Em 2026, a Inteligência Artificial aparece como o segundo maior desafio do setor, tecnicamente empatada com a integração entre Marketing e vendas. 82,4% dos profissionais ouvidos no levantamento Tendências de Marketing 2026 afirmam utilizar ferramentas de IA diariamente, um avanço de 88,6% em relação a 2024, quando esse percentual era de 43,7%.
O dado sinaliza uma inflexão relevante: após a fase de experimentação, o mercado passa a cobrar resultados mensuráveis e impacto direto em produtividade e desempenho. Em consonância, 41,3% dos profissionais indicam o aumento de produtividade como a principal prioridade associada ao uso de IA.
Neste contexto, mesmo com a disseminação quase total da tecnologia na rotina de trabalho, os dados indicam um uso ainda limitado em termos estratégicos. A maior parte dos profissionais (88,2%) utiliza a tecnologia de forma predominantemente conversacional, com perguntas e respostas aplicadas diretamente às tarefas cotidianas.
Apenas 6,1% recorrem à automação por meio de fluxos de trabalho estruturados, enquanto 2,7% operam agentes autônomos, modelos que oferecem ganhos mais consistentes de escala e eficiência. Na prática, a IA permanece majoritariamente posicionada como um assistente individual, e não como um ativo integrado à estratégia das empresas.

A fragilidade desse modelo fica evidente na ausência de governança. Quase metade das empresas brasileiras (47,1%) não possui qualquer diretriz, política ou processo formal para o uso de Inteligência Artificial. Outros 21,2% avaliam riscos e segurança de dados apenas de forma pontual, adotando uma postura reativa.
Em contrapartida, somente 12,1% exigem aprovação formal da liderança antes da adoção de ferramentas de IA, e 11,9% afirmam operar com um modelo completo de governança, que inclui diretrizes claras, processos auditáveis e programas estruturados de capacitação. Na prática, 68,3% das empresas atuam sem governança ou com controles insuficientes, um indicador considerado crítico diante dos riscos operacionais, legais e reputacionais envolvidos.
O baixo grau de maturidade também se reflete nos investimentos. Outro dado importante é que 82,3% das empresas destinam até R$ 5 mil mensais ao uso de IA. Desse total, 40,2% não realizam qualquer investimento financeiro, limitando-se a ferramentas gratuitas, enquanto 42,1% aplicam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil por mês, valor geralmente associado a licenças individuais e não a projetos corporativos estruturados.
A capacitação acompanha esse padrão restritivo. Apenas 41,1% das empresas oferecem treinamentos baseados em cursos gratuitos ou de baixo custo, como vídeos no YouTube, MOOCs e webinars. Outros 28,7% não possuem nenhuma iniciativa formal de desenvolvimento de competências em IA. Como consequência, 22,9% dos profissionais afirmam sentir pouco ou nenhum apoio das empresas para evoluir tecnicamente no uso da tecnologia.
Por isso, para 2026, os dados indicam que o principal desafio do mercado não está mais na adoção da Inteligência Artificial, mas na sua institucionalização. As organizações que conseguirem transformar o uso individual em processos estruturados tendem a converter a IA em vantagem competitiva de longo prazo.
Essa percepção já começa a se refletir nos planos de investimento: 48,5% das empresas pretendem direcionar recursos para geração de dados e inteligência com IA, 39,6% para criação e otimização de conteúdo voltado a SEO e 34,7% para atendimento ao cliente por meio de chatbots.
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