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Como as feiras de negócios estão redefinindo a conexão 365 dias por ano

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Reportagens

Como as feiras de negócios estão redefinindo a conexão 365 dias por ano

O ecossistema de feiras de negócios no Brasil atravessa uma transformação profunda. Tradicionalmente vistas apenas como organizadoras de encontros presenciais de poucos dias, as empresas do setor estão abandonando esse modelo estático para se posicionarem como potentes veículos de mídia, comunidades especializadas e hubs de tecnologia. 

Essa mudança de paradigma busca garantir que a autoridade da marca e a conexão com a audiência sejam mantidas de forma contínua ao longo de todo o ano. Para líderes do setor, essa evolução é estratégica para a sobrevivência em um mercado que exige relevância constante. 

"A visão da diretoria sempre foi: nós precisamos nos enxergar primeiro como comunidade e como mídia, antes mesmo de nos definirmos como organizadores de feira, né? Acho que a gente nunca se definiu como organizador de feira, sempre de comunidade e mídia", contou Deborah Huff, gerente de marketing da Beauty Fair, no podcast Green Room, gravado no CMO Summit 2026.

Essa abordagem de "estratégia 365 dias" não apenas mantém o público aquecido por meio de portais de conteúdo e newsletters segmentadas, mas também eleva a percepção de valor dos eventos. Ao atuar como curadoras de informação, as promotoras superam as lacunas da mídia tradicional, transformando-se na fonte primária de conhecimento e inovação para nichos específicos de mercado, um movimento consolidado especialmente no período pós-pandemia.


O poder dos dados proprietários como vantagem competitiva

O grande diferencial competitivo das promotoras modernas reside na capacidade de manipular e interpretar o first-party data. Ao monitorar profundamente o comportamento, os interesses e as jornadas de navegação da audiência, essas empresas conseguem entregar uma precisão na segmentação de leads que raramente é alcançada por plataformas de mídia convencionais, transformando o estande em uma verdadeira plataforma de negócios de alta conversão.

Fernanda Sabino, Head de Marketing da Francal, destacou como essa inteligência altera a relação com o expositor, fazendo a empresa avançar para um território novo. “Nós estamos trabalhando dados proprietários, ou seja, a cada ano aquilo é renovado, porque a cada nova edição de uma feira você faz uma renovação da sua audiência e entendemos que quando a trabalhamos o pré evento e depois o pós, isso depois se transforma em um pré de novo. Porque geramos conteúdo, mas principalmente usando esses dados first party para gerar valor pro nosso cliente", contou Sabino.

Ao dominar a narrativa e possuir a inteligência de quem realmente toma a decisão de compra, as organizadoras conseguem entregar ao expositor não apenas volume de visitantes, mas a pessoa certa no momento ideal. Essa qualificação extrema, que cruza dados comportamentais com intenção de compra, redefine o ROI (Retorno sobre Investimento) das feiras, provando que o sucesso de um evento está cada vez menos ligado à quantidade de pessoas e cada vez mais à qualidade da rede de contatos estabelecida.


O Papel da Comunidade e a Nova Jornada do Expositor

Além das organizadoras, quem utiliza os eventos como parte de sua estratégia comercial também tem redefinido sua atuação. Para empresas como a Nuvemshop, o evento presencial não é apenas um espaço de exposição, mas um ambiente de construção de comunidade. O foco sai do "estande centrado na marca" para a entrega de conteúdo que ajuda o cliente em seu dia a dia, acelerando o funil de vendas antes mesmo do primeiro contato comercial, uma vez que a decisão de compra B2B costuma ser estruturada muito antes da visita ao pavilhão.

Thiago Rocha, Diretor de Growth da Nuvemshop, pontua a importância dessa visão estratégica: "O entendimento é que se a tomada de decisão de um funil de vendas já é feita quando chega pro vendedor em 80% das vezes ela já tá tomada, eu tenho que influenciar; toda empresa deveria ser um veículo de mídia e daí você pode construir esse veículo de mídia em n formatos, mas você precisa estar no presencial, que é onde você constrói essa comunidade", frisou.


Para grandes players como a RX (Reed Exhibitions), o desafio reside em equilibrar a escala com a especialização, respeitando a natureza de cada setor. Lucas Pimentel, Diretor de Marketing da RX, reforça: "A pandemia veio para reforçar que os eventos continuarão tendo valor por serem presenciais; não quer dizer que o digital não exista, mas tem algumas experiências que jamais serão digitalizadas. Nosso papel como feira é tentar entender cada vez mais com mais dados quem é o meu público, seja ele visitante, seja ele expositor, e como é que eu entrego para ele o que ele espera do evento", avaliou.

O mercado de eventos vive uma transição onde a inteligência de dados e a geração de conteúdo contínuo tornaram-se os pilares fundamentais para a sobrevivência e crescimento. O sucesso da próxima edição de uma feira não se mede apenas pelo movimento nos corredores, mas pela capacidade da promotora em facilitar uma jornada onde o expositor encontra, de fato, o decisor que precisa. 

“Quando você faz um trabalho de mídia B2B, você está impactando um CPF por trás de um CNPJ. Você está dizendo para esse decisor que, na sua feira de negócios, tem um expositor que tem a solução que ele precisa. É aí que muda o jogo, porque se o expositor contratar uma mídia tradicional, ele não vai ter tanta assertividade nessa segmentação. É aí que mora o valor dos eventos de negócios serem plataformas de mídia e de negócio”, pontuou Fernanda Sabino.

Confira o episódio na íntegra no Green Room.

Leia também: Branding em eventos exige utilidade, coerência e experiência para construir marcas duradouras


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Priscilla Oliveira

Editora

Jornalista especializada em Marketing e comunicação corporativa. Traduz temas complexos em conteúdos acessíveis e relevantes para profissionais da área.​

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