
A Inteligência Artificial é, há um bom tempo, uma infraestrutura estratégica dentro do Google. Integrada a produtos populares da casa, como o Gmail, o Maps e os mecanismos de busca, a tecnologia compõe um ecossistema que alcança bilhões de usuários mensalmente.
Na palestra “Hacks de IA para o Marketing”, parte da programação do primeiro dia do CMO Summit 2026, Maia Mau, Diretora de Marketing do Google Brasil, explicou que esse movimento, é resultado de uma construção de longa data, que combina investimento em pesquisa, desenvolvimento de modelos e aplicação direta nos produtos da companhia.
“A IA já está há mais de 10 anos no Google. Falamos disso e aplicamos nos nossos produtos. Quando o usuário tem uma resposta automática no Gmail, isso é IA. Quando alguém encontra a rota que gasta menos combustível no Google Maps, isso também tem IA integrada”, reforça a executiva.

Do básico ao avançado
Esse histórico serve como base para avanços mais complexos e recentes, impulsionados por modelos como o Gemini, que ampliam a capacidade de processamento e raciocínio das ferramentas integradas aos produtos da marca. A evolução não se traduz apenas em tecnologia, mas em impactos diretos na forma de trabalhar o Marketing.
Um dos efeitos mais imediatos aparece no início dos projetos. A lógica tradicional da “página em branco” perde espaço para um processo assistido, no qual a IA funciona como ponto de partida para estruturar estratégias iniciais, organizar informações e acelerar decisões.
“Hoje, antes de começar qualquer novo projeto, qualquer desafio novo, a recomendação é começar por aqui. Aquele momento em que estamos travados em uma página em branco não existe mais. Não tem mais página em branco. Tudo começa pela IA”, provoca a Diretora.
A partir dessa lógica, a operação de Marketing passa a se dividir em dois grandes eixos: eficiência e criação. No campo operacional, a IA é aplicada para automatizar tarefas repetitivas, organizar fluxos e ampliar produtividade.
Ferramentas como o GEMS exemplificam esse uso ao permitir a criação de personas dinâmicas e a execução de atividades baseadas em regras. A proposta é transformar tarefas recorrentes em processos escaláveis, reduzindo o tempo dedicado a entregas operacionais.
“Para lidar com tarefas repetitivas, o GEMS é o melhor lugar. Para tudo que tem uma regra clara e demanda repetição, é muito bom voltar nele. Nossas regras de mídia social, nosso book da marca, damos as regras para ele, damos o assunto em questão e ele trabalha para trazer o resultado”, narra Maia.

Dados e gestão da informação
O mesmo princípio se estende à gestão de informação. A integração da IA ao Gmail e ao Workspace permite transformar a caixa de entrada em um sistema de consulta e priorização, reorganizando o fluxo de trabalho a partir de inteligência aplicada.
No tratamento de dados, o uso do NotebookLM introduz uma abordagem mais controlada e direcionada. Ao operar exclusivamente sobre arquivos inseridos pelo usuário, a ferramenta permite transformar conteúdos complexos em materiais utilizáveis, como apresentações, resumos e estruturas de análise.
“É um produto onde podemos colocar os nossos arquivos, e diferente do Gemini, ele só trabalhará com os arquivos que colocamos lá dentro. É um caderno inteligente que trabalha exclusivamente com dados”, acrescenta.
Efeitos na camada criativa
Se a eficiência redefine o backend das operações, o impacto mais visível da IA ocorre na camada criativa. A tecnologia promete resolver problemas cotidianos da produção, como adaptação de formatos, edição de imagens e geração de conteúdo visual.
O avanço permite a execução de ações criativas úteis a partir de comandos simples, com poucos cliques. A velocidade, no entanto, não elimina a necessidade de método, e os fundamentos do processo criativo permanecem indispensáveis. “Não tem mágica. Tem que começar com um roteiro. São milhares de possibilidades e isso é uma delícia, mas a coesão vai embora sem uma base sólida”, adverte.
Esse ponto mostra um dos principais aprendizados compartilhados pela Diretora: a IA amplia a capacidade de produção, mas exige maior rigor na condução dos processos. O ganho de eficiência está diretamente ligado à qualidade das diretrizes e à clareza das etapas. Em um ambiente de evolução constante, a adaptação depende menos de domínio técnico e mais disposição para testar, ajustar e incorporar novas práticas.
“Não aprenderemos a nadar sem entrar na água. Então entraremos na água, nadaremos, porque esse é o único jeito de avançar. Esse é só o começo. Temos infinitos recursos e muitas possibilidades. A ferramenta nunca estará 100%. Precisamos lidar com a ferramenta do jeito que ela está e ir aprimorando”, finaliza Maia.
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