
O varejo brasileiro tende a ganhar tração durante grandes eventos esportivos, mas, na Copa do Mundo, esse movimento atinge um patamar próprio. O chamado “Efeito Partida” não apenas existe como é mensurável e consistente: o consumo cresce, em média, 4,7% no período, impulsionado por mudanças claras no comportamento de compra antes, durante e depois dos jogos, conforme apontam dados da Scanntech.
A dinâmica começa na véspera. É nesse momento que o consumidor antecipa compras para evitar deslocamentos durante as partidas, elevando o fluxo em loja em até 6,7% e ampliando o ticket médio das categorias relacionadas ao evento em 24,4%. Há também um ganho de penetração dessas categorias, com incremento de 1 ponto percentual no total de tickets, o equivalente a cerca de 280 mil compras adicionais por dia.
No dia do jogo, o comportamento muda de forma abrupta. As compras se concentram nas horas imediatamente anteriores, com alta de 19,1% no fluxo — número que, na Copa de 2022, chegou a 69,2% — e queda acentuada durante a partida, quando o varejo perde relevância momentânea. Esse padrão reforça a lógica de consumo antecipatório e indica a força do evento como organizador da rotina do consumidor.

O impacto também se reflete diretamente no carrinho. As categorias ligadas à socialização e ao consumo compartilhado lideram o crescimento, com destaque para churrasqueiras (+227,5%), pipoca de micro-ondas (+119,9%), air fryers (+112,4%) e amendoim salgado (+86,2%). As proteínas e itens para preparo coletivo, como espetinhos, frango inteiro e cortes bovinos específicos, também apresentam forte desempenho, enquanto produtos associados ao consumo cotidiano tendem a perder espaço.
As bebidas seguem a mesma tendência. Durante jogos da seleção, a cesta cresce acima do padrão, com altas expressivas em categorias como espumantes (+179,4%), whisky (+144,1%), gin (+137%) e cerveja (+126,9%). O gelo, essencial para esse tipo de consumo, também registra aumento relevante, de 135,8%. Há um avanço consistente de alternativas como bebidas de baixo teor alcoólico, versões zero e misturas prontas, refletindo novos hábitos e maior preocupação com equilíbrio e saudabilidade.

O contexto macroeconômico da Copa de 2026 adiciona outra camada à análise. A combinação de inflação mais baixa, renda média em recuperação e juros elevados cria um ambiente ambíguo, mas com viés positivo para o consumo. Soma-se a isso uma característica relevante do próximo torneio: maior concentração de jogos no período noturno e tendência de consumo doméstico, com 65% das pessoas indicando que pretendem assistir às partidas em casa.
O varejo encontra oportunidades, mas também exige execução precisa. Sortimento adequado, abastecimento alinhado à demanda e estratégias de visibilidade em loja, como cross-selling, tornam-se decisivos para capturar o potencial do período.
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