A Mattel ampliou sua estratégia de diversidade na linha Barbie ao lançar uma boneca desenvolvida para representar pessoas no espectro autista, iniciativa que vem repercutindo internacionalmente e abrindo um debate sobre inclusão, visibilidade e limites da representação na indústria de brinquedos.
Integrante da coleção Fashionistas, a nova Barbie foi criada ao longo de cerca de 18 meses em colaboração com a Autistic Self Advocacy Network (ASAN), organização conduzida por e para pessoas autistas. O projeto partiu do princípio de que a neurodiversidade também deve estar refletida em personagens icônicos da cultura infantil, tanto para que crianças autistas possam se reconhecer em um brinquedo amplamente difundido quanto para ampliar a compreensão do tema entre públicos não autistas.
O desenvolvimento da boneca buscou traduzir, de forma simbólica, algumas experiências comuns a parte da comunidade no espectro, sem a pretensão de representar um padrão único. Entre os elementos incorporados estão acessórios associados à autorregulação sensorial e à comunicação, como fones de ouvido com cancelamento de ruído, um fidget spinner e um tablet com recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa.
O vestuário prioriza conforto tátil, com tecidos e modelagens pensados para reduzir estímulos desconfortáveis, enquanto as articulações ampliadas permitem posições ligadas a movimentos repetitivos usados por algumas pessoas para organização sensorial.

Lançamento divide a comunidade
A proposta é tratar o autismo como uma condição diversa em manifestações e intensidades, evitando uma caracterização única ou estereotipada. Ainda assim, o lançamento rapidamente gerou discussões dentro da comunidade autista e entre especialistas.
Parte dos defensores da causa avalia a iniciativa como um avanço simbólico importante, ao inserir a neurodiversidade em um universo historicamente marcado por padrões homogêneos de corpo, comportamento e estética. Para essas vozes, a presença de uma Barbie autista pode contribuir para a construção de empatia e para a normalização de diferentes formas de existir desde a infância.
Por outro lado, há críticas que apontam o risco de simplificação. O espectro autista abrange uma ampla variedade de perfis, níveis de suporte e experiências individuais, o que torna qualquer tentativa de representação visual necessariamente limitada. Alguns ativistas alertam que determinados sinais, como a associação direta a acessórios sensoriais ou à evitação de contato visual, podem reforçar leituras reducionistas se não forem contextualizados como apenas uma entre muitas possibilidades.
O debate se insere em um movimento mais amplo da indústria de brinquedos, que nos últimos anos passou a incorporar personagens com deficiências físicas, condições genéticas e doenças crônicas, em resposta a uma demanda crescente por representatividade. No caso da Barbie, a inclusão de uma boneca voltada à neurodiversidade amplia esse repertório e sinaliza que a discussão sobre inclusão não se restringe a características visíveis, mas também envolve diferenças cognitivas e sensoriais.
Leia também: Mattel e OpenAI lançam parceria inédita com IA
COMPARTILHAR ESSE POST







