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Entre propósito e resultado: como Rogério Bahia consolidou o Marketing da Alelo

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Reportagens

Da cadeira de CMO à sala de aula: Antonio Santos leva experiência prática ao CMO Sprints

Há quase 14 anos na cadeira de superintendente de Marketing da Alelo, Rogério Bahia alcançou uma longevidade rara em um mercado em que a permanência média de um CMO é de apenas dois anos. 

À frente de uma marca presente na vida de milhões de brasileiros, ele viu o setor de benefícios corporativos mudar, a digitalização redesenhar o mercado de meios de pagamento e o próprio Marketing deixar de ser um departamento de comunicação para se tornar uma engrenagem estratégica do negócio.

“Marketing é sempre uma linha de despesa e está tudo bem. Precisamos manter o negócio vivo, encontrar o ponto de equilíbrio entre investimentos e resultados. O Marketing sempre será um pilar muito importante para qualquer negócio, do pequeno ao grande”, afirma o executivo no mais recente episódio do podcast CMO Agenda, disponível no canal do Mundo do Marketing no YouTube.

A clareza com que o superintendente fala sobre o papel da área vem de quem acompanhou, de dentro, a evolução de uma empresa que nasceu no ambiente do cartão físico e hoje transaciona benefícios por carteiras digitais, com 14 milhões de ativos e mais de 140 mil clientes corporativos.

“Acompanhei a marca desde o primeiro movimento que ela fez no mercado. No Marketing, tudo o que é voltado para o público externo fica sob nossa responsabilidade, então pude acompanhar de perto toda a trajetória da Alelo desde que ela nasceu. É muito enriquecedor ver o quanto a marca cresceu, se tornou mais robusta e se fortaleceu reputacionalmente. Conseguimos gerar awareness, visibilidade, reconhecimento e recall de marca. É uma jornada intensa”, narra o Superintendente.

O início da jornada

Quando Bahia chegou à Alelo, a marca ainda estava sendo criada. Era o início de uma fase de transição societária e reposicionamento de negócio. Bahia, então recém-chegado de uma trajetória em agências e comunicação corporativa, assumiu a tarefa de construir uma identidade que sobrevivesse ao tempo e à velocidade das transformações tecnológicas. 

“Estávamos num momento de criação da marca corporativa, o que representava um desafio muito grande. Havia uma mudança no modelo de negócios, com a saída de um dos sócios importantes, a Visa do Brasil, que era uma das sócias do nosso grupo. Essa reconfiguração do modelo de negócios fez com que precisássemos criar uma marca corporativa, e minha chegada coincidiu exatamente com o começo dessa construção”, explica

Desde o início, a aposta foi em uma visão integrada, generalista, desenvolvida sob medida para cuidar de toda a jornada de Marketing da empresa em construção. "O meu papel não é olhar a publicidade, meu papel não é olhar a assessoria de imprensa, o meu papel não é olhar social media. Meu papel é olhar o 360 da marca e encontrar em Marketing, como uma grande caixa de ferramentas, qual disciplina preciso usar para resolver um problema de negócio, para atender a necessidade de um cliente, para fazer com que a marca cresça reputacionalmente e para que a gente ganhe mais visibilidade”, pontua.

Modelo de negócios

Essa perspectiva holística foi estendida ao modelo de operação da Alelo. Embora o trabalho da empresa não seja voltado a um público específico, as engrenagens do negócio se apoiam em três pilares principais. O primeiro são os clientes corporativos, que incluem tanto grandes empresas quanto pequenos empreendedores. 

Neste segmento, a contratação de benefícios pode envolver diferentes áreas dentro da empresa, como RH, finanças ou diretamente o CFO. A Alelo mantém uma linha de produtos dedicada a esse público, com soluções que incentivam o crescimento do negócio e fortalecem a relação de parceria, além da tradicional cobrança de tarifas transacionais.

“Temos uma linha de produtos específica para o empreendedor, para ajudá-lo a vender mais, oferecer incentivos e contribuir para o crescimento do negócio dele. Dessa forma, construímos uma relação de ganha-ganha, sem que a relação se limite apenas à cobrança de uma tarifa pelo valor transacional do ponto de venda. Isso faz parte do nosso modelo de negócio pois entendemos que esse público é extremamente importante desde o início da Alelo”, afirma Bahia.

O segundo pilar é formado pelos estabelecimentos comerciais da rede da Alelo, todos com contratos de aceitação da empresa. Para esses parceiros, a companhia oferece produtos específicos voltados para impulsionar vendas e criar uma relação de ganha-ganha, em vez de apenas uma relação comercial convencional.

O terceiro público, embora não seja decisor na contratação do benefício, é o colaborador, que exerce grande influência na cadeia. Manter essa base engajada é um objetivo estratégico: colaboradores satisfeitos refletem diretamente no RH, que, ao perceber a satisfação interna, tende a manter o fornecedor atual. 

Nuances do negócio

A marca, afirma Bahia, cresceu sustentada por uma lógica de parceria, e não de transação. “Nosso trabalho é tornar o produto útil para todos os lados da cadeia. O benefício precisa ser percebido como valor, não como custo”, pontua.

Por trás da retórica corporativa, há um propósito social que a empresa tenta manter vivo. Os cartões da Alelo estão ligados ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), criado em 1976, e que o impacto desse recurso é real para milhões de famílias. 

“O dinheiro que entra no cartão complementa a renda de quem ganha dois ou três salários mínimos. É um produto que melhora a nutrição e o bem-estar do trabalhador. Trabalhar com isso é ver o Marketing transformar vidas”, completa o superintendente.

O mesmo olhar humano se estende à gestão de equipe. Das quatro lideranças diretas de Bahia, todas são mulheres. O executivo defende times diversos — em gênero, raça, idade e repertório — como condição para inovação. 

“Liderar é provocar. Montar uma equipe plural é abrir espaço para o confronto saudável de ideias, o que tira o Marketing do lugar comum. A coerência entre discurso e prática, resume, é o que define uma cultura sólida. Não adianta ter um discurso bonito da diversidade se o líder não toma decisões afirmativas", defende Bahia.

Voltando ao ponto de partida, o superintendente defende o Marketing como ponte entre propósito e negócio. O desafio é fazer com que o investimento na área seja percebido como essencial à saúde da empresa. “Não existe comunicação forte sem resultado tangível. Um bom Marketing é o que prova seu valor — não no discurso, mas no impacto que gera, finaliza.

Leia também: Diversidade: o convite para ampliar horizontes e multiplicar ideias

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Ian Cândido

Repórter

AUTOR

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