
O mercado global de bebidas alcoólicas enfrenta os efeitos de uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. As 20 marcas mais valiosas da categoria somam US$ 194 bilhões em 2026, segundo o ranking da Kantar, resultado que representa uma retração de 7% em relação ao ano anterior. O movimento reflete novos hábitos de consumo, especialmente na América do Norte e na Europa, onde os consumidores passaram a beber menos e com mais seletividade.
O conceito, chamado de "grande moderação", está relacionado aos consumidores que estão reduzindo a frequência com que bebem – e os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Nos Estados Unidos, apenas 54% dos adultos declararam ter consumido álcool recentemente, o menor índice já registrado pelo estudo.
Em mercados tradicionais como a Alemanha, também houve retração nas vendas de cerveja. Isso não significa abandono, mas uma seletividade. "Menos, mas melhor" é o mote que impulsiona o crescimento de produtos premium e abre espaço para bebidas com baixo ou zero teor alcoólico, como explica Martin Cena, CEO da Kantar Brasil.
No topo do ranking, a chinesa Moutai lidera com folga, avaliada em US$ 73,6 bilhões — valor que sozinho representa quase 38% do total da categoria. A Corona ocupa o segundo lugar, com US$ 16,5 bilhões, seguida pela Budweiser, com US$ 14,3 bilhões. O Brasil aparece em duas posições: a Brahma figura em nono lugar, com US$ 6,41 bilhões, e a Skol em décimo segundo, com US$ 4,83 bilhões.

Leitura de mercado
O desempenho das cervejas em um cenário de retração chama a atenção. O segmento tem se saído melhor do que outras categorias ao ampliar sua presença em ocasiões diversas de consumo, de momentos de relaxamento individual a ambientes ligados a esportes e bem-estar, e ao investir no desenvolvimento de versões sem álcool com melhor sabor.
O estudo aponta três vetores que devem pautar o crescimento futuro da categoria. O primeiro é a inovação em novos contextos de consumo. O segundo é a expansão em mercados emergentes, como a Índia e a África, com adaptação a públicos mais jovens. Na China, as marcas já buscam novas ocasiões de consumo e formatos mais leves para atrair a Geração Z.

O terceiro vetor é a digitalização da jornada de descoberta, que exige estratégias capazes de considerar tanto os consumidores humanos quanto sistemas baseados em inteligência artificial. Em todos os casos, o sabor segue sendo o principal fator de escolha inclusive em produtos não alcoólicos, reforçando o desafio de equilibrar saúde e experiência sensorial.
A premiumização, por si só, não resolve o panorama de queda. Martin Cena afirma que as marcas precisam encontrar novos espaços de atuação e investir em inovação significativa para se manterem relevantes em um cenário de mudança estrutural.
Top 20 marcas de bebidas alcoólicas — Kantar BrandZ 2026
Moutai — US$ 73,63 bilhões
Corona — US$ 16,52 bilhões
Budweiser — US$ 14,38 bilhões
Heineken — US$ 11,82 bilhões
Modelo — US$ 7,39 bilhões
Wu Liang Ye — US$ 6,79 bilhões
Michelob Ultra — US$ 6,78 bilhões
Johnnie Walker — US$ 6,52 bilhões
Brahma — US$ 6,41 bilhões
Hennessy — US$ 5,18 bilhões
Bud Light — US$ 5,06 bilhões
Skol — US$ 4,83 bilhões
National Cellar 1573 — US$ 4,45 bilhões
Guinness — US$ 4 bilhões
Stella Artois — US$ 3,98 bilhões
Victoria — US$ 3,67 bilhões
Tecate — US$ 3,39 bilhões
Smirnoff — US$ 3,092 bilhões
Jack Daniel's — US$ 3,091 bilhões
Xing Hua Cun — US$ 3,04 bilhões
Leia também: Pepsi amplia presença no futebol com ativações ligadas à UEFA Champions League
COMPARTILHAR ESSE POST






