
Permanecer ativo depois dos 40 é um objetivo comum a muitos brasileiros. À medida que o envelhecimento avança, a atividade física ganha um papel cada vez mais ligado à preservação da saúde, à mobilidade autônoma e à qualidade de vida.
A caminhada se consolida como a principal modalidade entre os mais velhos. A modalidade é praticada por 56% das pessoas de 40 a 49 anos, índice que sobe para 72% entre aqueles de 50 a 59 anos e alcança 74% após os 60 anos. O comportamento foi identificado no estudo "40+: Poder, consumo e novos significados", desenvolvido pela MindMiners.
A corrida segue uma trajetória distinta. Presente na rotina de 17% dos entrevistados entre 40 e 49 anos, a modalidade perde espaço na década seguinte, quando é praticada por apenas 7%, mas volta a crescer entre os participantes com mais de 60 anos, chegando a 11%. A musculação (33%), o ciclismo (10%) e a natação (8%) também entram no top 5 da rotina dos maiores de 40 anos.

Um aliado do bem-estar
Oito em cada dez entrevistados relatam algum nível de estresse no cotidiano. Para ele, movimentar o corpo é um recurso para o equilíbrio emocional diário. Este público valoriza as modalidades que oferecem benefícios duradouros, com menor impacto sobre o corpo e foco na funcionalidade.
Rosana Camilotti, Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, comenta que o consumidor maduro não quer necessariamente performar melhor. Ele quer continuar funcionando bem. É uma mudança importante porque redefine a forma como marcas de saúde, academias e até aplicativos precisam conversar com esse público.

A mudança não se limita aos exercícios físicos e acompanha a revisão das prioridades dos brasileiros maduros. Eles passam a privilegiar os hábitos sustentáveis e as escolhas capazes de garantir o bem-estar ao longo dos anos. O conceito de healthspan, que propõe a ampliação do período vivido com independência, saúde e qualidade, ganha força.
Mercado fitness precisará adaptar estratégias
A chamada economia da longevidade deverá ganhar peso crescente nos próximos anos. Os consumidores com mais de 50 anos responderão por 48% da expansão do consumo global. A preferência por soluções mais simples e funcionais influencia outras decisões de consumo. Entre os entrevistados acima dos 40 anos cresce a valorização de produtos, serviços e experiências que reduzam os atritos e facilitem a rotina.
As empresas de saúde e academias devem revisar a forma de comunicar os produtos. As estratégias centradas em desafios extremos, transformação corporal ou performance máxima passam a disputar espaço com propostas voltadas para mobilidade, recuperação física, prevenção, constância e longevidade.

Rosana adverte que muitas marcas ainda tratam atividade física a partir de uma lógica de performance extrema, quando boa parte dos consumidores maduros está buscando continuidade. As empresas precisam entender que envelhecer bem significa manter a autonomia, energia e qualidade de vida, e não necessariamente bater recordes.
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