
O Marketing nunca foi tão cobrado por performance. Nos últimos anos, a área passou a ocupar um papel cada vez mais ligado ao crescimento, dados, negócios e eficiência. Em paralelo, as mulheres seguem enfrentando um mercado que ainda cobra alta performance contínua, mesmo após a maternidade.
Segundo levantamento da Robert Half Brasil, a maternidade ainda impacta a percepção de carreira de mulheres no ambiente corporativo, especialmente em cargos de liderança, onde disponibilidade integral, produtividade constante e pressão por resultados seguem sendo exigências implícitas. No Marketing, essa realidade ganha ainda mais intensidade em um cenário hiperconectado, acelerado e guiado por métricas em tempo real.
No Dia do Profissional de Marketing e às vésperas do Dia das Mães, Erica Lima (MadeiraMadeira), Priscilla Barbosa (Bimbo Brasil), Helo Bertolini (Kohll Beauty) e Eliane Dalla Vecchia (Dalla Makeup) mostram como a maternidade redefiniu suas formas de liderar, tomar decisões e enxergar pessoas.
Entre metas, filhos, pressão e propósito, elas compartilham os aprendizados que levaram da vida pessoal para as estratégias de negócio – e vice-versa.

“A maternidade me tirou da lógica do controle”, diz Erica Lima, da MadeiraMadeira
Para Erica Lima, CMO da MadeiraMadeira, a maternidade mudou profundamente sua relação com liderança e gestão. “A maternidade me tirou da lógica do controle e me colocou na lógica da presença. Fiquei mais consciente do tempo, mais objetiva nas decisões e, principalmente, mais humana na forma de lidar com as pessoas”, afirma.
A executiva diz que um dos principais aprendizados foi entender que liderança e maternidade compartilham a mesma base: coerência. “Criança não faz o que pedimos, faz o que vê. No fundo, é exatamente o mesmo princípio da liderança: walk the talk”, pontua.
Em um mercado cada vez mais pressionado por performance, Erica acredita que mulheres precisam abandonar a ideia de perfeição. Hoje, seu maior desafio como executiva está em equilibrar resultado e consistência em um ambiente de cobrança constante por crescimento e eficiência.
“A narrativa de ‘mãe ausente’ muitas vezes nasce dentro da nossa cabeça, não na realidade dos filhos. Se eles crescem vendo uma mãe que constrói, trabalha e sonha, isso vira referência de vida”, destaca.

“Nem tudo cabe em planejamento”, diz Priscilla Barbosa, da Bimbo
Para Priscilla Barbosa, Diretora de Marketing da categoria de pães da Bimbo Brasil, a maternidade trouxe um dos maiores exercícios de adaptação da sua vida. Extremamente disciplinada e organizada, ela conta que precisou aprender a flexibilizar rotinas, expectativas e até a própria forma de lidar com controle.
“Eu lembro que, no pós-parto, tentei fazer uma planilha de Excel com os horários. Só que, no dia seguinte, tudo já mudava. Foi um dos grandes aprendizados pra mim: entender e flexibilizar”, relembra.
A executiva afirma que viveu uma transformação intensa logo após a maternidade. Depois da licença, retornou ao trabalho sendo promovida e assumindo uma mudança de país, saindo da Argentina para um novo desafio executivo sem rede de apoio próxima. “Muitas pessoas olhavam para mim e falavam: ‘você é louca’. Primeiro filho, mudança de país e cargo novo!? Mas eu esperei muito tempo por aquela posição e quis tentar”, afirma.
O acolhimento da liderança foi determinante para atravessar aquele período, tendo um gestor que a apoiou em todo momento. Ela também destaca que a maternidade trouxe uma nova visão sobre perseverança e construção gradual, algo que conecta diretamente com sua vivência no fisiculturismo. “O fisiculturismo me ensinou constância, disciplina e resiliência. É um processo lento, de construção diária. A maternidade também é assim”, afirma.
Para a executiva, um dos principais aprendizados foi entender que pedir ajuda e adaptar expectativas faz parte do processo. “Mudamos a vida inteira depois da maternidade e tudo bem. Faz parte dessa adaptação entender onde encontrar tempo, apoio e equilíbrio possível dentro da realidade de cada mulher”, conclui.

