
A expansão dos medicamentos à base de GLP-1 está redefinindo não apenas protocolos clínicos, mas também padrões de consumo em escala global. A categoria ganhou tração internacional e passou a influenciar hábitos alimentares, decisões de compra e a forma como consumidores se relacionam com marcas de alimentos, varejo e bem-estar.
Dados de um estudo global conduzido pela Kantar indicam que a adoção desses medicamentos tende a crescer pelo impulso de cinco vetores: o avanço da obesidade, a identificação de benefícios adicionais em áreas como apneia do sono, saúde renal e cardiovascular, a maior praticidade com o desenvolvimento de versões em comprimido, a chegada de novas formulações com maior eficácia e menos efeitos colaterais e a perspectiva de redução de custos com a entrada de genéricos, subsídios, maior cobertura por planos de saúde e aumento da concorrência.
O movimento não dá sinais de retração. No Reino Unido, cerca de 15% dos usuários afirmam que não pretendem interromper o tratamento, enquanto outros 9% já utilizam o medicamento há 12 meses ou mais. Nos Estados Unidos, esse percentual chega a 30%. A disponibilidade em comprimidos, com menor custo de fabricação e logística em comparação às injeções refrigeradas, é apontada como um dos fatores que sustentam essa permanência.
Em paralelo, a expiração da patente do Ozempic em diversos países ao longo deste ano tende a ampliar ainda mais o acesso, pressionando preços e expandindo a base de consumidores.

Mudança concreta no comportamento de compra
A popularização do uso de GLP-1 já produz impactos mensuráveis no varejo. O estudo mostra aumento na preparação de refeições em casa e redução no consumo em restaurantes entre usuários do medicamento. Esse deslocamento cria oportunidades para supermercados e marcas que oferecem produtos frescos, refeições prontas com porções controladas e itens com maior densidade nutricional.
Apesar da tendência, o público que utiliza GLP-1 ainda representa uma parcela limitada da população total. Por isso, a estratégia mais eficiente para o mercado passa por equilibrar ofertas direcionadas a esse nicho em crescimento com soluções voltadas ao consumidor mais amplo interessado em alimentação saudável.

Espaço para inovação
O levantamento identifica oportunidades claras para novos produtos e serviços. Entre as inovações alimentares mais desejadas pelos usuários de GLP-1 estão sobremesas ricas em proteína e com baixo teor calórico (28%), produtos de panificação com menos açúcar e maior teor proteico (28%) e bebidas hidratantes com eletrólitos e colágeno (24%).
No campo não alimentar, a demanda se concentra em soluções que apoiem a jornada nutricional: aplicativos personalizados de planejamento de refeições (33%), pratos e talheres inteligentes com controle de porções (24%), serviços de personalização de macronutrientes (24%) e produtos de cuidados com a pele com benefícios adicionais de hidratação (24%).
A análise aponta que esses consumidores tendem a examinar com maior rigor a composição dos produtos e esperam que varejistas atuem como facilitadores na identificação de opções compatíveis com seus objetivos de saúde.
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