
A The Macallan lançou no Brasil a edição limitada Diamonds Are Forever 55th Anniversary Release, um single malt criado para homenagear o clássico filme de James Bond, transformando o produto em um ativo cultural capaz de gerar valor simbólico, engajamento emocional e diferenciação competitiva. A iniciativa traduz como marcas de luxo vêm reposicionando o Marketing além da comunicação tradicional, apostando em narrativas, colaborações culturais e experiências sensoriais como alavancas centrais de crescimento.
Esse movimento acontece em um contexto altamente favorável. Segundo dados da Euromonitor International e da IWSR Drinks Market Analysis, o mercado brasileiro de whisky premium e super premium cresce em ritmo superior ao da categoria como um todo, impulsionado pela premiumização do consumo, pela maior sofisticação do paladar e pelo aumento da busca por experiências exclusivas.
Além disso, o segmento premium cresce a taxas anuais próximas de dois dígitos no país, refletindo uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que passa a valorizar história, origem, artesania e autenticidade.
“Colaborações como a parceria com James Bond vão muito além de uma ação de visibilidade, elas funcionam como plataformas culturais de significado. Quando The Macallan se associa a um ícone como 007, não estamos apenas conectando marcas, mas valores compartilhados: excelência artesanal, sofisticação atemporal, precisão, coragem e um certo espírito de elegância silenciosa”, afirma Gianpaolo Morselli, embaixador da marca no Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O novo estágio do consumo de whisky no Brasil
O mercado brasileiro de bebidas alcoólicas vive um processo claro de amadurecimento, especialmente nas categorias premium. De acordo com levantamentos da NielsenIQ e da Euromonitor, cresce de forma consistente a participação de produtos de maior valor agregado no mix de vendas, com destaque para whiskies single malt, rótulos de edição limitada e destilados envelhecidos em barris especiais.
Esse avanço está diretamente ligado à mudança no perfil do consumidor, que se mostra mais informado, exigente e disposto a investir em experiências sensoriais e culturais completas. A The Macallan posiciona seu portfólio como uma resposta natural a esse novo comportamento.
A marca aposta na combinação entre domínio técnico, seleção rigorosa de barris, herança escocesa e narrativas sofisticadas para atender um público que busca não apenas consumir, mas compreender e vivenciar o produto. “O Brasil já não é apenas um mercado de volume, mas um mercado de valor, onde cresce a busca por single malts, edições limitadas e expressões que carregam um forte componente de maestria, herança e raridade”, explica Morselli.

“A premiumização não está relacionada apenas ao valor do produto, mas sobretudo a uma mudança de comportamento: o consumidor brasileiro está mais curioso, mais informado e mais disposto a investir em experiências autênticas, com propósito, história e excelência”, destaca o executivo.
Storytelling e construção cultural como diferencial competitivo
Em um ambiente de hiperconcorrência por atenção, o storytelling se consolida como um dos principais ativos estratégicos das marcas de luxo. Mais do que comunicar atributos funcionais, torna-se essencial construir narrativas capazes de gerar identificação, pertencimento e desejo. Esse processo está diretamente conectado à tradução contemporânea de seus pilares históricos, como artesania, precisão e respeito ao tempo.
Segundo dados da Kantar, marcas que investem em construção de significado cultural conseguem ampliar em até 30% os índices de lembrança espontânea e consideração, além de fortalecer vínculos emocionais duradouros. No segmento premium, esse impacto é ainda mais relevante, já que a decisão de compra é fortemente influenciada por valores simbólicos e status aspiracional.
Quando esse legado é traduzido em narrativas consistentes, cria-se uma conexão emocional profunda com o consumidor brasileiro, que valoriza autenticidade, símbolos de conquista e experiências com significado. “O verdadeiro diferencial de uma marca de luxo não está apenas no produto, mas na história que ela é capaz de contar e, sobretudo, na cultura que ela constrói ao redor desse produto”, afirma Morselli.

Collabs culturais: quando produto vira plataforma de engajamento
A parceria com James Bond exemplifica como colaborações culturais podem atuar como catalisadoras de relevância, desejo e conexão emocional. Ao se associar a um dos personagens mais icônicos da história do cinema, a The Macallan amplia seu território simbólico e reforça atributos como sofisticação, elegância, mistério e precisão.
As colaborações entre marcas premium e plataformas culturais elevam em até 45% o engajamento nas redes sociais e geram picos significativos de busca orgânica, além de impulsionar vendas em canais especializados, segundo dados da Accenture Song. Mais do que uma ação pontual, essas collabs funcionam como estratégias estruturais de posicionamento.
“Essas colaborações ampliam relevância porque inserem a marca em um território narrativo já carregado de emoção e memória afetiva. James Bond atravessa gerações, culturas e estilos de vida. Ele não é apenas um personagem, é uma junção de ideias e valores que temos em comum”, destaca Morselli.

Luxo além da posse: cinema, arte e entretenimento como territórios estratégicos
O luxo contemporâneo deixou de estar restrito à posse de bens materiais para se expandir em direção ao universo do significado, da experiência e da cultura. Nesse novo paradigma, cinema, entretenimento, moda e arte tornam-se plataformas estratégicas para amplificar narrativas e gerar conexões emocionais profundas.
Mais de 70% dos consumidores de luxo globais valorizam experiências culturais tanto quanto produtos físicos, segundo a Bain & Company, o que explica a intensificação das iniciativas que conectam marcas a universos artísticos e criativos. No Brasil, essa tendência se fortalece especialmente entre públicos de alta renda das gerações X e millennials.
“Conectar-se a universos como cinema, entretenimento, moda e arte é estratégico porque o luxo passou a ser, sobretudo, significado. Esses territórios permitem uma conexão mais sensorial e emocional, fundamental para o luxo contemporâneo”, explica Morselli.
Manter a relevância sem comprometer o legado é um dos maiores desafios das marcas de luxo. Na The Macallan, a inovação surge como uma extensão natural da tradição, sem rupturas bruscas, mas com evolução constante das narrativas, das plataformas e das experiências oferecidas.
“A inovação só é válida quando aprofunda os pilares fundamentais de maestria, excelência e legado. O que evolui é a forma como essas histórias são contadas e os universos com os quais elas dialogam”, resume Morselli.

O futuro do Marketing de bebidas premium: experiência, impacto e propósito
O futuro do Marketing de bebidas premium aponta para uma convergência entre experiência, impacto social e responsabilidade ambiental. Consumidores esperam cada vez mais que marcas de luxo assumam compromissos claros com sustentabilidade, ética e contribuição social, além de oferecerem jornadas sensoriais memoráveis.
“O Marketing premium será cada vez mais pautado por experiências, responsabilidade ambiental e impacto social. Quando o cliente vivencia rituais de excelência, ele se torna nosso maior aliado na construção da marca”, afirma Morselli.
Para profissionais de Marketing que atuam no mercado de luxo, Morselli aconselha a compreender que inovar não significa romper com o passado, mas potencializá-lo. A construção de alianças estratégicas, a curadoria rigorosa de parcerias e a coragem para dizer não são elementos centrais para sustentar a excelência.
“Inovação bem-sucedida é aquela que honra o passado, dialoga com o presente e constrói um legado para o futuro. Quando isso acontece, o crescimento é uma consequência natural”, finaliza Morselli.
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