Durante décadas, a sidra no Brasil esteve fortemente associada às celebrações de fim de ano, ocupando um espaço limitado tanto no calendário quanto no imaginário do consumidor. Agora, a Cereser, líder da categoria e marca da CRS Brands, quer mudar essa lógica e reposicionar a sidra como uma bebida de consumo recorrente, conectada ao cotidiano, à experimentação e a novos rituais sociais.
Romper a sazonalidade, no entanto, exige uma transformação cultural profunda, que passa por três pilares: ampliação da presença ao longo do ano, diversificação de formatos e fortalecimento da comunicação.
“Historicamente, a sidra foi construída junto com os espumantes e os champanhes, associada quase exclusivamente às festas de fim de ano. Isso limitou as ocasiões de consumo e criou uma barreira cultural”, explica Bruno Cardoso de Faria, diretor comercial da CRS Brands, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Em mercados mais maduros, como Europa e Estados Unidos, a categoria segue uma lógica completamente diferente, com embalagens individuais, versões on tap e ampla presença em bares, restaurantes e eventos. Inspirada nesses modelos, a Cereser tem investido fortemente em formatos single serve, especialmente na embalagem Long Neck, vista como peça-chave para inserir a sidra em momentos hoje dominados por cervejas e RTDs.
“A Long Neck permite que a sidra saia do contexto exclusivamente comemorativo e passe a fazer parte da rotina. Mais do que uma mudança de embalagem, trata-se de uma mudança de mentalidade”, afirma o executivo.
Educação, experiência e consistência
Além da inovação em formatos, a marca aposta na educação do consumidor para construir uma identidade própria para a sidra no Brasil. Como líder da categoria, a Cereser entende que tem legitimidade para conduzir esse movimento, investindo em comunicação educativa, treinamento de equipes, presença em eventos e ações de experimentação. “O objetivo é normalizar a sidra no dia a dia, tornando-a uma escolha tão natural quanto cerveja, vinho ou RTDs”, diz o diretor.

Para isso, a estratégia passa por posicionar a bebida ao lado de categorias de consumo recorrente, ampliando a visibilidade e estimulando a experimentação em novos contextos. A inovação, por sua vez, é tratada como parte do DNA da empresa. Ao longo de quase 100 anos, a Cereser foi pioneira no lançamento de novos sabores, versões sem álcool e opções sem adição de açúcar.
Hoje, essa vocação se traduz em um portfólio mais amplo, alinhado às transformações no comportamento do consumidor, especialmente entre o público jovem adulto, que busca leveza, praticidade e novas experiências. “Esse espírito de pioneirismo segue guiando nossas decisões. A inovação, para nós, é uma evolução contínua, sempre respeitando a essência da marca: qualidade, equilíbrio e confiança. Assim, acompanhamos as transformações do mercado mantendo viva nossa identidade” afirmou Bruno.
On trade, eventos e novos rituais
Bares, restaurantes e eventos ocupam papel estratégico na construção de novos hábitos. É nesses ambientes que tendências ganham legitimidade e novos rituais se formam. Ao integrar a sidra ao cardápio, estimular a indicação pelas equipes e promover ativações, a marca amplia as ocasiões de consumo e fortalece sua presença social.

A estreia no Carnaval simboliza esse movimento: ao inserir a sidra em um dos maiores momentos de celebração do país, a Cereser busca acelerar a ressignificação da categoria. “Quando o consumidor prova a sidra em novos contextos, ele passa a enxergá-la de outra forma. A experiência é o principal motor da mudança de comportamento”, reforça.
Analisando o mercado de eventos, Bruno afirma que a experiência ainda é o principal acelerador da mudança de comportamento. “Outras categorias, como cervejas premium, RTDs e energéticos, só se consolidaram após investir fortemente em experimentação”, frisa.
Varejo como alavanca de crescimento
No varejo, a estratégia envolve construção de sortimento, ampliação do mix single serve, definição de espaços permanentes fora do Natal e posicionamento próximo a categorias de alto giro. Além disso, a marca desenvolveu calendários de ativação ao longo do ano, com campanhas, eventos locais, materiais de PDV e integração digital, garantindo visibilidade contínua.

O desempenho da estratégia é acompanhado por métricas que vão além do volume: participação fora do período natalino, distribuição ativa, presença no on trade, recompra, engajamento digital e performance por canal e ocasião fazem parte dos indicadores monitorados.
“Nosso foco é transformar a sidra em uma oportunidade permanente para o varejo e em uma escolha recorrente para o consumidor”, conclui.
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