
Em um livro recente, Moral da História, que o Gabriel Troiano e eu escrevemos, nos lembramos de uma mitologia do povo Akan. Eles habitam Gana e Costa do Marfim. E cultuam uma entidade chamada Sankofa, representada como um pássaro com os pés no chão, com a cabeça virada para trás, segurando um ovo com seu bico, mas voando para frente.
Vejam que maravilha: pés no chão, olhar para trás e voando para frente!
É tudo que está por trás do que proponho neste artigo. Ou seja, (1) segurança de onde pisar,(2) recuperar o que o passado sempre nos ensina, (3) com um compromisso diante do que vem por aí. É assim que sempre entendemos por tendências. Sem esses três guard rails, entramos no idílico mundo dos sonhos apenas.
Com exceção dos profetas de plantão, sabemos pouco sobre os tempos que virão, mas isto não justifica a letargia de se acomodar e esperar o que vai acontecer. Mesmo porque os nossos concorrentes mais agressivos, inteligentes e determinados talvez não esperem. E quando começarmos a fazer o que eles já fazem, nossas marcas serão apenas mais uma, um “me too”, serão a “titia boazinha sem charme”.
Mesmo sob o risco de dar uma ou outra cabeçada, vale a pena pautar-se pelo amanhã, mas com uma atitude de Sankofa, que zela por nós.
O Eduardo Giannetti em seu livro “Auto-engano”, diz o seguinte: “O fato é que se todos os empreendedores potenciais agissem como calculistas prudentes, e só fizessem novos investimentos quando estivessem de posse de tudo aquilo de que precisam para estar racionalmente seguros de que não sairão perdedores em suas apostas, o ânimo empreendedor definharia e a economia entraria em séria depressão.” (pág.59)
Aí vai um pequeno resumo do que pode vir por aí. Ou, que já chegou!
O fim do consumidor monolítico. Não o trate como um indivíduo que manifesta as mesmas atitudes em todas as áreas da vida. Eles se apresentam por meio de múltiplas personas, em um movimento adaptativo aos cenários complexos, voláteis e “líquidos (Bauman) da sociedade contemporânea.
Abaixo a vaidade corporativa. Marcas não suportam comportamentos encastelados. Afinal, marca é o que falam de você quando você sai da sala. Você tem saído?
Cansei de repetir: a marca não é um tapume que esconde a empresa. Ela é uma vitrine do que se passa da porta da rua para dentro. Os profissionais de gestão de pessoas, de talentos, de RH, do nome que você prefira usar, são os que criam embaixadores da marca.
Cuidado com a febre de collabs. Entre eu escrever esse texto e ele ser publicado, algumas dezenas de collabs virão à tona. Talvez me xinguem, mas ouso dizer: collab só é boa quando um não precisa do outro para caminhar. Caso contrário são muletas que refletem a fragilidade individual da marca. Ou seja, collab não é um negócio de se dependurar um no outro. Pense bem em como vai ficar sua marca quando o collab acabar.
Seja um obediente aliado na cultura ESG. Nesta nova cultura que engatinha, mas não para de crescer, talvez marcas percam parte do seu protagonismo e deixem ser prima donnas. Mas serão ainda mais poderosas para expressar os autênticos compromissos da organizações onde ESG estiver nas suas veias.
Na cruzada dos novos tempos, no seu estandarte está impressa a figura do Sankofa.
COMPARTILHAR ESSE POST