“Produtividade não é fazer mais”, diz Helo Bertolini, da Kohll Beauty
CEO da Kohll Beauty, Helo Bertolini afirma que a maternidade transformou sua relação com tempo, prioridades e liderança. A executiva conta que passou a enxergar o trabalho de forma mais estratégica, entendendo melhor onde vale investir energia e atenção. Em paralelo, a experiência também trouxe mais empatia na gestão de pessoas e uma visão mais humana sobre performance e pressão no ambiente corporativo.
“Antes eu fazia cem coisas ao mesmo tempo. Hoje eu penso: isso realmente importa?”, afirma.
Para Helo, um dos maiores desafios das mulheres em cargos de liderança é lidar com uma cobrança constante por alta performance em todas as áreas da vida. Segundo ela, o mercado ainda cria uma expectativa irreal sobre mães executivas, especialmente em setores acelerados como Marketing e beleza, onde tudo acontece em tempo real. “O mercado ainda espera que a mulher lidere empresas, cuide da casa, seja emocionalmente disponível e faça tudo sorrindo. Isso não é realidade”, diz.
A executiva também acredita que maternidade e empreendedorismo compartilham aprendizados parecidos. Ao liderar uma marca em um mercado altamente competitivo, ela afirma que precisou aprender a equilibrar crescimento, inovação e essência, sem cair na busca por um equilíbrio perfeito.
“Construir uma empresa e criar um filho têm algo em comum: ambos absorvem cultura, comportamento e exemplo”, ressalta.

“Aprendi a aceitar ajuda”, afirma Eliane Dalla Vecchia, da Dalla
Fundadora da Dalla Makeup, Eliane Dalla Vecchia conta que a maternidade trouxe aprendizados sobre paciência e vulnerabilidade. Mãe de uma criança atípica diagnosticada com TEA, a executiva diz que precisou aprender a lidar com uma rotina intensa de terapias e adaptações.
“A maternidade me ensinou a desacelerar e, principalmente, a aceitar ajuda. Eu sempre fui muito imediatista e resolvia tudo rápido. Com a maternidade, entendi que existem situações em que você precisa esperar e ajustar rotas”, diz.
Ela afirma que o Marketing e o empreendedorismo ajudaram a desenvolver uma capacidade importante para sua vida pessoal: adaptação. Hoje, seu principal desafio como líder está na gestão de pessoas.
“Nem tudo está sob controle. Ajustar cenários faz parte do processo. Eu sou neurodivergente e tenho uma comunicação muito direta. Preciso estudar constantemente para evoluir na forma como lidero diferentes perfis e gerações”, afirma.
Para mulheres que desejam crescer profissionalmente sem abrir mão da maternidade, Eliane Dalla Vecchia, fundadora da Dalla Makeup, acredita que um dos principais aprendizados está em abandonar a ideia de que é preciso dar conta de tudo sozinha. Ela frisa que muitas mulheres em cargos de liderança carregam uma pressão constante por performance, controle e perfeição, o que pode levar ao esgotamento emocional.
“Não tenham medo de pedir ajuda. Estamos acostumadas a assumir responsabilidades e ocupar posições de liderança, muitas vezes acreditamos que precisamos resolver tudo sozinha e isso não é verdade”, afirma.
A executiva destaca que aceitar apoio não significa fraqueza, mas maturidade para entender limites, reorganizar prioridades e construir uma rede de suporte, tanto na vida pessoal quanto profissional.
“Tem momentos em que você precisará diminuir o ritmo no trabalho, delegar mais ou permitir que outras pessoas participem da criação do seu filho e tudo bem. Reconhecer isso não diminui a sua capacidade como mãe ou como líder”, conclui.
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