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Como grandes eventos constroem comunidades que permanecem além do calendário

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Como grandes eventos constroem comunidades que permanecem além do calendário

O maior patrimônio de um evento deixou de ser a programação ou o número de participantes. Hoje, o diferencial está na capacidade de construir comunidades que continuam gerando relacionamento, negócios e influência durante todo o ano. Esse foi o principal debate do episódio do podcast Green Room, gravado durante o CMO Summit, que reuniu representantes da Gamescom Latam e do Rio2C para discutir como eventos deixam de ser encontros pontuais e passam a ocupar um espaço permanente no mercado.

O episódio foi mediado por Gabriela Ehlert, da Transformação Digital, e contou com a participação de Ana Flávia De Wit, sócia e Head de Conteúdo da Gamescom Latam, e Lolla Vasconcelos, Head de Marketing e Comunicação do Rio2C. Ao longo da conversa, as executivas compartilharam estratégias sobre construção de comunidade, curadoria, tecnologia, patrocínio e gestão de grandes eventos.

A avaliação das participantes é que a evolução dos eventos passa menos pelo crescimento de público e mais pela capacidade de manter relevância antes, durante e depois da realização, tornando-se um ponto de referência para profissionais, marcas e toda a cadeia do setor.

"No Rio2C, o ponto máximo de virada é quando você deixa de ser apenas o evento. As pessoas conseguem viver esse evento em outros momentos, não só naqueles dias específicos. A virada de chave importante é quando você está no imaginário por muito mais tempo do que apenas os dias do seu evento", contou Lolla Vasconcelos.


Comunidade se constrói quando o evento deixa de acontecer apenas na data

Na avaliação de Ana Flávia De Wit, o momento de maturidade acontece quando o mercado reconhece o evento como autoridade. No caso da Gamescom Latam, esse processo acompanha o fortalecimento do Brasil como polo de negócios para games e tecnologia, ampliando o papel do evento para além da experiência presencial.

A consolidação acontece quando o público continua conectado ao evento mesmo fora do calendário oficial.Isso significa transformar o evento em uma plataforma contínua de conteúdo, relacionamento e geração de oportunidades, fortalecendo o sentimento de pertencimento da comunidade.

"Falando um pouco sobre o nosso mercado, foi um caminho longo para que o Brasil fosse visto como um polo de negócios do ponto de vista de games e tecnologia. O ponto de virada é quando você é visto como autoridade. A partir do momento que isso acontece, você se torna um polo e uma referência para a indústria, frisou Ana Flávia.


Curadoria e escuta definem a relevância do evento

Lolla Vasconcelos defendeu que não existe um modelo pronto para construir comunidade. O ponto comum é a capacidade de ouvir constantemente a audiência e adaptar conteúdo, programação e formatos às mudanças de comportamento do público. "Se o público percebe que ele está sendo ouvido, acaba tendo mais esse senso de que esse evento é o meu evento", contou a executiva do Rio2C.

Essa escuta também orienta a curadoria. Em vez de apostar apenas em nomes conhecidos, a proposta é criar conversas inéditas, reunindo perfis que normalmente não dividiriam o mesmo palco e ampliando o potencial de aprendizado e debate.

"Quando você constrói autoridade, acolhe a comunidade e se torna um polo de referência, ela pode até perder seu principal ponto de encontro se o evento deixar de existir, mas continua gerando networking, oportunidades e relacionamento. Mais do que o evento físico, permanece a comunidade que foi construída”, completou Ana Flávia.


Tecnologia amplia conexões, mas não substitui pessoas

Aplicativos, ferramentas de matchmaking e Inteligência Artificial passaram a integrar a operação dos grandes eventos como forma de potencializar conexões, facilitar o networking e ampliar o acesso ao conteúdo. Para Ana Flávia De Wit, a tecnologia deve atuar como suporte à tomada de decisão, sem substituir a visão estratégica das equipes. 

"As ferramentas não substituem as pessoas. Uma inteligência artificial pode dar um outro ponto de vista para fomentar uma discussão interna, mas o BI é sempre o ser humano", afirmou.

Na avaliação das executivas, o principal ganho está na automação de atividades operacionais, permitindo que as equipes concentrem esforços em iniciativas de maior valor agregado, como curadoria, relacionamento com o público e desenvolvimento de experiências. O mesmo raciocínio se aplica à atuação dos patrocinadores, que deixam de ocupar apenas espaços de exposição para integrar a proposta de valor do evento e fortalecer a experiência da comunidade.

Esse alinhamento passa por integrar os objetivos das marcas ao conceito central do evento. "A gente coloca os nossos patrocinadores dentro desse tema norteador, achando um meio do caminho entre o que eles querem falar no evento e a campanha que a gente está trazendo", concluiu Lolla.

Leia também: Comunidade redefine o futuro dos eventos de Marketing e negócios


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Priscilla Oliveira

Editora

Jornalista especializada em Marketing e comunicação corporativa. Traduz temas complexos em conteúdos acessíveis e relevantes para profissionais da área.​

AUTOR

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