Visitar Nova York é sempre uma fonte de inspiração quando se trata de tendências do varejo. A Big Apple nos surpreende com novas flagship stores, vitrines que parecem obras de arte e uma efervescência cultural incomparável. E essa inspiração se torna ainda maior quando chega a NRF (National Retail Fair), que em 2026 trouxe o slogan “The Next Now”, “o próximo agora”.
Essa assinatura dá o tom do que se viu na feira: discussões práticas e aplicadas ao varejo, que busca inovação, mas também é impactado por tudo o que acontece ao redor (cultural, política e socialmente falando), desafiado por margens cada vez menores e com uma atenção do consumidor cada vez mais fragmentada.
E esse “próximo agora” teve como fio condutor a Inteligência Artificial, porém em uma discussão além do hype, focada na aplicabilidade prática para maior eficiência operacional do varejo (gestão de inventários, integração entre sistemas, supply chain etc.) e em uma jornada de compra realmente omnichannel. Pesquisas apresentadas na feira mostram que 58% das pessoas já substituíram mecanismos tradicionais de busca por alguma ferramenta de IA.

Diversos cases apresentados evidenciam que o futuro da compra será via IA agêntica (ou seja, autônoma e proativa) ou social commerce. A IA oferece uma experiência de compra personalizada, rápida e conveniente, na qual os agentes ajudam no processo de descoberta de produtos, tomada de decisão e efetuação da compra, tudo de maneira integrada e fluida durante a conversa com o bot.
Em um mundo no qual 78% das pessoas se sentem sobrecarregadas pela quantidade de ofertas existentes, de acordo com estudo da Criteo de 2025, um agente que identifica e endereça uma demanda se torna um alívio. Esse contexto também reforça uma grande tendência mapeada na NRF: a colaboração entre organizações (varejo, indústria, meios de pagamento e tecnologia), que desenvolvem plataformas integradas proporcionando uma jornada sem fricção ao consumidor. Essa jornada parte da mídia de um produto e vai até a transação da compra.

Social commerce, por sua vez, ganha cada vez mais relevância por manifestar a importância da comunidade como mecanismo de conexão social, identificação, credibilidade e acolhimento. Somente no YouTube, em 2025, foram mais de 40 bilhões de horas de vídeos assistidos relacionados a compras, segundo o Sundar Pichai, CEO do Google. Nossas experiências na Bauducco® também comprovam essa tendência: ações de live commerce, venda em redes sociais e a influência de creators nos mostram a força da comunidade como mecanismo de engajamento e performance.
Mas, e o varejo físico? Ainda existe espaço no meio de tanta digitalização? A resposta é sim. Nova York, mais uma vez, nos mostra tendências do “retail”. Com o e-commerce cada vez mais eficiente, as lojas evoluem para espaços de entretenimento, conexão e reforço da comunidade, oferecendo experiências sensoriais que, por sua vez, são compartilhadas nas redes sociais por seus visitantes.
Lojas de luxo, passam a contar com sofisticadas cafeterias ou restaurantes, além de uma arquitetura e visual merchandising de tirar o fôlego (basta uma visita a recém inaugurada Printemps em 1 Wall Street para vivenciar o que estou comentando); tradicionais lojas de departamento, como a Target, inovam em experiências com lojas conceito (vale a visita a Concept Store Soho); e a Lululemon é um exemplo que apresenta, em cada loja, embaixadores locais que residem no entorno. Todo o varejo está se movimentando para atrair o consumidor, com motivos que justificam a visita.

E não precisamos sair do Brasil para perceber isso: a nova Galeria Magalu, em São Paulo, leva para o varejo todo o seu ecossistema digital, com ambientes físicos de lojas que antes eram 100% online, além de espaços para live commerce, conectando a marca a creators.
Nossas Bauducco® Lojas, por sua vez, oferecem produtos exclusivos que o consumidor não encontra em outro local, chamadas de B Exclusividades, e experiências diferenciadas em cada loja, além da integração com a Casa Bauducco, permitindo ao nosso cliente tomar um café e comer uma fatia de panettone quentinha durante todo o ano, após comprar seus produtos favoritos.
No fim, a grande mensagem da NRF 2026 é clara: o “próximo agora” não é sobre escolher entre físico ou digital, tecnologia ou experiência, eficiência ou emoção, é sobre integrar tudo isso de forma inteligente e relevante para o consumidor. A IA, o social commerce e o varejo físico não competem entre si; eles se complementam em um ecossistema cada vez mais conectado, no qual marcas que entendem contexto, cultura e comunidade saem na frente.
O desafio — e a oportunidade — está em transformar inovação em execução, criando jornadas fluidas, humanas e memoráveis, capazes de gerar valor tanto para o consumidor quanto para o negócio, hoje e agora.
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