
Ao longo dos últimos 12 meses, a GAC Brasil, braço nacional da montadora chinesa GAC, reformulou a estratégia de influência digital para ampliar o engajamento e estreitar o relacionamento com os consumidores. A iniciativa integrou Creator Economy, inteligência artificial e gestão especializada, em um trabalho desenvolvido em parceria com as agências GreenZ e SUBA e a empresa de inteligência artificial Galaxies. O novo modelo passou a combinar análise de dados, estudo de audiência e curadoria de talentos para orientar as decisões de comunicação da marca.
As mudanças foram acompanhadas por uma evolução dos indicadores. A taxa média de engajamento aumentou de 1,26% em 2025 para 5% em 2026, quase quatro vezes o resultado anterior. Já o número de visualizações únicas acumuladas entre maio e julho cresceu mais de seis vezes na comparação entre os dois anos, passando de 4,6 milhões para mais de 30 milhões de forma orgânica, sem considerar o alcance impulsionado. Nos dois períodos, a marca trabalhou com grupos de quatro influenciadores de perfis equivalentes, incluindo celebridades e criadores de grande e médio porte.
Uma das principais mudanças foi a adoção de personas sintéticas, modelos desenvolvidos com inteligência artificial a partir de pesquisas com consumidores reais da marca. As representações digitais simulam comportamentos, preferências e processos de decisão de diferentes públicos e ajudam a avaliar territórios de marca, selecionar influenciadores, direcionar formatos de conteúdo e construir narrativas mais alinhadas aos interesses das audiências.
A transformação também envolveu o fortalecimento da operação de Creator Economy. A GAC estruturou uma frente dedicada à influência e à produção de conteúdo, tanto internamente quanto em conjunto com as agências GreenZ e SUBA, responsáveis por contribuir com o desenvolvimento, a gestão e a execução da estratégia. A parceria com a Galaxies complementou essa estrutura com análises de dados para embasar as decisões. Com isso, a companhia passou a acompanhar mais de perto o trabalho dos criadores, aprimorar a composição dos elencos de influenciadores e aprofundar a avaliação dos conteúdos e resultados.
Luis Fernando Guidorzi, diretor de Comunicação e Marketing da GAC, explica que o desafio para 2026 era entender como transformar influência em uma frente mais estratégica para a marca, e não apenas em uma ferramenta de alcance. Por isso, a ação focou em diferentes frentes: estrutura de gestão, definição de territórios, escolha de creators e, principalmente, uma visão orientada por dados para apoiar as decisões.

Do alcance à relevância
A avaliação dos resultados de 2025 indicou oportunidades para tornar a escolha dos influenciadores mais precisa e alinhada aos objetivos da marca. Apesar do alcance obtido pelas campanhas, a empresa identificou espaço para aprofundar a conexão com as audiências e qualificar as interações geradas pelo conteúdo.
Para isso, em 2026, a GAC recorreu à Galaxies para investigar os interesses e comportamentos dos consumidores e identificar os territórios de conteúdo com maior potencial de conexão. A análise também buscou detalhar quais abordagens dentro de cada território poderiam ser mais relevantes para a marca.
Lifestyle, tecnologia e economia apareceram entre os campos com maior potencial para ampliar o reconhecimento da GAC. Como são temas abrangentes, porém, foi necessário identificar os recortes capazes de estabelecer uma relação mais direta com o posicionamento da companhia. No território de viagens, por exemplo, a abordagem foi direcionada às escapadas, uma perspectiva mais específica para a comunicação da marca.
As personas sintéticas baseadas em pesquisas com consumidores reais também passaram a orientar tanto a seleção de influenciadores quanto o planejamento dos conteúdos. O objetivo foi aproximar as escolhas de casting das características e expectativas dos diferentes segmentos de público.
Com base nos resultados, a empresa organizou a atuação com influenciadores em um novo formato, que combina uma embaixadora de alcance nacional com squads trimestrais de criadores e conteúdos gerados por usuários (UGC). A estrutura permite explorar diferentes perfis de influenciadores, linguagens, mensagens e territórios de comunicação ao longo do ano, com maior flexibilidade para ajustar as iniciativas aos objetivos de cada período.
O modelo também contribuiu para ampliar a escala das ações. Em julho de 2026, as iniciativas com influenciadores e creators somaram 11,46 milhões de visualizações e 35,1 mil interações orgânicas. O volume de visualizações foi quase três vezes superior ao total registrado no intervalo de maio a julho de 2025.

Inteligência artificial na seleção de influenciadores
A criação das cinco personas sintéticas foi uma das aplicações práticas da inteligência artificial na nova estratégia. Desenvolvidas a partir de pesquisas com consumidores reais da GAC, as representações digitais foram concebidas para reproduzir características, preferências e processos de decisão de diferentes perfis de público.
A ferramenta foi utilizada para avaliar influenciadores considerados nas campanhas de 2025 e na definição da estratégia de 2026. A análise levou em conta três dimensões principais: aderência ao produto, credibilidade e potencial de conversão.
A proposta não se restringiu a identificar criadores com indicadores elevados de desempenho. A avaliação também procurou entender quais perfis teriam maior capacidade de estabelecer conexões relevantes com cada segmento de consumidor, considerando o contexto e os objetivos da comunicação da marca.
Planejamento baseado em aprendizado contínuo
Além de incorporar tecnologia à seleção de influenciadores, a GAC passou a trabalhar com um planejamento contínuo, no qual os resultados de cada campanha alimentam as decisões das etapas seguintes. A proposta é utilizar os aprendizados acumulados para aperfeiçoar tanto a escolha dos criadores quanto a abordagem dos conteúdos.
Antes da contratação, são considerados aspectos como as características da audiência, a afinidade com o produto, o território de conteúdo, a credibilidade do influenciador e seu potencial de conversão. Depois da veiculação, os resultados são analisados para identificar oportunidades de melhoria e orientar os próximos ciclos de trabalho.
A solução desenvolvida pela Galaxies também gera recomendações para campanhas futuras, indicando formatos, mensagens e territórios com maior potencial de conexão para cada perfil de consumidor. Dessa forma, a inteligência artificial passou a apoiar não apenas a mensuração dos resultados, mas também o planejamento estratégico anterior à execução das ações.
A mudança representa uma nova etapa da operação de influência digital da GAC Brasil. Em 2025, a companhia ainda estruturava a atuação nesse campo; em 2026, passou a operar um modelo integrado de creators, tecnologia, análise de dados e gestão especializada, com o objetivo de tornar a comunicação mais relevante para os consumidores e aprimorar os resultados das campanhas.
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