
O uso de ferramentas de Inteligência Artificial sem aprovação das empresas já se tornou um desafio para a governança corporativa. Segundo o Relatório de Higiene Cibernética 2026, da WatchGuard Technologies, 64% dos colaboradores admitem utilizar soluções de IA não autorizadas para atividades profissionais, ampliando o chamado fenômeno da Shadow AI. O termo descreve o uso de plataformas de IA, como assistentes de texto, geração de imagens ou análise de dados, sem validação das áreas de TI ou Segurança da Informação, o que pode expor informações sensíveis e reduzir o controle das empresas sobre seus dados.
O levantamento foi realizado com 684 profissionais de pequenas e médias empresas (50 a 500 colaboradores) em oito países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Austrália e México. A pesquisa foi conduzida em abril de 2026 e todos os resultados refletem comportamentos declarados pelos próprios entrevistados.
A popularização das plataformas de IA generativa tem levado colaboradores de diversas áreas, incluindo o Marketing, a incorporarem essas ferramentas à rotina sem conhecimento das áreas de TI ou Segurança da Informação. Para a WatchGuard, esse comportamento cria uma nova camada de risco, já que informações estratégicas podem ser compartilhadas em aplicações fora do controle corporativo.
O estudo também indica que menos de 30% dos entrevistados acreditam que suas empresas mantêm um inventário preciso dos softwares utilizados pelos colaboradores. Além disso, cerca de 40% afirmam que as organizações não têm visibilidade completa sobre os aplicativos usados no ambiente de trabalho, dificultando a criação de políticas efetivas para o uso de IA.

O que é Shadow AI
A Shadow AI é considerada uma evolução do conceito de Shadow IT, quando colaboradores utilizam softwares ou serviços sem aprovação da empresa. A diferença é que, no caso da Inteligência Artificial, o risco também envolve o envio de documentos, estratégias, dados de clientes, códigos e informações confidenciais para plataformas externas, muitas vezes sem que a organização saiba como esses dados serão armazenados ou utilizados para treinamento de modelos.
Dessa forma, quando você voltar a falar dos 64%, o leitor já entenderá por que esse dado é relevante e quais são as implicações para as empresas. Essa contextualização torna a reportagem mais acessível e fortalece a conexão com o universo de Marketing, onde o uso de IA generativa já faz parte da rotina de criação de campanhas, produção de conteúdo e análise de dados.

Hábitos digitais seguem aumentando a exposição das empresas
A pesquisa mostra que os riscos não se limitam ao uso de IA. 76% dos entrevistados reutilizam a mesma senha em diferentes contas, enquanto 30% compartilham senhas com outras pessoas, práticas que aumentam o potencial de comprometimento de múltiplos sistemas em caso de vazamento de credenciais.
Outro ponto de atenção é o ambiente de acesso. 70% dos colaboradores utilizam redes Wi-Fi públicas para trabalhar e 50% acessam recursos corporativos sem proteção por VPN, ampliando os riscos de interceptação de dados, roubo de credenciais e acessos não autorizados. Além disso, 55% utilizam dispositivos corporativos para fins pessoais, aumentando a exposição a malwares e ataques de phishing.
Marketing também entra no radar da governança de IA - As equipes de Marketing utilizam plataformas de IA para criação de conteúdo, atendimento, pesquisa e produtividade, muitas vezes antes da definição de diretrizes corporativas. O resultado é um desafio que envolve governança, proteção de dados, conformidade e gestão de riscos.
A recomendação da WatchGuard é que empresas estabeleçam políticas claras para o uso de IA, adotem autenticação multifator, gestores de senhas, monitorem ferramentas não autorizadas e invistam continuamente em treinamento de colaboradores, reduzindo a distância entre inovação e segurança.
Leia também: Zoho leva debates sobre IA, CRM e vendas ao B2B Summit 2026
COMPARTILHAR ESSE POST






