
Nunca foi tão fácil produzir e acessar dados dentro das empresas. Ainda assim, transformar toda essa informação em uma decisão clara continua sendo um dos principais desafios das áreas de Pesquisa, CMI, Dados, Insights e Inteligência de Mercado. É o que mostra uma pesquisa da Stop Vanilla, boutique de pesquisa e insights recém-lançada como parte da Hub 1601 de inovação.
O levantamento ouviu 107 executivos de empresas de setores como tecnologia, bens de consumo, finanças, varejo e mídia. Entre eles, 58% apontam o retrabalho necessário para transformar os resultados de pesquisas em narrativas executivas que possam ser efetivamente utilizadas pelos gestores como uma das principais dores atuais.
O problema aparece justamente na passagem entre informação e ação. Para 62% dos entrevistados, cronogramas curtos e urgências constantes dificultam essa transformação. Outros 42% citam processos longos ou burocráticos de aprovação, enquanto 38% apontam a dificuldade dos times em definir quais decisões devem ser priorizadas.
O diagnóstico ajuda a explicar uma contradição cada vez mais presente nas organizações: mesmo com mais dados, ferramentas e tecnologias disponíveis, a quantidade de informação nem sempre se converte em mais clareza para o negócio.

IA acelera o trabalho, mas não resolve a decisão
A inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria das áreas de insights pesquisadas. O levantamento mostra que 80% delas utilizam a tecnologia, principalmente em atividades operacionais, como transcrições e resumos.
Para 54% dos executivos, a principal contribuição da IA atualmente é justamente a agilidade operacional. Na prática, a tecnologia consegue reduzir o tempo gasto em determinadas etapas, mas não necessariamente responde à pergunta que vem depois: o que a empresa deve fazer com aquilo que descobriu?
A questão ganha ainda mais peso em 2026, quando eventos como a Copa do Mundo e as eleições se somam à aceleração digital e devem aumentar a pressão sobre as áreas de inteligência. 46% das empresas pretendem manter ou ampliar a demanda por estudos de mercado neste ano.
O movimento pode significar mais pesquisas, mais dados e mais informação chegando aos executivos. Sem uma capacidade equivalente de interpretação e priorização, no entanto, o resultado pode ser apenas o aumento do ruído.
Grande parte das pesquisas ainda produz descobertas que não são usadas, análises que não cabem na realidade dos times e relatórios que morrem na apresentação. O resultado costuma ser mais trabalho, mais camadas e menos clareza para quem precisa tomar decisões sob pressão.

O que os executivos esperam das áreas de inteligência
A mudança desejada não está necessariamente em produzir mais estudos, mas em aproximá-los das decisões. Entre as mudanças consideradas mais relevantes pelos entrevistados, 54% apontam a necessidade de receber insights já conectados a decisões e próximos passos.
Na sequência aparecem recomendações acionáveis, com caminhos claros, citadas por 48%; integração entre dados, criatividade e negócio, mencionada por 44%; e uma visão mais sênior e estratégica desde o desenho do estudo, apontada por 42%.
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