
A Copa do Mundo de 2026 começa no dia 11 de junho com ao menos 1,1 bilhão de espectadores globais esperados, segundo a FIFA. Para o mercado brasileiro, o torneio representa uma das maiores janelas de oportunidade do calendário comercial ,mas uma pesquisa da Similarweb em parceria com a Conversion mostra que boa parte das marcas chegará ao Mundial sem estar preparada para aproveitá-la.
Metade dos 270 profissionais ouvidos pela pesquisa entra em junho sem nenhuma estratégia definida. Entre os que relatam dificuldades, 86% apontam desafios de ordem estratégica, como criar boas narrativas, e não operacionais, como falta de recursos. A principal barreira citada é a percepção de pouca relação entre os produtos e serviços da marca e o evento em si, mencionada por 65% dos entrevistados. Outros 21% travam nas indefinições sobre qual caminho de Marketing seguir.
O desempenho da Seleção Brasileira também impacta a performance: 19% dos profissionais apontaram o risco de um desempenho ruim da equipe como o principal desafio para os planos de Marketing de suas marcas, um sinal de que a sorte do Brasil em campo ainda pesa, e muito, nas estratégias construídas fora dele.

O ceticismo, no entanto, convive com expectativas concretas de crescimento. Quase um terço dos profissionais (30%) acredita que a Copa trará impactos positivos para suas marcas, e 19% esperam que o torneio represente aumento direto nas receitas de suas empresas.
Diego Ivo, CEO da Conversion, comenta que a dificuldade de muitas marcas em potencializar seus produtos em contextos favoráveis é preocupante. No limite, qualquer negócio conseguiria planejar alguma campanha envolvendo a Copa, porque o evento afetará toda a cadeia do varejo, e o digital oferece muitas alternativas para fazer isso
As estratégias que definirão a Copa no digital
Entre as empresas que planejam usar o Mundial como plataforma de Marketing, as apostas se dividem de forma equilibrada entre dois caminhos. Um terço dos profissionais (32%) pretende investir em mídia paga, com foco em anúncios no Google, Instagram e TikTok. Outro terço (31%) priorizará SEO e conteúdo orgânico. As demais estratégias ficam muito atrás: CRM é citado por 11% dos profissionais, enquanto campanhas com influenciadores e ações de relações públicas aparecem com apenas 7%.
A disputa pela visibilidade, porém, já começou em outro ambiente. As plataformas de inteligência artificial ChatGPT, Gemini, Perplexity e AI Mode ocupam um papel central na descoberta de informação sobre o torneio, e algumas marcas já saem na frente nas respostas geradas por esses sistemas. Nomes como o Sofascore, FIFA e o YouTube lideram a visibilidade relacionada à Copa dentro dessas ferramentas. O Flashscore, ESPN, CazéTV e Globo Esporte também figuram entre as marcas mais associadas ao tema.

O comportamento de busca dos brasileiros no Google nos meses anteriores ao torneio já sinaliza como o consumo deve se comportar durante a Copa. Da lista de 150 produtos monitorados pela pesquisa, a air-fryer lidera com 650 mil buscas mensais. A televisão de 50 polegadas, historicamente associada ao evento, registra 249 mil pesquisas, seguida pelo frigobar, com 222 mil, e pela caixa de som, com 188 mil.
Um dado fora do script chama atenção: a cerveja sem álcool registra crescimento de até 179% nas buscas em comparação anual. Na categoria de cervejas convencionais, Heineken, Budweiser e Corona concentram a maior demanda no ambiente digital, com os packs de latas nos formatos 350ml e 473ml liderando as preferências. No segmento zero álcool, a Budweiser aparece como a marca líder em demanda.
A explicação para o crescimento da cerveja sem álcool pode estar na grade de jogos. Muitas partidas acontecerão em dias de semana à noite, e o Brasil pode entrar em campo em horários que exigem cautela dos torcedores.
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