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Febraban Tech entra em nova era com mudança de sede, calendário e estratégia de conteúdo

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O Febraban Tech se consolidou como o principal evento de tecnologia e inovação do setor financeiro no Brasil, reunindo bancos, fornecedores e startups em torno de um público majoritariamente gerencial. O sucesso, no entanto, esbarrou em uma barreira física: o Transamérica Expo Center, há anos sede do congresso, esgotou a capacidade de absorver o crescimento de estandes, conteúdo e público. 

A partir de 2026, o evento muda de endereço, rumo ao Distrito Anhembi, espaço totalmente reformado que deve ampliar em 30% as áreas comercializáveis e quase dobrar o número de vagas de estacionamento. A data também muda: o evento deixa o final de junho e passa a ocorrer no final de agosto, depois do período da Copa do Mundo.

A decisão de buscar um novo espaço amadureceu a partir dos próprios sinais enviados pelo público nas pesquisas de feedback. "Tínhamos uma questão latente de trânsito, acesso e estacionamento que aparecia recorrentemente nos feedbacks dos participantes. O evento já havia atingido o limite de capacidade para atender com conforto tanto os congressistas quanto os expositores", explica Michel Daoun, gerente de planejamento de eventos da Febraban e responsável pelo Febraban Tech, em entrevista ao podcast Green Room.


Do CIAB ao Febraban Tech

O Febraban Tech nasceu do rebranding de um evento com mais de 30 anos de tradição, o CIAB Febraban. A pandemia interrompeu as edições presenciais em 2020 e forçou a federação a migrar para as versões on-line, batizadas de CIAB e, depois, CIAB Live. Foi nesse período de isolamento que surgiram as primeiras discussões internas sobre uma mudança de nome.

"Isso precisou ser bem pensado porque tínhamos um nome muito consolidado. Não dava para fazer algo do dia para a noite, então fomos amadurecendo e explicando para as pessoas que faria sentido mudar", conta o executivo. A premissa era manter a marca Febraban, mas o nome do evento precisava acompanhar a transformação do setor. "O nome CIAB remetia à automação bancária, um termo que já não traduzia o que é tecnologia e inovação hoje. Optamos por um nome fácil, sem uma identidade complexa, mas que traduzisse a realidade de um evento de tecnologia e inovação", detalha Daoun.

A primeira edição sob a nova marca, ainda na retomada pós-pandemia, ocorreu no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, antes do retorno ao Transamérica Expo Center nas edições seguintes. A mudança de nome trouxe consigo uma reformulação de conceito. Enquanto o CIAB separava o acesso à área de exposição do acesso aos auditórios, o desafio do Febraban Tech passou a ser o de ampliar o público sem perder a qualificação que sustenta o interesse comercial das marcas patrocinadoras.


"Diminuímos o valor da inscrição, mas permitimos que as pessoas pudessem acessar qualquer área do evento, da exposição aos auditórios. Conseguimos fazer essa mudança sem desqualificar o público", afirma Daoun. O evento mantém pelo menos 75% de seu público em nível gerencial ou superior, entre gerentes, C-levels, vice-presidentes, presidentes e CEOs.

A integração física acompanhou a mudança conceitual. As paredes que isolavam os auditórios da área de exposição foram derrubadas, e o evento passou a adotar o formato de palestra silenciosa, com o público acompanhando o conteúdo por fones de ouvido

"Mesmo com o auditório lotado, a pessoa pode ficar do lado de fora com o fone e continuar acompanhando, porque ela não perde o conteúdo só porque não conseguiu entrar. Isso também ajuda a democratizar a participação", pontua o executivo.

Sucesso comercial e fila de espera

O braço comercial do Febraban Tech é um dos pilares da expansão. Todos os anos, em outubro, a Febraban realiza um evento de lançamento, híbrido, em que apresenta às empresas interessadas a equipe comercial, o media kit e os detalhes da próxima edição.

