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Microdramas aceleram mercado que deverá alcançar US$ 26 bilhões até 2030

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Produzidos para consumo vertical em smartphones e com capítulos que geralmente não ultrapassam dois minutos, os microdramas devem impulsionar um mercado global projetado em US$ 26 bilhões até 2030. O formato atrai investimentos de produtoras, plataformas de streaming e empresas de mídia em diferentes mercados, e o avanço é refletido tanto na expansão da audiência quanto no aumento das receitas geradas por esse tipo de conteúdo.

A China permanece como o principal epicentro do segmento. A consultoria iiMedia Research estima que o mercado chinês de microdramas arrecadou cerca de 67,7 bilhões de yuans em 2025 (aproximadamente R$51 bilhões), alta de 34,4% em relação ao ano anterior. Já a consultoria Omdia estima que os microdramas geraram US$ 11 bilhões em receita global em 2025. 

O crescimento observado na Ásia impulsiona a expansão internacional do modelo. No Brasil, uma das pioneiras na aposta do modelo foi o Kwai, que lançou o TeleKwai em 2022 e transformou os microdramas em uma das principais frentes de investimento da plataforma. O formato concentra cerca de 20% dos aportes realizados no país e conta com o apoio de roteiristas profissionais, produtoras parceiras e agências especializadas. 


Expansão latina

Os números de um levantamento publicado pela Adjust mostram que os aplicativos de short dramas somaram 2,3 bilhões de downloads globais em 2025. As instalações cresceram 238% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as sessões registradas pelos usuários avançaram 679%.

A América Latina é uma das regiões de crescimento mais acelerado para o formato. As instalações de aplicativos de short dramas avançaram 913% na região no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, o maior crescimento registrado entre todos os mercados analisados em um levantamento da Adjust.

Globalmente, a média de sessões diárias por usuário passou de 1,61 no dia da instalação para 2,05 após 30 dias de uso. Já o tempo médio diário de visualização atingiu 37,7 minutos entre os usuários ativos. Na América Latina, os indicadores de retenção ficaram acima da média global, com taxa de 20% no primeiro dia e 4% após um mês, reforçando o potencial da região para empresas interessadas em explorar o segmento.


O interesse não se restringe ao público consumidor. Entre os profissionais de Marketing entrevistados pela Adjust, 69% afirmaram já ter sido impactados por anúncios de aplicativos de short dramas, enquanto 80% demonstraram interesse pelo formato após o contato com essas campanhas. Com efeito, 67% já anunciam ou pretendem anunciar nessas plataformas, e metade avalia desenvolver ou lançar aplicativos próprios voltados a esse mercado.

A concorrência também se intensificou. Mais de 700 empresas promoveram aplicativos de short dramas ao longo de 2025, enquanto o volume de peças publicitárias produzidas por anunciante cresceu 145% na comparação anual. Os números refletem a corrida de plataformas, produtoras e desenvolvedores para conquistar espaço em um mercado que ainda está em fase de consolidação, mas apresenta indicadores robustos de crescimento.

Fenômeno atrai operações tradicionais

Disputando a atenção das gerações mais jovens, empresas de mídia tradicionais passaram a incorporar as narrativas verticais em nas estratégias de distribuição digital. O SBT ingressou nesse mercado com a série Refollow, produção voltada ao público jovem e concebida para consumo em plataformas digitais. 

A Globo seguiu um caminho semelhante ao estruturar uma linha de novelinhas verticais para streaming e TV. Entre os lançamentos estiveram Tudo Por uma Segunda Chance, protagonizada por Jade Picon e conectada à novela Dona de Mim em uma estratégia transmídia, e Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário, estrelada pelo cantor Gustavo Mioto. Ambas foram desenvolvidas em episódios de poucos minutos, reforçando a aposta da emissora em formatos desenhados para o consumo rápido em dispositivos móveis.


