Antes mesmo de campanhas, influência ou expansão, Louise Rossetti considera como o centro de sua cadeira o desafio de sustentar uma operação local relevante sem perder espaço em uma estrutura global altamente competitiva. A executiva, que construiu sua carreira entre o Brasil e a Europa, carrega na bagagem justamente o contraste entre esses dois mundos e é dessa interseção que nasce sua principal missão atual.
Depois de mais de uma década atuando em grandes grupos globais da indústria da moda e da beleza, Louise ocupa hoje uma posição que exige visão estratégica, poder de articulação e sensibilidade cultural: o cargo de Diretora de Marketing e Comunicação da H&M Brasil. Sua função é traduzir as necessidades do consumidor brasileiro para uma companhia presente em mais de 78 países, ao mesmo tempo em que mantém a operação local saudável e o time engajado.
“O maior desafio é um misto entre manter uma equipe motivada e me fazer ouvir num board global que tem mais de 78 países pedindo atenção”, afirma Louise, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Essa equação se torna ainda mais delicada em um momento de consolidação da marca no país. “Ao mesmo tempo que você tem que cuidar da operação do dia a dia, você tem que cuidar também da sua exposição lá fora para que você tenha os investimentos certos e as campanhas certas”, completa.

Uma trajetória construída entre estratégia, criatividade e decisões arriscadas
A carreira de Louise Rossetti não seguiu um roteiro linear. Formada em Direito e Comunicação, com passagem pelo jornalismo, ela decidiu cedo que seguiria pela moda — uma escolha que, segundo ela, exigiu convicção e coragem em um setor conhecido pela competitividade e pela instabilidade. “Minha carreira é meio atípica. Ela sempre foi uma mistura entre estratégia e criatividade”, explica.
Ainda jovem, Louise empreendeu no varejo brasileiro, atuando como CEO e CMO de sua própria operação, liderando equipes, lojas e decisões estratégicas antes mesmo de seguir para o mercado corporativo global. A virada mais decisiva veio com a mudança para Paris, onde viveu por dez anos e se formou no Instituto Francês da Moda, além de atuar em empresas como L’Oréal e Hermès.
“Eu cheguei em Paris sem conhecer ninguém, mas com uma curiosidade muito grande de entender onde estavam os profissionais que eu admirava e como eles tinham chegado lá”, relembra. Essa experiência moldou sua visão analítica, estratégica e a atenção aos detalhes que hoje orientam seu trabalho.

Liderar sem microgerenciar: cultura, incentivo e autonomia
Ao longo dessa trajetória internacional, Louise também redefiniu sua forma de liderar. Para ela, o papel do líder não é controlar processos, mas criar um ambiente onde as pessoas tenham liberdade, responsabilidade e espaço para crescer. “Eu sempre detestei o microgerenciamento. Minha visão de liderança é de acompanhar, amparar e incentivar”, afirma.
Esse modelo se reflete em uma estrutura mais horizontal, na qual o diálogo e a confiança fazem parte da rotina. Ela se define como alguém que direciona e abre caminhos, mas não centraliza a execução e afirma que equipes felizes, diversas e alinhadas aos valores da marca são essenciais para sustentar resultados consistentes e decisões estratégicas mais acertadas.
“Eu costumo dizer que sou um vetor de ideias e de visão, uma ferramenta para abrir portas. O trabalho do dia a dia quem faz é a equipe”, diz.

A chegada da H&M ao Brasil e a construção de relevância cultural
A atuação de Louise à frente do Marketing da H&M Brasil acontece em um momento estratégico para a companhia, que estudou o mercado brasileiro por mais de uma década antes de iniciar sua operação física no país. Para ela, o processo exige cautela, aprendizado contínuo e respeito às particularidades locais.
“Estudamos o mercado por dez anos para poder chegar de uma forma consistente, porque o Brasil é muito particular em termos de impostos, logística e sistema. Viemos para ficar, investimos parte da produção localmente. A expansão segue um ritmo sustentável, com a marca aprendendo com o mercado a cada nova abertura”, afirma.

No campo da comunicação, a estratégia combina campanhas globais com iniciativas desenvolvidas a partir de inputs locais, como coleções e ações pensadas especialmente para o Brasil. “As campanhas globais são a expressão da marca para o mundo inteiro, mas o que vai mudar são coleções especiais e campanhas dedicadas ao Brasil. Esse equilíbrio é fundamental para construir relevância cultural e estabelecer conexões reais com o consumidor brasileiro, respeitando a identidade global da H&M”, pontua.
Construir repertório: o ponto essencial para carreira em Marketing
Como líder de uma área tão importante, Louise Rossetti reforça que quem deseja crescer em Marketing precisa, antes de tudo, construir repertório e ampliar sua leitura de mundo. Para ela, atuar na área vai muito além de dominar ferramentas ou tendências específicas de um setor.
Para ela, cultura é um pilar central da liderança em Marketing, pois permite compreender o contexto do país, da marca e, principalmente, do consumidor que se deseja atingir. “É preciso construir um repertório, ter curiosidade e entender de diversos setores. Se você não entender de economia, do que está acontecendo no mundo, você não vai conseguir trabalhar a estratégia de Marketing”, afirma.
Além do repertório cultural, Louise destaca a importância da visão estratégica aliada à análise de dados, da vivência prática e da paciência ao longo da carreira. Ela aconselha profissionais a buscarem experiências diversas, transitarem por diferentes áreas e desenvolverem a capacidade de interpretar pessoas, mercados e comportamentos.
Para a executiva, embora exista uma pressão crescente por ascensão rápida, há aprendizados que só o tempo e a experiência proporcionam e respeitar esse processo é fundamental para quem almeja posições de liderança em Marketing. “É preciso combinar cultura com visão estratégica, análise de dados e entendimento das pessoas, além de ser persistente, resiliente e paciente”, conclui.
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