhar apenas as partidas da seleção brasileira, o maior índice entre os grupos analisados.
No total, 58% dos entrevistados atribuíram notas altas à importância da Copa do Mundo da FIFA 26 em suas vidas. Entre os Fanáticos, esse índice sobe para 81%; entre os Conectados, chega a 63%. Sociais e Casuais, por sua vez, demonstram envolvimento mais moderado, com cerca de 40% das pessoas atribuindo alta importância ao evento.
A etapa qualitativa da pesquisa adiciona camadas emocionais a esses números. Um entrevistado da região Sul resumiu a ambivalência entre paixão e ceticismo: a Copa, para ele, representa o ápice do futebol de seleções, mas a expectativa de título desapareceu com o tempo, restando principalmente a festa.
Apesar disso, o sentimento de esperança aparece como traço cultural recorrente entre os entrevistados, que descrevem o ato de torcer como algo inseparável da identidade brasileira, mesmo em cenários considerados desfavoráveis.

Casa, redes sociais e TV Globo lideram a experiência do torneio
Quando o assunto é onde e como assistir aos jogos, a residência se mantém como o espaço preferido: 72% dos entrevistados pretendem acompanhar as partidas em casa. O caráter social do evento, porém, continua forte, e 53% dizem que assistirão aos jogos na casa de amigos ou familiares.
A TV Globo aparece como o principal canal de transmissão pretendido, citada por 71% dos entrevistados e apontada como primeira opção por 41% deles. A fragmentação do consumo de mídia, no entanto, é evidente: CazéTV e SporTV aparecem empatados, com 49% de intenção de audiência cada, e a CazéTV já figura como primeira escolha de quase 23% do público
Os padrões de comportamento durante as partidas indicam um público cada vez mais conectado: 31% afirmam comentar os jogos em grupos de WhatsApp e 24% acompanham sites, redes sociais e canais que comentam a partida em tempo real. Entre os Conectados, apenas 40% assistem de forma concentrada sem grande interação digital, o menor índice entre os perfis, reforçando que, para esse grupo, a experiência do torneio está profundamente associada à participação ativa nas redes.
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