
A metamorfose de indústrias tradicionais em plataformas completas de experiência não é mais uma exclusividade do entretenimento, da tecnologia ou do consumo. No agronegócio, um dos segmentos mais técnicos e conservadores da economia, a tendência começa a ganhar escala por meio de um novo modelo de eventos que combina conteúdo, negócios, gastronomia e entretenimento para aproximar marcas, produtores e consumidores.
Estes pilares sustentam o conceito que dá vida ao Global Agribusiness Festival (GAFFFF), iniciativa liderada pela DATAGRO em parceria com a Modale e empresas como XP e Corteva. A iniciativa busca reposicionar o agro como território de experiência e construção de marca.
O projeto foi discutido durante a palestra “Até o agro: quando o setor tradicional vira experiência e festival”, no CMO Summit, com a participação de André Moretti, CEO da Modale, Luiz Felipe Nastari, Diretor de Educação e Eventos da DATAGRO, Renato Preter, Head Relacionamento Rede de Assessores B2B na XP, e Felipe Daltro, Senior Director of Marketing para Brasil e Paraguai na Corteva.
“O GAFFFF começou em 2012 como o Global Agribusiness Forum, um fórum de discussão estratégica do agro. De dois anos pra cá, transformamos em um grande festival de cultura agro, com conteúdo como espinha dorsal, mas agregando negócios, gastronomia e entretenimento”, explica Nastari.

O resultado é um evento que reúne mais de 30 mil pessoas no Allianz Parque, em São Paulo, e que posiciona o agronegócio dentro de uma lógica de experiência, aproximando o setor da cidade e do consumidor final, algo pouco comum em um mercado historicamente focado apenas em relações B2B e discussões técnicas.
Do fórum técnico ao festival de experiência
A mudança de posicionamento alterou a própria função estratégica do evento. Além do conteúdo técnico, o GAFFFF passou a incorporar três novos pilares: feira de negócios, gastronomia e entretenimento. “O festival agrega o pilar de feira, onde acontecem negócios, o pilar de gastronomia, conectando o agro ao alimento e à história dos produtos, e o pilar de entretenimento, com exposições e shows para ampliar o alcance e a conexão com o público”, detalhou Nastari.
O objetivo é ampliar o território do agro, transformando o evento em uma plataforma de relacionamento entre diferentes públicos — de produtores rurais e empresas de insumos a marcas de consumo, investidores e consumidores urbanos. A mudança também responde a uma demanda histórica do setor. A distância entre campo e cidade sempre foi uma dor sentida pelo Agro, mas pouco havia sido feito para alterar essa percepção. O reposicionamento do GAFFFF surge como uma tentativa de romper essa barreira cultural.
“O agro reclamava a vida inteira que a cidade não entendia o setor, mas os eventos eram sempre técnicos, falando para a própria bolha. Quando surgiu o conceito de festival, com cultura, experiência e entretenimento, passou a ser uma oportunidade de criar conexão e memória”, destaca Felipe Daltro.

Experiência como motor de negócios
Assunto dominante nesta edição do CMO Summit, a experiência também impacta diretamente a geração de negócios no Agro. Diferentemente das feiras tradicionais, o ambiente híbrido do festival cria oportunidades mais informais de relacionamento e confiança entre empresas e produtores.
A edição mais recente do GAFFFF gerou cerca de R$ 1,8 bilhão em negócios em dois dias, com média de 20 negociações por empresa participante. Esse resultado está diretamente ligado ao formato do evento, que mistura conteúdo, convivência e entretenimento. “Levamos a sala de reunião para um ambiente completamente diferente. O assessor de investimentos participa de uma palestra com o cliente, come um churrasco e assiste a um show. Isso estreita muito mais os laços do que o ambiente convencional”, afirma Renato Preter.

Essa lógica aproxima o agro de tendências já consolidadas em outros setores, como tecnologia e investimentos, onde festivais e eventos híbridos se tornaram plataformas de construção de marca e relacionamento. A decisão de transformar o evento em um festival também exigiu romper com paradigmas do próprio agronegócio. Tradicionalmente, eventos do setor acontecem em regiões agrícolas, com foco técnico e perfil altamente especializado.
No caso do GAFFFF, a proposta foi justamente trazer o agro para o centro urbano, em um estádio de futebol, com linguagem acessível e múltiplos formatos de experiência. “Fomos para eventos internacionais disruptivos e voltamos com a ideia de transformar o fórum em festival. A proposta foi alugar um estádio em São Paulo e comunicar o agro com o consumidor final. Era uma forma de mostrar a importância da agricultura e da pecuária dentro da cidade”, relata Nastari.
O agro como território de marca
O festival também representa uma nova oportunidade de construção de marca em um setor historicamente orientado a produto. O modelo permite que companhias de diferentes segmentos, de tecnologia a bens de consumo, explorem o agro como território estratégico, criando ativações, experiências e conexões com públicos diversos.
“O principal legado é a conexão. Quem vai ao evento conhece novas pessoas, faz negócios e cria relacionamentos. Além disso, é uma oportunidade de contar melhor a história do agro e aproximar o setor da sociedade”, afirma Felipe Daltro.
A próxima edição do Global Agribusiness Festival está prevista para os dias 1 e 2 de outubro, no Allianz Parque, reforçando a consolidação do modelo que transforma um dos setores mais tradicionais da economia em um ambiente de experiência, relacionamento e construção de marca.
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