
A corrida de rua pode ser esporte para uns, qualidade de vida para outros, mas é uma importante plataforma de mídia, consumo e construção de marca para muitos profissionais de Marketing no Brasil. Dados da Sport Track, mostram que a modalidade cresceu simultaneamente em prática, preferência do público e consumo de conteúdo esportivo entre 2020 e 2025.
Os dados reforçam uma transformação mais ampla no mercado esportivo brasileiro, impulsionada pelo avanço do wellness e pela incorporação do esporte à rotina de bem-estar da população. A corrida de rua saiu da quarta posição em 2020, com share de 24%, para a terceira colocação em 2025, alcançando 36% e ultrapassando a caminhada no ranking nacional. O crescimento também aparece no consumo de mídia. Em 2020, a modalidade ocupava a nona posição entre os esportes mais consumidos na mídia, com 3% de preferência.
Em 2025, passou para a oitava posição, chegando a 9%. Já entre os esportes preferidos dos brasileiros, a corrida manteve a oitava colocação, mas dobrou seu share, saltando de 5% para 11% no período analisado.
“O que era um esporte de mera participação virou também um esporte consumido na mídia. Hoje existem mais transmissões, mais podcasts e mais conteúdo dedicado às provas de corrida. Ela deixou de ser apenas uma atividade prática para virar uma plataforma patrocinável”, afirmou Rafael Plastina, fundador da Sport Track e especialista em Marketing esportivo, ao Mundo do Marketing.

Como o Wellness amplia consumo esportivo
Plastina mostrou que o crescimento da corrida de rua não pode mais ser explicado apenas pelos impactos da pandemia. Isso porque, os dados das sete ondas da pesquisa mostram uma mudança no comportamento da população, ligada ao wellness, à saúde e ao bem-estar. Antes de 2020, cerca de 45% dos brasileiros afirmavam praticar algum esporte ou atividade física. Após a pandemia, os índices passaram a superar 70% de forma consistente ao longo dos anos seguintes.
A leitura ajuda a explicar por que modalidades historicamente ligadas ao bem-estar passaram a ganhar relevância também em mídia, entretenimento e investimento publicitário. O aumento das transmissões de provas, da produção de conteúdo especializado e do consumo de podcasts ligados ao universo da corrida transformou o ambiente em um território mais atrativo para patrocinadores e marcas não endêmicas. Plastina frisa que a corrida de rua passou a oferecer algo que antes estava restrito a grandes propriedades esportivas: recorrência, comunidade e presença constante na rotina das pessoas.
“Hoje eu já não posso mais falar apenas de pandemia. Existe uma transformação estrutural ligada ao wellness. O esporte entrou na rotina das pessoas de uma forma muito mais profunda. A corrida nasceu muito ligada à prática e ao bem-estar, mas agora cresce também como consumo e preferência. Esse é o grande ponto dessa transformação”, explicou.

Caixa cresce entre gigantes esportivas e reforça força do patrocínio
O avanço da corrida de rua também alterou a dinâmica de associação de marcas dentro da modalidade. No acumulado entre 2020 e 2025, Nike e Adidas lideram as associações espontâneas de patrocinadores da corrida de rua, seguidas pela Caixa Econômica Federal. A presença da instituição financeira chama atenção por se tratar da principal marca não endêmica do ranking, competindo diretamente com gigantes globais do mercado esportivo.
Os dados mostram que, em 2020, a Caixa ocupava a segunda posição entre as marcas mais associadas à corrida, com 7% de share. Em 2025, a empresa caiu para a terceira colocação, atrás de Nike e Adidas, mas dobrou sua participação, alcançando 15%. Para o especialista, o resultado mostra como o patrocínio esportivo passou a exercer um papel estratégico de construção de marca, especialmente em modalidades que ganharam escala cultural e midiática nos últimos anos.
“A Caixa aparece entre as principais marcas associadas à corrida de rua ao lado de gigantes do material esportivo. Isso mostra a força do patrocínio na construção de marca. O mercado cresceu porque existem mais pessoas praticando e consumindo esporte. E isso muda completamente o viés da corrida de rua para as marcas”, concluiu.
Leia também: Entre dados, experiência e comunidade: o novo papel do patrocínio no esporte
COMPARTILHAR ESSE POST







