
A Monotype, uma das maiores empresas globais de tipografia e tecnologia para design, chega aos três anos de seu Foundry Program, o programa que reúne fundidoras independentes e designers tipográficos de todo o mundo, com um marco expressivo: o acervo da companhia já ultrapassa 400 mil estilos de fontes, reunidos a partir da contribuição de mais de 5 mil fundidoras parceiras e com suporte a mais de 300 idiomas.
Lançado em 2023 após dois anos de desenvolvimento, o programa nasceu com a adesão de mais de mil fundidoras e designers na fase de pré-lançamento. Um ano depois, em 2024, a base de parceiros já havia ultrapassado 2.200 fundidoras, responsáveis por lançar em conjunto mais de 3.200 novas famílias tipográficas por mês na plataforma. Hoje, o programa alcança milhões de usuários criativos e sustenta uma presença corporativa global, segundo dados divulgados pela própria Monotype.
O crescimento do acervo segue no mesmo ritmo. De acordo com comunicado recente da companhia, o número de estilos de fontes cresceu mais de 25% apenas desde janeiro deste ano, enquanto as fontes voltadas a sistemas de escrita não latinos, como chinês, japonês, árabe e línguas do sudeste asiático, avançaram mais de 75% no período. Para Mike Matteo, Chief Typography Officer da Monotype, a expansão do acervo responde à necessidade das marcas de se comunicarem de forma consistente em diferentes mercados sem perder a identidade visual que as caracteriza globalmente.
Já Mary Catherine Pflug, Diretora Sênior responsável pela curadoria do acervo e do relacionamento com as fundidoras, destaca que a força do programa está menos no volume de fontes e mais na diversidade de vozes criativas por trás delas, unindo fundidoras consolidadas e designers independentes emergentes em um mesmo ecossistema de distribuição.
Latinotype, do “fim do mundo” para o mundo todo com o apoio da Monotype
Entre as fundidoras que ilustram o sucesso do modelo colaborativo está a Latinotype, fundada há 18 anos em Concepción, Chile (lá no “fim do mundo”, como brinca Luciano Vergara, seu sócio-fundador) e que conta hoje com um catálogo de mais de 300 famílias tipográficas, usadas por marcas como Zoom, Visa, Starbucks, Knorr, Poppi e Conmebol Sudamericana. “Nosso modelo de negócio sempre foi estruturado como um projeto colaborativo, reunindo designers e diretores de arte do Brasil, México, Argentina, Portugal e Espanha na construção do portfólio”, reforça Vergara.

O Brasil ocupa lugar de destaque nessa trajetória. Um dos casos mais emblemáticos é o da Ultragaz, que adotou a tipografia Mangueira, desenvolvida pela designer brasileira Sofia Mohr e implementada pela agência Ana Couto, como eixo estrutural de sua nova identidade visual e presente tanto no logotipo quanto em todo o sistema de comunicação da marca. Já o projeto cultural Just Pixo levou a discussão para outro campo, explorando referências diretas à pichação e conectando cultura urbana e tipografia contemporânea a partir de uma perspectiva regional.
A presença da Latinotype também se estende a outros setores globais: das plataformas financeiras Tink (hoje parte da Visa) e Paze, ao universo esportivo da Conmebol Sudamericana, passando por marcas de alimentos e bebidas como Poppi, Knorr, Melitta e Starbucks. Um destaque à parte é o trabalho para a Doppelherz, para quem a fundidora adaptou a tipografia Aestetico a cinco sistemas de escrita diferentes, permitindo sua operação em 38 países. Segundo Vergara, “a equipe estuda de perto os rankings e insights fornecidos pela Monotype para desenvolver ou ajustar suas fontes ao gosto e tendências do mercado”, um retrato de como a relação entre fundidora e plataforma orienta decisões criativas e comerciais.

Espaço também para novos talentos
Se fundidoras consolidadas como a Latinotype comprovam a maturidade do modelo, o Foundry Program também aposta em designers e fundidoras independentes como Eduilson Coan (dooType), Plau Design, Eliezer Grawe, a própria Sofia Mohr e tantos outros, que estão ora publicando suas primeiras fontes comerciais, ampliando seus acervos ou simplesmente desenvolvendo um trabalho mais autoral. Entre os pilares do programa de parceria, estão o acesso a um público global de marcas e times criativos, suporte de licenciamento, ferramentas de gestão e visibilidade em canais como o Monotype Fonts e o MyFonts, pensados para dar às vozes emergentes o mesmo alcance comercial das fundidoras de maior porte.
Tipografia como infraestrutura crítica para equipes de Marketing
Luis Machado, Diretor de Negócios da Monotype na América Latina, complementa: “o Foundry Program consolida a abordagem da Monotype de transformar a diversidade de fundidoras e designers em um ativo estratégico para marcas que usam tipografia para se diferenciar em mercados cada vez mais competitivos, seja com expressão de marca consistente ou com operações criativas escaláveis.” Para Luis, a expansão do acervo e o crescimento do ecossistema de parceiros casam perfeitamente com o braço de soluções de gestão de tipografia oferecidos pela Monotype às empresas que precisam de flexibilidade para encontrar, licenciar e aplicar fontes em uma grande quantidade de marcas, regiões e contextos de aplicação físicos e digitais.

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