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O desafio das vendas B2B: como ser encontrado pela IA antes de ser encontrado pelo cliente

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O cérebro da Lu: como Magalu Ads usa IA e se posiciona na chamada terceira onda da publicidade

Boa parte dos processos modernos de compra no B2B acontecem antes mesmo da primeira conversa entre as empresas. Isso se deve, em grande parte, à influência da IA. Utilizando a tecnologia, os compradores pesquisam produtos, comparam fornecedores, avaliam riscos e consultam recomendações, reduzindo a influência das abordagens comerciais tradicionais.

A análise norteia a palestra “The Trust Advantage: por que a confiança vence na era das vendas impulsionadas por IA”, ministrada por Sandro Carsava, Head de Sales Solutions do LinkedIn para a América Latina, no CMO Summit 2026. O tema ganha relevância com a expansão acelerada do uso da IA e suscita transformações que impactam tanto o relacionamento entre os compradores e os vendedores, quanto a complexidade dos desafios enfrentados pelas organizações ao adaptar as estratégias de vendas.

“Os compradores têm uma opinião formada sobre o produto e serviço muito antes de se relacionarem com o fornecedor. Isso funciona tanto no universo B2B como no universo B2C. Um dado interessante da Forrester mostra que 67% desse processo acontece antes do comprador falar com o vendedor, porque ele já está pesquisando, está entendendo o que o produto pode fazer em relação ao problema que ele possui”, afirma o executivo.


Isso não significa que o fator humano perdeu importância. Para Carsava, o que acontece justamente é justamente o contrário: à medida que a tecnologia assume mais atividades operacionais e amplia o acesso à informação, a confiança passa a ocupar um papel ainda mais decisivo para a conclusão dos negócios.

Como os compradores usam as informações

A principal mudança identificada pelo LinkedIn está na forma como os compradores constroem as decisões. O acesso a grandes volumes de informação e a popularização das ferramentas de inteligência artificial reduziram a dependência dos consumidores em relação aos vendedores durante as etapas iniciais da jornada.

O comprador contemporâneo chega à negociação com uma visão muito mais clara sobre seus problemas, necessidades e possíveis soluções disponíveis no mercado. As empresas, por sua vez, precisam garantir que os produtos, serviços e conteúdos estejam acessíveis às ferramentas de busca e aos sistemas de inteligência artificial que participam dessa etapa de descoberta.

“Hoje, precisamos estar muito preparados para ser encontrados pela inteligência artificial. Porque, se o produto ou serviço não é encontrado pelo algoritmo durante o processo de busca, você basicamente não existe. O comprador fará dois terços do processo de compra sem conversar com você”, alerta Carsava.


Mudanças nos hábitos dos compradores confirmam a teoria. 45% dos entrevistados em uma pesquisa realizada pelo LinkedIn em parceria com a Ipsos em sete países afirmam utilizar a inteligência artificial para pesquisar soluções de maneira mais eficiente. Outros 42% recorrem à tecnologia para analisar e comparar propostas, enquanto a ferramenta também é utilizada para identificar riscos, oportunidades e tendências de mercado.

A era do diferencial humano

Em vez de enxergar a inteligência artificial como uma ameaça ao trabalho dos vendedores, Carsava defende que a tecnologia inaugura aquilo que chama de “nova era do diferencial humano”. A comparação utilizada pelo executivo remete à evolução da computação em nuvem. À priori, a tecnologia representava um diferencial competitivo. Com o passar dos anos, tornou-se um requisito básico para operar.

“Chegará um momento em que a inteligência artificial estará inserida no nosso dia a dia, de tal forma, assim como a nuvem é inserida hoje. Ela deixará de ser um diferenciador e passará a ser uma commodity. O que diferenciará qualquer tipo de relacionamento de compra e vendas é o ser humano. É o indivíduo que pode oferecer o olho no olho, que pode ser um canal direto para a resolução de dúvidas. Isso traz valor para o relacionamento”, antevê o executivo.


A avaliação encontra respaldo em outra pesquisa compartilhada pelo LinkedIn. Segundo os dados apresentados, 86% dos compradores valorizam o envolvimento humano durante a etapa intermediária da jornada de compra — justamente o momento em que as alternativas já foram analisadas e a decisão final precisa ser tomada.

“Um consumidor consegue reunir sozinho praticamente todas as informações técnicas necessárias para decidir qual carro comprar. Ainda assim, a interação humana exerce influência decisiva. É o momento onde o vendedor vai trazer informações extras até então desconhecidas, é onde ele vai trazer relevância para o processo. E, principalmente, ele será o responsável por trazer a confiança de que, se o cliente levar aquele carro, aquela marca, terá o atendimento devido e esperado”, compara.

Vendas deixam de ser sobre preço

A lógica das negociações também está mudando. Afinal, se o comprador chega ao final da jornada sabendo de quase tudo por conta própria, o preço deixa de ser o único fator determinante para o fechamento dos contratos. Para Carsava, a confiança, construída por meio de conhecimento, relacionamento e credibilidade, é o que passa a exercer papel central na decisão.

Pensando nisso, os vendedores precisam assumir uma postura mais consultiva, baseada em conhecimento de mercado e capacidade de interpretar os desafios dos clientes. “É preciso deixar de ser o vendedor que é o ‘tirador de pedido’ e ser o vendedor que gera confiança e carrega o relacionamento com a expertise da indústria, dominando aquilo que aprendeu”, afirma Carsava.


As recomendações também ganham peso crescente nesse cenário. Segundo dados apresentados pelo LinkedIn, indicações feitas por clientes e pares influenciam entre três e quatro vezes mais o processo de compra, reforçando a importância da reputação e das provas sociais na construção da confiança.

Diante disso, as empresas precisam combinar inteligência artificial, dados e relacionamento humano para construir o novo modelo comercial. A tecnologia será responsável por acelerar processos, ampliar a capacidade analítica e facilitar a personalização. A expertise continuará diferenciando profissionais e organizações. A confiança, porém, permanecerá como o elemento capaz de transformar a intenção em negócio fechado.

“Eu sempre recebo a pergunta: a inteligência artificial substituirá o vendedor? E a minha resposta é: vai. Ela substituirá o vendedor despreparado. O vendedor que não está pronto para criar o relacionamento que ele precisa criar com o comprador”, finaliza Carsava.

B2B em foco

O debate sobre como tornar o Marketing B2B mais estratégico, criativo e conectado aos resultados do negócio não termina no CMO Summit. Nos dias 12 e 13 de agosto, o B2B Summit 2026 reunirá algumas das principais lideranças do setor para aprofundar temas como ABM, branding, geração de demanda, vendas, receita e transformação digital. 

Com uma programação voltada para executivos de Marketing, comercial, RevOps e liderança empresarial, o encontro surge como uma oportunidade para profissionais que desejam acompanhar as mudanças que estão redesenhando o mercado B2B. 

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Leia também: Sodexo aposta em experiência e mira quadruplicar operação até 2035



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Ian Cândido

Repórter

AUTOR

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