O varejo segue como um dos setores mais dinâmicos e competitivos da economia global, atravessando ciclos sucessivos de transformação impulsionados pela digitalização e, mais recentemente, pela intensificação do uso de inteligência artificial por empresas e consumidores.
Até o fim de 2026, 40% das aplicações corporativas deverão estar integradas a agentes de IA programados para executar tarefas específicas, um avanço significativo frente aos menos de 5% observados atualmente, conforme aponta um estudo da Gartner.
O mesmo levantamento estima que, até 2035, esses agentes poderão responder por cerca de 30% da receita de softwares de aplicativos corporativos, superando US$ 450 bilhões, além de redefinir dinâmicas de trabalho a partir de interações mais eficientes entre humanos e sistemas automatizados.
Nesse contexto, a incorporação dessas tecnologias ao varejo tende a exigir uma postura menos reativa ao entusiasmo do mercado e mais orientada por estratégia e maturidade organizacional. Veja, abaixo, cinco maneiras como superagentes de IA podem revolucionar o varejo em 2026.
Resiliência operacional para continuidade do e-commerce
No comércio eletrônico, a aplicação de superagentes de IA surge como um dos principais mecanismos de proteção contra disrupções operacionais. Essas arquiteturas permitem manter integrações ativas mesmo diante de falhas na infraestrutura, reduzindo impactos diretos na experiência do consumidor.
Em situações de instabilidade, por exemplo, um agente pode receber e armazenar pedidos para processamento assíncrono, evitando que o consumidor seja impedido de concluir a compra e minimizando perdas para o varejista.
Análise sentimental do cliente para novas ações
A análise sentimental desponta como uma das áreas em que os superagentes devem gerar ganhos mais relevantes, ao aprofundar a leitura sobre a percepção do consumidor. Dados do estudo “Future of Customer Experience”, da PwC, indicam que 86% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por uma boa experiência.
Ainda assim, uma pesquisa da Zendesk aponta que apenas um em cada 26 clientes insatisfeitos formaliza uma reclamação, enquanto a maioria opta por abandonar a empresa. A partir do histórico de interações e compras, os superagentes de IA conseguem realizar análises consolidadas e apresentá-las de forma visual, oferecendo à gestão uma visão mais clara sobre como a base de clientes percebe a marca e seus produtos.

Gestão dinâmica de preços e competitividade
Os superagentes também ampliam a capacidade do varejo de gerenciar preços de forma mais precisa e competitiva, a partir do monitoramento contínuo do mercado em tempo real. O avanço da IA tem impulsionado modelos de precificação dinâmica, já consolidados em setores como mobilidade, nos quais os preços variam conforme demanda e concorrência.
No varejo, essa lógica permite que agentes de pricing acompanhem movimentos do mercado e indiquem ajustes necessários, dispensando o monitoramento manual. Essa atuação automatizada garante maior velocidade de resposta, ao mesmo tempo em que possibilita a definição de limites estratégicos para preservar margens e competitividade.
“Quick wins” com a arquitetura dos superagentes
O potencial de adoção da IA no setor de consumo e varejo tende a se intensificar nos próximos anos. De acordo com o “KPMG Global AI in Finance Report”, o uso dessas tecnologias deve crescer de 33% para 85% até 2027, um avanço de 150%. Esse contexto abre espaço para a implementação de superagentes voltados à geração de resultados rápidos, conhecidos como “quick wins”.
A estratégia consiste em direcionar essas soluções para áreas onde pequenos ajustes podem gerar impactos imediatos na operação, reduzindo a dependência de projetos longos e complexos.
Segurança e ISO
Para explorar plenamente o potencial dos superagentes em 2026, o varejo também precisa priorizar a modernização tecnológica e o fortalecimento da segurança da informação. A ausência de sistemas atualizados representa um risco significativo para a proteção de dados, enquanto certificações como a ISO 42001 oferecem diretrizes para a criação e a gestão segura de agentes de IA.
Mesmo com arquiteturas sofisticadas, a supervisão humana continua sendo indispensável para validar respostas e evitar falhas. Ao combinar eficiência operacional, integração tecnológica e governança robusta, o varejo estará mais preparado para utilizar os superagentes não como uma tendência passageira, mas como um motor consistente de transformação e geração de valor.
Leia também: Da automação à hiperpersonalização: o impacto real da IA no Marketing
COMPARTILHAR ESSE POST







