
O avanço dos canais digitais tornou a contratação de crédito mais rápida, mas não eliminou um fator que permanece central para o setor financeiro: a confiança. Em operações que envolvem empresas, trabalhadores e instituições de crédito, a transparência na relação com o cliente continua determinante para transformar tecnologia em resultado.
O contexto ganha uma dimensão adicional quando o crédito é oferecido dentro das empresas. O chamado Crédito Direto ao Trabalhador (CDT) coloca organizações e trabalhadores em uma mesma jornada, com necessidades diferentes, e exige que a concessão do recurso seja acompanhada por orientação financeira.
O tema foi discutido por Cláudio Roberto Alves, diretor da Gooroo Crédito, em um episódio do Podcast Mundo do Marketing gravado ao vivo durante o Cortex Summit 2026, em São Paulo. Em mais de 30 anos de atuação no setor, sendo 20 deles concentrados no mercado financeiro, Alves identifica a confiança como o elemento que atravessa as transformações de preço, operações e tecnologia.
“Muitos apontariam preço, operações e tecnologia como as grandes mudanças. Na minha visão, porém, o que prevalece tanto no B2B quanto no B2C é a confiança. É ela que alavanca o crédito no Brasil e também viabiliza boas parcerias”, disse o executivo.

Confiança acompanha a escala digital
A digitalização ampliou a velocidade de entrega e modificou a forma como o crédito chega ao consumidor. Para Alves, porém, a escala dos canais não substitui a necessidade de construir uma relação confiável. A operação precisa demonstrar ao cliente que existe transparência e que o produto entregue produz um resultado concreto.
“Com a escala digital, a velocidade de entrega está se tornando indiscutível. Mas, quando colocamos a confiança como pilar, uma operação orientada a resultados, que demonstra ao cliente final que é confiável e transparente, produzimos um resultado consistente, independentemente do canal utilizado ou daquele que se pretende atrair”, ponderou Alves.
Esse princípio também orienta a forma como a empresa enxerga parcerias. Em vez de tratar a colaboração entre companhias apenas como uma relação comercial, a proposta apresentada pelo executivo parte de um resultado compartilhado e chega ao consumidor final. A lógica vale para relações B2B e também para modelos B2B2C.
Na prática, o objetivo passa pela entrega de valor que ultrapasse o dinheiro disponibilizado. Alves associa o crédito a mudanças nos hábitos e na situação financeira do trabalhador, incluindo efeitos sobre a dimensão psicológica. O cenário é especialmente relevante em grandes empresas, onde, segundo ele, há funcionários altamente endividados.

Crédito responsável entra na agenda corporativa
O desafio aumenta porque o produto envolve dois públicos com necessidades distintas: a empresa, representada também pelo RH, e o trabalhador que efetivamente contrata o crédito. A operação precisa, portanto, fazer sentido para os dois lados. Para o executivo, a educação financeira é parte dessa equação, já que o crédito pode ser utilizado como instrumento de reorganização da vida financeira quando acompanhado de orientação adequada.
“Crédito não foi criado simplesmente para endividar o funcionário. Ao contrário: com uma educação financeira bem administrada e bem assistida, é possível ter um trabalhador com saúde mental, física e financeira. Isso funciona bem tanto para a empresa quanto para o funcionário”, frisou Alves.

A atuação sobre essa jornada depende ainda da integração entre diferentes áreas. Marketing, dados e as demais equipes envolvidas no serviço participam do processo desde o início até a entrega do produto. O objetivo é utilizar as informações disponíveis para entender melhor o cliente e aprimorar a experiência de contratação.
No caso da Gooroo Crédito, o produto citado na conversa é o CDT. A inteligência de dados aparece como parte dessa estrutura, enquanto a Inteligência Artificial é apresentada como uma tecnologia capaz de ampliar as possibilidades do mercado. Para Alves, a evolução precisa ocorrer sem transformar o crédito em um vetor de endividamento prejudicial.
“Com a Inteligência Artificial, teremos meios para que as pessoas, independentemente da classe social ou de onde estejam no país, utilizem a tecnologia de maneira clara e objetiva, trazendo resultados que ainda nem imaginamos. Tenho certeza de que o mercado terá uma evolução indiscutível e, principalmente, com saúde, sem que o crédito seja prejudicial em termos de endividamento”, finalizou.
Leia também: Marketing assume papel central na criação de categorias desconhecidas no mercado
COMPARTILHAR ESSE POST