"O ranking calibra a participação que a empresa teve nas edições anteriores, o investimento realizado e a presença em outros eventos da Febraban. Há muita transparência: todas as empresas recebem esse ranking antes do evento de lançamento e já sabem qual é a sua posição", explica Daoun.

A escolha dos espaços acontece em tempo real, com um mapa virtual do evento projetado em telão: o painel começa todo verde e vai ficando vermelho conforme as cotas são reservadas, até praticamente se esgotarem. As empresas que não conseguem espaço entram em lista de espera, geralmente formada por marcas novas no mercado ou em sua primeira tentativa de participação. 

Entre os patrocinadores recorrentes estão multinacionais de tecnologia como IBM, Microsoft e AWS, ao lado dos próprios bancos associados à Febraban.


Mais espaço para crescer

O esgotamento físico do Transamérica Expo Center já era visível na edição de 2025, quando o evento ocupou 100% da área disponível, incluindo o boulevard de entrada, e recorreu a estacionamentos parceiros e vans a partir da estação de metrô Santo Amaro. Para liberar espaço para mais estandes, a Febraban precisou subir o restaurante do evento para a laje do pavilhão.

"Não foi simplesmente subir um restaurante. Tivemos que fazer uma operação de guerra, porque o evento aconteceria em junho e a montagem começou ainda em abril, aproveitando as brechas de agenda do pavilhão", resume Daoun.

O novo endereço, o Distrito Anhembi, foi escolhido após visitas ao local, que passou por reforma estrutural completa sob nova operação. "É um novo espaço, totalmente reformado. Eles conseguiram remover praticamente todas as colunas da área de exposição, foi um grande processo de modernização da estrutura", relata o executivo.


 

A mudança deve ampliar em 30% as áreas comercializáveis do evento, com mais espaço para conteúdo, ativações e praça de alimentação, além de quase dobrar o número de vagas de estacionamento, somando o acesso às vagas do Sambódromo do Anhembi e o transporte via vans a partir da estação Portuguesa-Tietê.

"Geralmente o Febraban Tech acontece no final de junho, mas agora vamos para o final de agosto, depois da Copa. Isso garante um respiro no calendário, mas também vai ser bem desafiador para todo o planejamento", pontua Daoun. Segundo o executivo, a aceitação já ficou clara no evento de lançamento da edição de 2026, realizado em outubro, quando praticamente todas as áreas de estandes voltaram a ser reservadas.

Curadoria e inspiração internacional

A construção do conteúdo do Febraban Tech começa cerca de um ano antes do evento e é descrita por Daoun como um processo contínuo, que parte dos aprendizados assimilados durante a edição anterior. Primeiro, a equipe interna desenvolve as trilhas temáticas com apoio de uma consultoria externa que monitora discussões em outros eventos do setor. Depois, o conteúdo é desdobrado em painéis validados por uma comissão e um conselho formados pelos representantes dos bancos associados.

"Temos a visão de fora, das discussões que nós queremos fomentar, mas é o conselho que traz a visão de quem está lá dentro do banco, no dia a dia. Essa participação conjunta é um grande diferencial. Para evitar discussões superficiais, os painéis combinam executivos bancários com consultorias, fornecedores, especialistas e representantes da academia”, afirma o executivo.

A busca por inovação anual é, segundo Daoun, uma diretriz direta da diretora de eventos da Febraban, Denise Perotti. A busca por experimentação se concentra no Auditório Imersão, espaço que nasceu durante o auge do hype do metaverso, quando o público acompanhava as palestras usando óculos de realidade virtual enquanto o próprio palestrante também se apresentava em formato de avatar. 

Para Daoun, o momento mais marcante de cada edição acontece poucos dias antes da abertura ao público. "É muito gratificante chegar ao palco nos dias que antecedem o evento, durante a montagem, e ver concretizado tudo aquilo que ficou só na tela do computador durante mais de um ano de reuniões", finaliza o executivo.

Leia também: Green Room estreia temporada sobre o futuro dos eventos no Brasil



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Ian Cândido

Repórter

AUTOR

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