
O varejo brasileiro encerrou junho em desaceleração, refletindo mudanças no comportamento de compra dos consumidores diante de diferentes fatores que afetaram a dinâmica do consumo. Dados do Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV Seed), da Seed Digital, apontam que o fluxo nas lojas físicas caiu 1,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Nem mesmo o desempenho positivo do Dia dos Namorados foi suficiente para compensar a queda observada durante a realização dos jogos da Seleção Brasileira no Mundial de futebol. Entre os dias 5 e 12 de junho, impulsionado pela data comemorativa, o fluxo de consumidores cresceu 7% na comparação anual. Durante as partidas do Brasil, no entanto, o movimento nas lojas sofreu fortes retrações.
Na estreia da Seleção, em um sábado, o fluxo caiu 17,9%. Na segunda partida, realizada em uma sexta-feira, a redução chegou a 28,8%. O terceiro jogo provocou queda de 26%, enquanto o último confronto do mês registrou o impacto mais intenso, com retração de 36,3%.
O desempenho foi semelhante entre os principais formatos de operação. As lojas de rua registraram queda de 1,4%, enquanto os shopping centers recuaram 2%. Regionalmente, apenas o Centro-Oeste apresentou crescimento, de 2,6%. As demais regiões encerraram junho em retração: Sul (-1,3%), Sudeste (-1,4%), Nordeste (-4,3%) e Norte (-4,7%).
Segundo a Seed Digital, julho também deverá exigir atenção dos varejistas diante das férias escolares e das mudanças climáticas, fatores que tendem a alterar a composição do consumo.

Fechamento aos domingos altera consumo em supermercados do Espírito Santo
Outro levantamento, desta vez da Scanntech, mostra que mudanças na operação do varejo também podem afetar o desempenho das vendas. Após a entrada em vigor da convenção coletiva que determinou o fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, o faturamento do varejo alimentar no estado caiu 1,3% entre março e abril de 2026, enquanto o Brasil registrou crescimento de 0,7%.
Antes da medida, o cenário era inverso: o Espírito Santo crescia 3%, acima da média nacional de 2,3%. Segundo a Scanntech, o consumidor reorganizou gradualmente sua rotina de compras. No primeiro mês, houve migração das compras para segunda e terça-feira. Em abril, o consumo passou a se concentrar no meio da semana, indicando adaptação ao novo cenário.
O estudo também identificou maior impacto em categorias que possuem forte presença em canais alternativos, como perfumaria e carnes, além de perdas mais expressivas no atacarejo e em supermercados de menor porte. Apesar de o levantamento ganhar relevância em meio às discussões sobre a PEC que prevê o fim da escala 6x1, a Scanntech ressalta que o estudo analisa exclusivamente os efeitos do fechamento comercial aos domingos e não mudanças nas jornadas de trabalho.
"É importante destacar que o estudo trata do fechamento comercial aos domingos, e não da forma como as escalas de trabalho são organizadas. São questões distintas, já que a mudança na escala dos funcionários não implica, necessariamente, no fechamento da loja. Ainda assim, o cenário do Espírito Santo serve como referência para avaliar, na prática, possíveis impactos sobre o varejo alimentar brasileiro", afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.
A empresa seguirá monitorando os indicadores para verificar se os impactos observados representam um período de adaptação ou uma mudança estrutural no comportamento de compra. Combinados, os dois estudos reforçam que o desempenho do varejo depende cada vez mais da capacidade de adaptação a fatores externos que alteram os hábitos de consumo, sejam eles eventos de grande mobilização nacional ou mudanças na dinâmica de funcionamento das lojas.
Leia também: Violência urbana atrapalha vendas e impõe novo custo ao varejo brasileiro

COMPARTILHAR ESSE POST






