
O Marketing assumiu um papel estratégico dentro das empresas. Hoje, a área impacta mais de 38 frentes diferentes em uma única organização e exige uma mudança concreta no perfil das lideranças de Marketing. Além de dominar branding e comunicação, os executivos passaram a participar de decisões ligadas a crescimento, receita, experiência do consumidor, canais de distribuição e inteligência de dados.
Em entrevista ao podcast Comunicação É Tudo, Bruno Mello, fundador e editor executivo do Mundo do Marketing, abordou o tema. "O profissional que antes olhava apenas para a comunicação agora precisa analisar preço, distribuição, experiência do cliente e métricas de desempenho, sempre orientado por dados", afirma.

O novo perfil do CMO
Mello avalia que o mercado passou a exigir dos profissionais competências muito além da criatividade. Capacidade analítica, interpretação de indicadores e leitura do ambiente de negócios se tornaram habilidades centrais para quem ocupa posições de liderança – um deslocamento de perfil que se aproxima do próprio raciocínio jornalístico: apurar, verificar e só então decidir.
Essa transformação também alterou a forma como as empresas produzem e distribuem conteúdo. Se antes dependiam quase exclusivamente da imprensa e da publicidade para construir relacionamento com o público, hoje operam canais próprios, dialogam diretamente com o consumidor e precisam medir continuamente o impacto dessas iniciativas, na prática, passaram a funcionar como veículos de mídia.
Em um editorial escrito em abril, Mello escreveu que a profissão ficou maior, mais densa, mais cobrada e, paradoxalmente, mais valiosa. Quem entendeu isso já não compete mais com o colega da mesa ao lado, mas com a possibilidade de não estar à altura do que o negócio precisa.

Reputação como ativo estratégico
Outro ponto destacado por Mello é o papel crescente da reputação nas estratégias de Marketing. Em um ambiente de produção constante de conteúdo e exposição permanente das marcas, construir autoridade depende cada vez menos de ações pontuais e mais de consistência ao longo do tempo. Comunicação, relações públicas e dados passam a operar de forma integrada, e não mais como frentes isoladas.
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