O potencial comercial do formato já aparece nos modelos de patrocínio. Dados do mídia kit da Globo mostram que uma cota de mídia associada a produções desse tipo pode alcançar R$ 2,3 milhões, sem considerar as negociações comerciais ou os descontos aplicados aos anunciantes.

Enquanto isso, a Endemol Shine Brasil e A Fábrica, empresas da Banijay Américas, firmaram uma parceria voltada à criação e produção de narrativas verticais para o consumo mobile. A iniciativa une a experiência da Endemol Shine na produção e comercialização de conteúdo com a especialização de A Fábrica no desenvolvimento de roteiros de ficção, mirando tanto plataformas digitais quanto projetos desenvolvidos para marcas.

A Endemol Shine Brasil já acumula experiência no segmento. Entre 2023 e 2024, a produtora realizou mais de dez microdramas para o programa TeleKwai, envolvendo nove anunciantes, entre eles Coca-Cola, Honda, PagBank, Skol, Devassa, MRV, Cheetos, Tang e Sorriso. No ano passado, a empresa também renovou a parceria com a Meta para o desenvolvimento de novelas verticais voltadas a marcas, incluindo projetos para Comfort.

No início de 2025, a produtora concluiu as gravações de um microdrama com 89 episódios para uma plataforma especializada em conteúdos verticais e recebeu sinal verde para outras duas produções que, juntas, somam 147 capítulos. Paralelamente, dois novos projetos estão em desenvolvimento para o Globoplay, com roteiros assinados por A Fábrica.

Responsável por títulos como Pedaço de Mim, da Netflix, A Fábrica agora incorpora os microdramas como uma das frentes estratégicas de crescimento, em um cenário no qual produtoras, plataformas e marcas disputam espaço em uma categoria que ganha relevância dentro da indústria do entretenimento digital.

Inteligência artificial acelera produção e expansão dos microdramas

A inteligência artificial vem ganhando espaço em diferentes etapas da cadeia de produção dos microdramas. Na China, a tecnologia já é utilizada para personalizar recomendações, testar gêneros e formatos, desenvolver narrativas ramificadas e identificar elementos com maior potencial de engajamento. Em mercados internacionais, as aplicações ainda estão concentradas em processos de localização, legendagem e dublagem, mas a expectativa da indústria é que a IA assuma um papel cada vez mais relevante na redução de custos e na aceleração dos ciclos de produção.

Adrian Cheng, presidente da produtora de microdramas Crisp e organizador da conferência The Future Is Vertical, avalia que a adoção da tecnologia deixou de ser uma possibilidade para se tornar parte estrutural do negócio. A IA está integrada à operação da empresa e contribui para encurtar prazos, otimizar recursos e viabilizar novos modelos criativos para o desenvolvimento de conteúdos verticais.


A aposta também está presente na Holywater, estúdio especializado em produções verticais apoiado pela Fox Entertainment. A companhia utiliza ferramentas de inteligência artificial para testar conceitos antes da aprovação de investimentos maiores em produção. De acordo com o co-CEO Anatolii Kasianov, a tecnologia auxilia em atividades como dublagem, legendagem e otimização de fluxos de trabalho, além de permitir a avaliação preliminar de cenas e narrativas antes do início das gravações.

A estratégia, no entanto, não olha apenas para eficiência operacional. Para Bogdan Nesvit, cofundador da Holywater, o objetivo é construir um ecossistema de narrativas curtas capaz de explorar diferentes gêneros e formatos. A empresa já trabalha no desenvolvimento de conteúdos como microthrillers, micro-horror e microação, ampliando as possibilidades de aplicação do modelo. A inteligência artificial surge como uma ferramenta para escalar a produção de histórias e acelerar a expansão de um mercado que ainda busca novos caminhos de crescimento.

Leia também: A nova era das novelas: quem vai contar as histórias na era do vídeo curto?

*Com informações de Variety



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Ian Cândido

Repórter

AUTOR

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