O varejo brasileiro começa 2026 sob maior pressão no crédito ao consumidor. A taxa de inadimplência em janeiro atingiu 8,46%, interrompendo a trajetória de queda registrada ao longo de 2025 e indica um aumento de 1,57% na comparação anual.
Os dados fazem parte do Índice de Inadimplência do Meu Crediário e indicam que o patamar atual se mantém próximo ao observado em janeiro de 2024, de 9,97%, evidenciando um movimento recorrente de oscilação e retomada da inadimplência no período posterior às festas de fim de ano.
A média do trimestre mais recente, que engloba novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026, ficou em 8,59%, acima dos 7,29% registrados no mesmo intervalo de 2024/2025. O dado aponta uma deterioração gradual das condições de crédito no varejo. Embora janeiro tenha apresentado leve recuo em relação a novembro, quando a taxa foi de 8,74%, o nível permanece elevado e superior à média observada ao longo de 2025.

Análises por segmento
A análise por segmento mostra que o maior risco de inadimplência está concentrado em roupas e calçados, com índice de 9,53%, acima da média nacional. O resultado reforça o alerta para o setor, especialmente no período que antecede o Carnaval, tradicionalmente marcado por aumento do consumo parcelado.
Outros segmentos apresentam índices inferiores, como óticas, com 8,39%, e móveis e eletrodomésticos, com 6,84%, indicando menor exposição ao risco entre bens mais duráveis.
O recorte regional revela diferenças significativas. O Sudeste lidera a inadimplência no país, com taxa de 10,32%, sendo a única região a ultrapassar dois dígitos. Em seguida aparecem o Nordeste, com 8,95%, o Norte, com 8,81%, o Centro-Oeste, com 8,06%, e o Sul, com 6,89%. Os dados sugerem maior pressão sobre o crédito nas regiões com maior concentração urbana e volume de consumo.
Por faixa etária, os consumidores mais jovens concentram os maiores índices de inadimplência. Entre 18 e 25 anos, a taxa chega a 15,52%, quase o dobro da média nacional. Na sequência estão os consumidores de 26 a 35 anos, com 11,56%, de 36 a 50 anos, com 8,37%, de 51 a 65 anos, com 5,71%, e acima de 66 anos, com 5,48%. O comportamento indica maior exposição ao risco de atraso nos pagamentos entre jovens adultos, especialmente em períodos de maior gasto discricionário.
A segmentação por gênero também aponta diferenças. Entre os homens, a inadimplência alcança 10,18%, enquanto entre as mulheres o índice é de 7,91%. A diferença de 2,27 pontos percentuais evidencia uma maior exposição masculina ao risco no uso do crediário.
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