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Por que olhar para a base de clientes é o novo motor de crescimento

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Customer Engagement

Por que olhar para a base de clientes é o novo motor de crescimento

Vivemos, durante os últimos anos, a era da aquisição praticamente a qualquer custo. Com as promessas do "growth hacking" em alta, uma parte significativa do mercado corporativo passou a priorizar a entrada desenfreada de novos clientes como o principal - muitas vezes único - indicador de sucesso do negócio. No entanto, há um equívoco silencioso e muito custoso nessa dinâmica: de nada adianta adquirir milhares de consumidores hoje se eles forem embora amanhã. 

Essa obsessão por volume para maximizar valor acabou criando uma falha nas estratégias das corporações. As empresas alocam grandes orçamentos em aquisições, marketing e vendas para atrair novos consumidores, mas negligenciam a jornada desse cliente logo após a primeira conversão. O resultado é um esforço exaustivo e, a longo prazo, insustentável. O churn precoce destrói sumariamente qualquer margem de lucro ou eficiência que a aquisição pudesse ter gerado. 

Diante desse contexto, precisamos desmistificar o que realmente significa crescer de forma sólida. O verdadeiro motor de expansão não está, apenas, em caçar freneticamente o próximo cliente, mas sim em olhar para a base que já confiou na sua marca. Estratégias de growth consistentes nascem, invariavelmente, da retenção e da construção de um relacionamento contínuo. 

Essa visão é corroborada por Frederick Reichheld, fundador da prática de Loyalty da Bain & Company e referência mundial em lealdade de clientes. Em sua obra “The Loyalty Effect”, o autor demonstra que o crescimento sustentável das organizações está diretamente relacionado à capacidade de reter clientes e aprofundar relacionamentos ao longo do tempo, e não apenas à conquista contínua de novos consumidores. 

Investir na base atual significa entender profundamente a jornada desse consumidor após a venda. É garantir que a proposta de valor prometida lá no início seja, de fato, entregue no cotidiano da operação. Quando a empresa foca em gerar valor real, a retenção deixa de ser apenas uma métrica de defesa para se tornar a principal alavanca de expansão.

 

De clientes a parceiros

Acredito que o engajamento contínuo tem um poder transformador, ou seja, ele eleva o cliente à categoria de parceiro. Seja em mercados B2B ou B2C, quando o consumidor percebe que a marca está genuinamente interessada no sucesso ou na satisfação dele ao longo do tempo, a dinâmica muda. A confiança se estabelece e a relação transcende a transação comercial. 

Vale reforçar ainda que, segundo dados consolidados do setor de fidelização, reter clientes pode custar até sete vezes menos do que conquistar novos. Além disso, consumidores fidelizados tendem a comprar com mais frequência, apresentar ticket médio maior e recomendar espontaneamente as marcas. 

Os maiores casos de sucesso no mercado global mostram um padrão claro. As organizações mais valiosas estruturaram seus modelos de negócio em torno da recorrência e da hiperpersonalização. Elas entenderam que um cliente retido consome mais ao longo do seu ciclo de vida e torna-se um promotor orgânico, retroalimentando a aquisição de maneira qualificada. 


O desafio da previsibilidade

Focar no marketing de retenção traz previsibilidade às empresas. Em cenários macroeconômicos voláteis, ter uma receita recorrente garantida por uma base engajada é o que separa as empresas que apenas sobrevivem das que prosperam de forma sustentável. Manter e rentabilizar a base exige tanta inteligência de dados, tecnologia e criatividade quanto a atração, mas com retornos muito mais seguros. 

Por fim, a provocação que deixo é simples. Antes de aprovar a próxima grande e dispendiosa campanha de aquisição, olhe para dentro. Afinal, a vantagem competitiva mais eficiente e rentável nem sempre está escondida em um novo mercado a ser desbravado, mas sim na base de clientes que já está bem diante dos seus olhos.

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Ana Flávia Martins

Ana Flávia Martins

CMO da Algar

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AUTOR

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