
O South by Southwest nasceu como um encontro de músicos, cineastas e profissionais de mídia. Durante anos, foi território quase exclusivo da economia criativa. Até que o mundo dos negócios descobriu algo essencial: ali estavam surgindo, antes que virasse mainstream, as narrativas que moldariam tecnologia, consumo e comportamento. Pilares de transformação de qualquer negócio.
Hoje, o SXSW é uma espécie de peregrinação da turma de inovação. De CEOs, a empreendedores, profissionais de marketing e tecnologia, de indústrias de consumo, comunicação ou serviços. Todas essas cabeças de todo o planeta passam uma semana em Austin. Aliás a delegação brasileira, mais uma vez, é a maior fora dos EUA. Todos em busca de repertório.
A edição de 2026 evidencia esse movimento.

A Inteligência Artificial continua no centro das discussões, porém saindo do campo das ideias e encantamento da IA generativa, entrando na discussão do impacto nos mais diversas setores da economia, como ética, impacto social, propriedade intelectual, futuro do trabalho e saúde mental. Como pano de fundo desses argumentos, está a expectativa de que a IA generativa pode adicionar até US$4,4 trilhões por ano à economia global (segundo estudo da Mckinsey). Provocando o debate nos palcos do SXSW de quem captura esse valor e a que custo humano - negócios e os impactos nas relações.
Esse assunto dá gancho para outro tema forte nessa edição. A interseção entre tecnologia e bem-estar. A confiança e responsabilidade digital se tornaram fatores críticos para trabalhar o valor das marcas. Em Austin, isso vai ser debatido em trilhas sobre privacidade, resiliência de gerações, clima, biotecnologia e novas narrativas culturais.
Dá para entender a mistura que é esse evento? Não é apenas sobre tecnologia. É sobre cultura. E as mudanças culturais antecedem a transformação de consumo.
No mesmo dia que você assiste uma palestra incrível sobre IA aplicada a negócios, pode estar sentado numa pré estreia de um filme independente ou ouvindo uma banda que ninguém conhece – ainda. Essa mistura caótica é o que transforma esse evento em um laboratório vivo, a céu aberto, sobre o comportamento humano.

Como eu gosto de trabalhar com o conceito de “Aprenda com os melhores”, para quem lidera o pensamento estratégico das empresas, acompanhar o SXSW encurta ciclos de aprendizados. Em vez de esperar relatórios de tendências e pesquisas, você escuta direto da fonte: futuristas, fundadores, criativos com suas ideias ainda em estado bruto. É provocativo e extremamente valioso.
Outro aspecto que considero muito importante ir até lá: você sai da sua bolha. Em Austin, empresários ouvem artistas, publicitários conversam com cientistas, conselheiros debatem com fundadores de startups. São encontros improváveis que criam sinapses inesperadas e decisões estratégicas amadurecidas.
Para o Brasil o impacto é ainda maior. Somos um mercado criativo, digitalmente engajado e com enorme capacidade de adaptação. Entender antes os debates globais de IA, creator economy, mentalidade geracional ajuda a antecipar movimentos de consumo da indústria, varejo e serviços.
O SXSW funciona como um radar. Nem tudo que aparece por lá se torna realidade. Mas quase toda tendência dominante passou por lá antes. Hoje em dia, nenhuma empresa cresce apenas operando com eficiência. Cresce quando amplia repertório, conecta pontos improváveis e antecipa mudanças culturais antes que a pressão competitiva apareça e quem aprende mais rápido constrói vantagem competitiva mais cedo.
Estarei em Austin, em busca desse atalho poderoso, entendendo como tecnologia, cultura e negócios se entrelaçam e impactam a jornada de consumo e os negócios. Vamos juntos?
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