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O ponto cego da reativação: como combinar esforços e gerar mais resultado

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Customer Engagement

O ponto cego da reativação: como combinar esforços e gerar mais resultado

No mercado atual, a ideia tão comum de que "reter é mais barato do que adquirir" virou clichê dentro das empresas. Entretanto, a execução prática deste ponto revela uma realidade não muito feliz: ambos os times de Marketing e CRM operam frequentemente em silos isolados, com metas concorrentes e bases de dados desconectadas. Não raras as vezes, o time de Marketing nem mesmo é acionado para o reengajamento, focando apenas na aquisição de novos usuários, de modo que essa falta de sintonia acaba virando um ralo de dinheiro. 

Em modelos de trabalho clássicos, o que vemos muitas vezes é que o time de CRM identifica um grupo de clientes sem interações há meses e programa uma régua de comunicação mais incisiva, buscando trazer de volta essas pessoas. Paralelamente, o time de Marketing, buscando bater a meta de conversão do mês, cria uma campanha de reengajamento para a mesma lista de usuários nas redes sociais. Esse atropelo operacional gera três problemas importantes de serem considerados: 

Fadiga da base: O usuário é bombardeado por notificações e anúncios simultâneos, gerando irritação e aumento de descadastros (opt-out). 

Atribuição dupla: Se o cliente reengaja (fazendo uma contratação, por exemplo), as duas áreas reivindicam o crédito. Não é possível fazer uma atribuição assertiva, sem grupos controle apropriados. 

Destruição de margem: O cliente ganha um incentivo perverso de que basta sumir por um tempo para ganhar descontos em todos os canais, viciando a base. 


A reativação eficiente de usuários desengajados não é uma tarefa exclusiva de um único lado. A verdadeira inteligência de Growth está na orquestração coordenada. Uma abordagem que poderia ser mais eficiente é usar os canais proprietários de CRM para iniciar o contato (por terem custo marginal mais baixo) e complementar com mídia paga apenas como um vetor de persistência e amplificação para quem ignorou os primeiros estímulos. Outra abordagem de que gosto mais ainda é fazer o famoso teste A/B entre canais, e entender qual combinação gera mais resultado incremental. 

A Régua da Orquestração 

Para desenhar esse fluxo integrado na prática, a base desengajada deve passar por um funil sequencial de canais: 

1. Aleatorização de base: Separar a base de clientes entre as células dos grupos que serão acionados: A) Por CRM, B) Por Marketing, C) Por ambos os canais, D) Grupos Controle sem acionamentos. 

2. Passo 2 (Isolamento das Células A e B): No Grupo A, os usuários recebem apenas estímulos proprietários (Push, E-mail e WhatsApp) e seus IDs são rigidamente excluídos das ferramentas de mídia paga. No Grupo B, ocorre o oposto:

os usuários são impactados apenas por anúncios no Meta/Google, sem receber nenhuma comunicação direta de CRM. 

3. Passo 3 (Combinação na Célula C): No Grupo C, testa-se o cruzamento de forças. O usuário recebe o estímulo de CRM e, simultaneamente, é inserido no público customizado de mídia. O anúncio nas redes sociais passa a espelhar o contexto e a oferta do e-mail, medindo o poder da consistência omnichannel. 

4. Passo 4 (Grupo controle não acionado): A célula D é o Grupo Controle. Estes usuários não recebem absolutamente nenhum estímulo de CRM ou de mídia paga durante toda a janela do teste (ex: 14 a 30 dias). Eles servem para medir a taxa de conversão espontânea da base. 

5. Passo 5 (Mensuração da incrementalidade): Ao final do período, cruza-se o resultado das quatro células. A receita incremental de cada canal é calculada subtraindo a conversão do Grupo D. Se o Grupo C (Ambos) não apresentar uma conversão significativamente maior que a soma de A e B isolados, a coordenação de canais não justificou o custo extra de mídia. 

O que importa é o impacto real 

A verdade é que reativar clientes com eficiência os clientes não é uma questão de ter a ferramenta de automação mais cara do mercado, mas sim de garantir governança e rigor metodológico. Quando Marketing e CRM param de disputar a atribuição do impacto e passam a testar suas hipóteses de forma científica, o negócio para de queimar margem com quem já voltaria sozinho e descobre onde o ponteiro se move. A ideia de guiar o negócio apenas por intuição não faz mais sentido: o futuro pertence aos times que jogam juntos, guiados pela incrementalidade real.

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Kelly Mizutani Duque

Kelly Mizutani Duque

Head de Growth Marketing na Neon

Head de Growth Marketing na Neon, Kelly acumula mais de 10 anos de experiência, unindo uma formação analítica rigorosa a uma trajetória de alto impacto em escala e eficiência no setor financeiro. Sua carreira é marcada pela visão multidisciplinar e pelo desenvolvimento de estratégias de crescimento, liderando equipes multifuncionais na implementação de soluções para desafios complexos. Com passagens por posições de liderança no Nubank, Amicci e na Neon, especializou-se em arquitetar frameworks de decisão baseados em dados que convertem insights em resultados sustentáveis. Sua expertise abrange a gestão de times e a implementação de infraestrutura de Marketing, Growth e CRM, tendo liderado transformações que geraram incrementos de performance superiores a 40%. Reconhecida pela agilidade em navegar por demandas dinâmicas de mercado, Kelly integra planejamento estratégico e alocação eficiente de capital para assegurar que as metas de negócio resultem em impactos tangíveis de longo prazo.

AUTOR

Kelly Mizutani Duque

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Head de Growth Marketing na Neon, Kelly acumula mais de 10 anos de experiência, unindo uma formação analítica rigorosa a uma trajetória de alto impacto em escala e eficiência no setor financeiro. Sua carreira é marcada pela visão multidisciplinar e pelo desenvolvimento de estratégias de crescimento, liderando equipes multifuncionais na implementação de soluções para desafios complexos. Com passagens por posições de liderança no Nubank, Amicci e na Neon, especializou-se em arquitetar frameworks de decisão baseados em dados que convertem insights em resultados sustentáveis. Sua expertise abrange a gestão de times e a implementação de infraestrutura de Marketing, Growth e CRM, tendo liderado transformações que geraram incrementos de performance superiores a 40%. Reconhecida pela agilidade em navegar por demandas dinâmicas de mercado, Kelly integra planejamento estratégico e alocação eficiente de capital para assegurar que as metas de negócio resultem em impactos tangíveis de longo prazo.

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