
A criação de conteúdo, principalmente imagens (54,5%), textos (49,8%) e vídeos (39,1%), é a principal forma de uso para os profissionais de Marketing que utilizam Inteligência Artificial no trabalho (71,2%), conforme apontam dados de um levantamento da Alura.
Em contrapartida, aplicações mais estratégicas, como análise de dados (30,6%), planejamento de campanhas (16,2%) e automação de e-mails (15,5%), aparecem em menor escala, sugerindo uma adoção concentrada em execução.
O uso de dados já integra a rotina de 65,4% dos entrevistados, mas a aplicação efetiva ainda enfrenta limitações relacionadas à formação. O modelo de aprendizado contribui para esse cenário: 47,7% dos profissionais recorrem a vídeos online e 32,6% aprendem por tentativa e erro. Apenas 6,5% investem em cursos estruturados.

Curiosamente, 66,8% dos profissionais afirmam se sentir confortáveis com a IA. 61,3% se classificam nos níveis iniciante ou básico no uso da tecnologia, enquanto 10,9% se consideram avançados ou especialistas, evidenciando uma percepção positiva que não se traduz, necessariamente, em profundidade técnica.
Como consequência, 70,3% afirmam que a falta de conhecimento em tecnologia limita oportunidades, enquanto 33,9% relatam dificuldade em escalar o crescimento, 32,9% apontam estagnação e 30,6% indicam dependência de áreas técnicas.
As mazelas da adoção da IA no Brasil
Cerca de 39% dos líderes ouvidos em uma pesquisa conduzida pela Unico Skill se sentem confiantes para usar inteligência artificial de forma consistente no dia a dia ou na gestão de equipes. Isso confirma que, embora a tecnologia esteja disseminada, o uso ainda é superficial e pouco estruturado e existe uma lacuna entre acesso à tecnologia e transformação real do trabalho.
Um dos principais obstáculos está na forma como a inteligência artificial é tratada dentro das organizações. Muitas empresas continuam enxergando a IA como uma ferramenta, quando, na prática, o ápice da tecnologia estabelece um novo grau de complexidade operacional e exige a revisão completa dos processos e da dinâmica de trabalho.

As mazelas refletem investimentos ainda precários no setor. 82,3% das empresas destinam até R$ 5 mil mensais ao uso de IA. Desse total, 40,2% não realizam qualquer investimento financeiro, limitando-se a ferramentas gratuitas, enquanto 42,1% aplicam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil por mês, valor geralmente associado a licenças individuais e não a projetos corporativos estruturados.
A capacitação acompanha esse padrão restritivo. 41,1% das empresas oferecem treinamentos baseados em cursos gratuitos ou de baixo custo, como vídeos no YouTube, MOOCs e webinars. Outros 28,7% não possuem nenhuma iniciativa formal de desenvolvimento de competências em IA. Como consequência, 22,9% dos profissionais afirmam sentir pouco ou nenhum apoio das empresas para evoluir tecnicamente no uso da tecnologia.
Leia também: IA no Marketing em 2026: tecnologia como base, liderança como diferencial
COMPARTILHAR ESSE POST






