
Os golpes digitais se tornaram uma ameaça direta aos resultados de Marketing e não são mais exclusivamente um problema de segurança da informação. O uso indevido de marcas em anúncios patrocinados, sites falsos, perfis fraudulentos e campanhas impulsionadas por Inteligência Artificial tem aumentado o custo de aquisição de clientes, comprometido a eficiência das campanhas e gerado perdas financeiras e reputacionais para empresas de diversos setores.
A responsabilidade pela gestão desse risco precisa migrar para o Marketing, já que é a área responsável por performance, vendas e reputação da marca. "O Marketing deveria ser o dono deste tema. É quem responde pelos resultados da empresa, pelas vendas geradas e pela reputação da marca. As demais áreas devem apoiar esse processo, mas a gestão precisa estar no Marketing", contou Diego Todres, cofundador e CRO da Branddi, ao podcast Mundo do Marketing.

Fraudes aumentam o custo da mídia e reduzem a eficiência das campanhas
O impacto não é só sobre imagem da marca. Quando fraudadores compram palavras-chave relacionadas a empresas conhecidas ou replicam campanhas utilizando criativos praticamente idênticos aos originais, acabam disputando o mesmo leilão de mídia. Isso faz com que o custo por clique (CPC) aumente significativamente, reduzindo a eficiência das campanhas e consumindo o orçamento mais rapidamente.
Wender Souza, CEO da Increasy, contou que há casos em que o custo por clique chega a dobrar, fazendo com que as empresas deixem de aparecer durante parte do dia justamente nos momentos de maior intenção de compra dos consumidores.
Além disso, como os criminosos não possuem custos de produção, logística ou operação, conseguem investir agressivamente em mídia paga, tornando a concorrência desleal durante períodos de alta demanda, como Black Friday, Natal, Copa do Mundo e datas comemorativas.
"Estamos falando de um leilão que já é difícil. E, mesmo tendo todo esse cuidado, existem outros players além dos seus concorrentes disputando aquele terreno com você. Quando eles copiam o seu conteúdo, copiam também a sua relevância. Isso pode fazer o custo por clique dobrar", analisou Wender.

IA torna golpes mais sofisticados
A popularização das ferramentas de Inteligência Artificial também elevou o nível de sofisticação das fraudes. Hoje, criminosos conseguem criar anúncios, vídeos, landing pages e peças publicitárias que, muitas vezes, apresentam qualidade superior às campanhas oficiais das próprias marcas, dificultando a identificação por consumidores e pelas equipes de Marketing.
"Com a IA ficou muito fácil criar um novo criativo e um novo site. Em muitos casos, eles produzem peças melhores do que as das próprias marcas, tornando cada vez mais difícil distinguir o que é uma fraude”, afirmou o cofundador e CRO da Branddi.
Para detectar essas ações, empresas especializadas monitoram continuamente domínios recém-registrados, perfis em redes sociais, anúncios em plataformas como Google, Meta, Bing e TikTok, além de hashtags e novas páginas criadas para explorar datas sazonais ou promoções específicas.
"Nossa tecnologia monitora o ambiente digital por completo, identificando possíveis ameaças com inteligência artificial e validação humana para confirmar se realmente se trata de uma fraude", contou Diego Todres.

O dano financeiro também se estende ao relacionamento com o consumidor. De acordo com dados apresentados pela Branddi durante o podcast, um terço das pessoas que caem em golpes deixam de comprar online posteriormente. Entre aqueles que sofreram fraude envolvendo determinada marca, mais de dois terços não voltam a consumir daquela empresa, transformando um problema operacional em uma crise de reputação e fidelização.
"O prejuízo é muito maior do que apenas essa venda. A marca perde um cliente, ganha um detrator e ainda precisa lidar com custos jurídicos, atendimento e desgaste de reputação", pontuou Diego.
Mais de 5 mil golpes são derrubados por mês
Atualmente a Branddi realiza a derrubada de mais de cinco mil golpes digitais mensalmente. Em períodos como Black Friday e Natal, esse volume pode triplicar ou quadruplicar. Em um dos casos citados, uma única empresa chegou a registrar mais de dois mil anúncios fraudulentos em apenas uma semana. Após a remoção das fraudes, houve redução de até 50% no custo de mídia e eliminação de milhares de reclamações recebidas diariamente pelo atendimento ao consumidor.
Os especialistas defendem que proteger ativos digitais tornou-se parte da estratégia de Branding. Entre as principais recomendações estão registrar variações de domínios, garantir a posse dos perfis oficiais em diferentes plataformas, manter o registro da marca junto ao INPI e investir na compra da própria palavra-chave em buscadores, reduzindo o espaço para os fraudadores explorarem a confiança construída pela marca.
Em um cenário em que a construção de marca exige investimentos cada vez maiores, proteger essa reputação passa a ser uma atividade contínua. Afinal, como destacam os especialistas, quanto mais conhecida uma empresa se torna, maior também passa a ser seu potencial de atrair golpes digitais.
"É um tema que precisa estar no centro das atenções das equipes de Marketing porque está diretamente ligado à performance, às vendas e à reputação das empresas, concluiu Diego Todres.
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