
Com a crescente incorporação da IA aos fluxos internos das empresas, a fluência dos times criativos e a estrutura de tomada de decisão apresentam ganhos positivos. Isso porque a tecnologia altera não apenas a velocidade de produção, mas a própria organização do trabalho dentro de agências, marcas e áreas de conteúdo.
Esse foi o eixo da palestra “Agentes de IA no Marketing: Workflows e Cases Reais”, realizada durante o CMO Summit 2026 por Nando Blum, fundador e CEO da Human, e Marioo, fundador e diretor criativo da empresa. Eles avaliaram que o mercado já superou a etapa de curiosidade em torno da tecnologia e entrou em um momento de reorganização prática, no qual a produtividade depende da capacidade de integrar IA a processos reais.
“A internet demorou 20 anos para transformar a sociedade e as redes sociais demoraram 10 anos para mudar os costumes. E a IA, em apenas dois anos, está mudando muita coisa”, contextualiza Nando Blum, fundador e CEO da Human.
A aceleração ajuda a explicar por que empresas começam a tratar inteligência artificial como infraestrutura operacional. O segredo, pontua o executivo, não é a ferramenta, mas “como as empresas estão implementando isso na camada operacional, trazendo o processo e o lado humano para ajudar nas decisões e potencializar os times.”

Como usar a IA do modo correto
A discussão se distancia da ideia de automação como a substituição completa da criação humana. Pelo contrário: a Human sustenta que, quanto maior o volume de produção gerado por IA, mais relevante se torna a presença de repertório, curadoria e direção criativa para transformar escala em valor efetivo.
“Quem usa bem IA é quem tem método, visão e bom gosto. Nenhum dos trabalhos que nós fazemos seria entregue sem pessoas com noção de fotografia, linguagem, narrativa e senso estético por trás”, afirma Marioo, Diretor Criativo da Human.

Isso aparece diretamente na maneira como a empresa vem estruturando campanhas e projetos criativos. A IA opera como camada complementar dentro dos fluxos de criação. Uma campanha criada para os 50 anos do Clube de Criação, por exemplo, foi desenvolvida integralmente com IA a partir de restrições de prazo e orçamento que tornaram a produção inviável pelos métodos convencionais.
O mesmo princípio aparece em campanhas híbridas que combinam set físico, pós-produção e geração de elementos visuais por IA. Em uma campanha híbrida desenvolvida para O Boticário, o projeto combinou filmagem em set real com geração de cenários e efeitos por IA para representar visualmente fragrâncias da marca.
A tendência não aponta para o desaparecimento das equipes criativas tradicionais, mas para uma reorganização da produção publicitária, com integração cada vez maior entre ferramentas generativas e processos já consolidados da indústria audiovisual. “Veremos cada vez mais esse tipo de produção e a IA sendo usada também como pós-produção”, crava Marioo.
O efeito além da publicidade
As mudanças não se restringem à publicidade e a IA começa a ocupar funções internas de operação e gestão dentro das empresas. Pensando nisso, a Human criou sistemas próprios utilizados para organizar workflows, automatizar rotinas, integrar dados e acelerar tarefas operacionais de diferentes áreas.
A prata da casa é o HumanOS, plataforma desenvolvida internamente para acompanhar funis, organizar calendários, controlar fluxos de Marketing e concentrar informações de operação. O sistema funciona como uma camada central de apoio para as equipes da empresa.
“O atendimento usa o recurso quase como um oráculo. Antes de enviar uma dúvida técnica, o usuário entra ali e consegue resolver sem precisar interagir com mais ninguém”, explicou Nando Blum.

A lógica de aceleração operacional também impacta no desenvolvimento de produtos. Os fundadores mostraram que a própria plataforma educacional da Human foi construída em poucas semanas utilizando IA e Vibe Coding, reduzindo drasticamente um cronograma inicialmente estimado em vários meses.
Essa compressão de tempo aparece acompanhada da simplificação das interfaces de uso. A evolução reduz barreiras técnicas e aproxima profissionais criativos de atividades antes concentradas em áreas de tecnologia ou desenvolvimento. “Não existe mais aquela coisa da engenharia de prompt. Agora é uma linguagem natural. Você vai, pede alguma coisa, manda áudio, traz a referência e vai refinando”, explica Marioo.
Na visão da Human, o avanço da inteligência artificial tende a deslocar o valor profissional menos para execução mecânica e mais para capacidades humanas difíceis de automatizar, como repertório cultural, pensamento crítico, curiosidade e visão estratégica.
Os executivos defendem que o diferencial competitivo deixa de estar apenas na geração e passa a estar principalmente na escolha. “Curiosidade é a base de tudo, porque as ferramentas evoluem toda semana. O repertório continua essencial. Precisamos continuar lendo livros, vendo filmes, viajando, visitando museus. É isso que trará repertório para chegar em algo mais original”, finaliza o Diretor.
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