
O Brasil apresenta uma dinâmica singular na forma como empresas se relacionam com consumidores. Dados da nova pesquisa “Panorama do Go-to-Market no Brasil, da Hubspot mostram que o WhatsApp concentra, simultaneamente, funções de Marketing, vendas e atendimento, algo que não se repete em outros mercados relevantes.
A centralização do canal ajuda a explicar ganhos de agilidade na comunicação, mas também escancara a sobrecarga de um único ponto de contato em um ambiente onde os dados ainda não circulam de forma integrada. Esse comportamento contrasta com o modelo observado em outras regiões, onde a jornada é distribuída entre diferentes canais, de acordo com cada etapa.
No Brasil, a unificação simplifica a experiência do usuário, mas aumenta a dependência de um ecossistema que nem sempre está conectado aos demais sistemas das empresas. Esse cenário se torna mais crítico quando cruzado com outro dado relevante: 31,9% dos profissionais admitem perder oportunidades de negócio por falta de integração de dados. Ou seja, mesmo com contato direto e frequente com o cliente, as empresas não conseguem transformar essa proximidade em inteligência aplicada à decisão.
O problema se intensifica com o avanço da inteligência artificial. Embora 86% dos profissionais planejem ampliar os investimentos na tecnologia, apenas 7,8% afirmam ter uma integração consistente nos processos. Na prática, isso indica que a IA vem sendo incorporada sobre bases ainda frágeis.

Metade das equipes opera com dados fragmentados entre plataformas que não se comunicam. Esse descompasso compromete a eficiência das ferramentas e limita o potencial de automação e personalização, já que sistemas inteligentes dependem de contexto para gerar valor.
A consequência direta é um ambiente em que investimento cresce mais rápido do que resultado. Sem integração, a tecnologia deixa de atuar como vetor de eficiência e passa a reproduzir inconsistências já existentes na operação.
Esse cenário também se reflete na percepção interna das empresas. Enquanto 69% dos profissionais acreditam que há colaboração entre as áreas, os dados mostram que essa integração não se sustenta no nível estrutural. A comunicação acontece entre pessoas, mas não entre sistemas.

Outro movimento relevante aparece no campo da visibilidade digital. Hoje, 57% dos profissionais já atuam para posicionar suas marcas em plataformas de resposta baseadas em IA. Ainda assim, a maioria opera sem ferramentas específicas para monitorar presença nesses ambientes, o que indica uma atuação ainda pouco estruturada diante de uma mudança relevante na jornada de busca.
Os dados apontam para um cenário claro: o desafio deixou de ser acesso à tecnologia e passou a ser organização da informação. Em um mercado onde o principal canal já concentra toda a jornada, a vantagem competitiva tende a migrar para quem conseguir conectar dados, e não apenas ampliar pontos de contato.
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