Muitas corporações buscam formas de impactar a sociedade, mas nem sempre encontram caminhos de escala e recorrência. No entanto, a solução pode estar em uma prática que já é pilar de países que são referências globais em educação e cidadania, como os da região nórdica: a Educação Midiática como garantia de autonomia intelectual.
Na Finlândia, por exemplo, o combate à desinformação não é tarefa exclusiva de agências de checagem, mas parte do currículo escolar. Desde cedo, os estudantes são incentivados a questionar a origem, o propósito e a veracidade de cada informação. Ao apoiar iniciativas que levam o jornalismo profissional e a educação financeira para dentro das escolas, as marcas não estão apenas fazendo branding; elas estão fortalecendo a base informativa das novas gerações e mitigando os efeitos da desinformação de forma estrutural.
Essa atuação permite que um jovem na rede pública brasileira tenha acesso ao mesmo repertório cultural e crítico que um jovem em Helsinque ou na rede privada nacional — o que representa equidade na prática e impacto social mensurável. Experiências práticas nesse campo mostram que o engajamento e a compreensão de texto chegam a subir para mais de 95% quando o conteúdo é conectado à realidade dos fatos.

Iniciativas focadas em letramento midiático e econômico compartilham desta missão: formar cidadãos reflexivos, bem-informados e capazes de transformar a sociedade para melhor. Para as marcas, isso representa uma oportunidade real de exercer o protagonismo social. Imagine o potencial de uma empresa que, em vez de apenas anunciar, patrocina o acesso à informação de qualidade para milhares de estudantes.
Nestes outros países, as lideranças entenderam que o acesso à notícia adequada é um reconhecimento da cidadania. No Brasil, o setor privado tem uma excelente oportunidade de liderar este movimento, investindo também na sustentabilidade intelectual. Uma marca que investe nesta frente não está apenas falando com o futuro consumidor; ela está estabelecendo um vínculo emocional no momento em que esse jovem descobre o mundo.

Estudos de branding mostram que marcas presentes na fase de formação da identidade geram uma memória afetiva que transcende a relação comercial. O estudante lembrará, por toda a vida, da marca que lhe deu a oportunidade de conhecer o Brasil e o mundo sem sair do lugar, fornecendo as ferramentas para que ele compreenda a realidade, a economia e a sociedade com autonomia e discernimento. É a transição do discurso de impacto para a construção efetiva de uma sociedade consciente e preparada para o futuro.
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