
O mercado fitness mantém ritmo de expansão mesmo diante do aumento da concorrência e dos custos para conquistar novos clientes. 86% dos donos de academias e estúdios ampliaram a base de alunos neste ano, enquanto 56% registraram melhora na margem de lucro, mostram dados do Relatório do Crescimento do Mercado Fitness 2026, do Wellhub.
A pesquisa ouviu 662 proprietários de academias e estúdios em 11 países, por meio de uma empresa independente. Entre os entrevistados, 40% afirmam que as receitas crescem atualmente em ritmo superior aos custos. Outros 23% dizem que os dois avançam na mesma velocidade, enquanto 37% relatam que as despesas aumentam mais rapidamente que as receitas.
O avanço ocorre em um ambiente de competição mais intensa. Para 95% dos proprietários, a concorrência aumentou nos últimos três anos. Ainda assim, 40% planejam abrir novas unidades nos próximos 12 meses, indicando que parte dos operadores continua enxergando espaço para expansão mesmo diante de uma estrutura de custos mais pressionada.

Preço ganha peso, mas não é o único fator de valor
A maior sensibilidade dos consumidores ao preço também aparece entre as principais mudanças percebidas pelos operadores. Para 86% dos proprietários, os alunos estão mais atentos aos valores cobrados neste ano. A resposta do mercado, porém, não se concentra apenas em mensalidades menores.
Entre as demandas mais frequentes dos alunos estão contratos mais flexíveis ou de menor duração, citados por 66% dos entrevistados. Em seguida aparecem melhores opções digitais ou híbridas, com 65%, e serviços de recuperação pós-treino, com 48%. A redução de preços aparece em quarto lugar, mencionada por 46%.
Os dados indicam uma mudança na percepção de valor da oferta fitness, que passa a envolver também flexibilidade, variedade de serviços e diferentes possibilidades de experiência. Para os operadores, isso amplia as alternativas de diferenciação em um mercado no qual competir exclusivamente por preço pode significar maior pressão sobre as margens.

Tecnologia entra na estratégia de aquisição
A conquista de novos alunos também se tornou mais cara. O aumento do custo de aquisição de clientes é apontado por 82% dos proprietários ouvidos na pesquisa. Ao mesmo tempo, apenas 6% contam com uma equipe dedicada de marketing ou com o suporte de uma agência.
Na prática, o esforço de aquisição acaba recaindo sobre os próprios operadores. O levantamento mostra que 87% dedicam até metade da semana de trabalho pessoalmente a atividades relacionadas a Marketing e conquista de alunos.
A tecnologia aparece como uma ferramenta para ampliar a capacidade de crescimento sem elevar os recursos na mesma proporção. Nos últimos 12 meses, 65% dos entrevistados investiram em novas tecnologias, incluindo plataformas de CRM, sistemas de agendamento, automação e ferramentas de inteligência artificial.
A IA também começa a ocupar espaço nas expectativas para o futuro próximo. Para 52% dos operadores, a tecnologia será essencial para competir pela atenção dos alunos nos próximos 12 meses.

Capacidade ociosa abre espaço para novas receitas
Além da aquisição de clientes, outra frente de crescimento está dentro das próprias instalações. O levantamento mostra que 85% dos proprietários têm pelo menos um quarto de seus estabelecimentos sem utilização nos horários de menor movimento. Apenas 20%, entretanto, afirmam possuir uma estratégia estruturada para transformar essa capacidade ociosa em receita.
As parcerias com plataformas de bem-estar corporativo aparecem nesse contexto como uma alternativa de ocupação e aquisição. Entre os operadores que trabalham com esse tipo de plataforma, 76% afirmam que a receita gerada pelo canal representa uma fonte adicional, em vez de substituir a receita de alunos que já frequentavam os estabelecimentos.
A percepção sobre esse modelo também mudou ao longo do tempo. No total, 97% dos entrevistados afirmam que a visão sobre as parcerias com plataformas de bem-estar corporativo melhorou ou permaneceu inalterada. Dentro desse grupo, 59% dizem ter uma percepção mais favorável do que tinham há dois anos.
Dados do próprio Wellhub indicam ainda que 90% dos usuários da plataforma que frequentam academias parceiras são pessoas novas ou reativadas nesses estabelecimentos. O número aponta para a possibilidade de ampliar a base de consumidores por meio de um canal diferente dos formatos tradicionais de aquisição.

Parceiros do Wellhub registram diferenças nos indicadores
A pesquisa também compara operadores que trabalham com plataformas de bem-estar corporativo e aqueles que não possuem esse tipo de parceria. Entre os parceiros do Wellhub, 96% aumentaram a base de alunos neste ano. Entre os operadores sem parceria com uma plataforma de bem-estar corporativo, o percentual foi de 80%.
A diferença também aparece na utilização da estrutura física. Enquanto 30% dos operadores sem parceria afirmam que mais da metade da capacidade das instalações fica ociosa nos horários de menor movimento, o percentual cai para 5% entre os parceiros do Wellhub.
Os números, no entanto, representam diferenças observadas entre os grupos e não uma relação de causa e efeito. A própria metodologia ressalta que os operadores escolhem se desejam estabelecer uma parceria e que ser ou não parceiro do Wellhub não foi utilizado como critério de seleção dos participantes.
Uma segunda pesquisa, realizada separadamente pela EY-Parthenon a pedido do Wellhub, analisou 813 unidades de academias no Brasil. O estudo identificou crescimento médio de 32% no EBITDA das unidades parceiras da plataforma, acompanhado de uma melhora de 3,3 pontos percentuais na margem operacional.
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