
A Copa do Mundo de 2026 conseguiu manter o interesse dos brasileiros mesmo depois da eliminação da Seleção. Uma pesquisa do Instituto QualiBest, realizada após o fim da competição, mostra que 53% dos entrevistados afirmam ter assistido ao máximo de jogos que conseguiram. Antes do torneio, 46% declaravam a intenção de acompanhar o maior número possível de partidas.
O resultado representa um aumento de 6,5 pontos percentuais entre intenção e comportamento e indica que o interesse pelo Mundial foi maior do que o previsto antes do início da competição. O dado reforça que a oportunidade de conexão não necessariamente termina quando a Seleção Brasileira deixa o torneio.
Além dos 53% que buscaram acompanhar o maior número possível de partidas, 24% disseram ter priorizado os jogos de suas seleções favoritas. Outros 24% concentraram a audiência nas partidas do Brasil. O levantamento mostra, portanto, que a competição conseguiu construir uma audiência que foi além da trajetória da equipe brasileira.

A Copa é maior que a Seleção
No levantamento pré-Copa realizado pelo QualiBest, os jogos do Brasil apareciam como o principal fator de animação para 51% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, 54% apontavam a falta de credibilidade na Seleção como um dos principais fatores de desestímulo. O comportamento registrado depois do torneio ajuda a explicar essa aparente contradição. Embora a Seleção seja um dos principais gatilhos emocionais, o interesse pela Copa também é alimentado por outras seleções, fases decisivas, jogadores, histórias e pela própria conversa social construída em torno do evento.
Mesmo com a saída do Brasil nas oitavas, mais da metade dos entrevistados diz que assistiu ao máximo de jogos que conseguiu. Isso significa que a oportunidade não termina quando o time nacional sai: ela continua em toda a narrativa do torneio, desde que a presença seja relevante, como afirmou Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest.
O comportamento é especialmente relevante para estratégias de Marketing que concentram investimentos nos momentos de maior expectativa em torno da Seleção. A pesquisa sugere que marcas podem ampliar o retorno ao acompanhar a competição como uma narrativa contínua, e não apenas como uma sequência de partidas do Brasil.

Coca-Cola, Nike e Adidas mantêm associação com a Copa
A força das principais marcas associadas ao Mundial também permaneceu no pós-Copa. Na associação estimulada, Coca-Cola, Nike e Adidas mantiveram as três primeiras posições do ranking, com 55,8%, 46,3% e 38,9% das citações, respectivamente. O Mercado Livre foi da oitava para a quarta posição, enquanto o iFood avançou da 13ª para a quinta colocação. Entre as marcas que passaram a integrar o levantamento pós-Copa, Betano, Brahma, Zé Delivery e Heineken aparecem no Top 15.
A comparação, entretanto, precisa considerar que a lista de marcas avaliadas aumentou de 40 nomes no pré-Copa para 60 no pós-Copa. Por isso, as empresas que não estavam na primeira onda não podem ser classificadas como marcas que ganharam posições. Entre os nomes presentes nas duas pesquisas, Itaú caiu da quarta para a oitava posição, Visa passou da quinta para a 12ª e McDonald's foi da sétima para a nona. Também recuaram Vivo, Budweiser, Guaraná Antarctica, Rexona, Qatar Airways e Ambev.

TV e redes sociais disputam a atenção
A televisão e as redes sociais praticamente empataram como os ambientes em que os consumidores mais perceberam ações de marcas relacionadas à Copa. Propagandas na TV aberta ou fechada foram citadas por 40% dos entrevistados, enquanto anúncios nas redes sociais apareceram em 38% das respostas.
Na sequência estão promoções e descontos (31%), patrocínio de transmissões ou programas (28%), ações com jogadores, influenciadores ou celebridades (27%), camisas e produtos licenciados (25%) e memes (23%). Os vídeos produzidos com inteligência artificial foram citados por 19%.
Em média, cada entrevistado reconheceu 3,2 tipos de ações de marcas durante a competição, enquanto apenas 5,5% disseram que nenhuma iniciativa relacionada à Copa chamou sua atenção. Ou seja, o alcance da mídia tradicional continua relevante, mas divide espaço com formatos digitais, ativações, entretenimento e conteúdos desenhados para gerar participação e compartilhamento.

Mundial feminino de 2027 já começa a mobilizar o público
Enquanto a atenção sobre a Copa masculina diminui, o futebol feminino já aparece como uma próxima oportunidade para as marcas. Segundo outro levantamento realizado pelo Instituto QualiBest, 64% dos brasileiros estão animados ou muito animados com a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
A intenção de presença física também é significativa: 35% afirmam que provavelmente ou com certeza irão a um estádio, enquanto 24% ainda não decidiram. O interesse pelo torneio também deverá ser distribuído entre diferentes plataformas. A TV aberta aparece como principal meio de acompanhamento, citada por 61% dos entrevistados, seguida pelo YouTube, com 51%. TV por assinatura (28%), Instagram (20%) e serviços de streaming (17%) completam os principais canais mencionados.
Em média, cada entrevistado pretende utilizar 2,3 canais para acompanhar a competição. Além disso, 38% afirmam que pretendem assistir ao máximo de partidas possível. Mais da metade dos entrevistados acredita que a Seleção Brasileira Feminina será campeã jogando em casa.
O cenário cria uma oportunidade de planejamento antecipado para marcas que desejam se associar ao evento. Diferentemente de uma competição que precisa disputar atenção com o interesse gerado pela Seleção masculina, o Mundial feminino chega ao país como um evento sediado no Brasil e com uma audiência que já demonstra intenção de acompanhar a competição.
Na associação espontânea de marcas com a Copa do Mundo Feminina de 2027, Nike, Adidas e Coca-Cola novamente formam a principal trinca lembrada pelos consumidores. Um destaque é a Rexona, citada espontaneamente por 5,2% dos entrevistados na pesquisa sobre o Mundial feminino, contra 1,1% na pesquisa sobre a Copa masculina. O resultado indica uma associação mais forte da marca com o futebol feminino.
Outro dado chama atenção: 11% dos entrevistados citaram “Marta” como a primeira referência que veio à cabeça quando perguntados sobre o torneio. Embora não seja uma marca comercial, a jogadora ocupa um espaço de associação tão forte com o futebol feminino que aparece ao lado de empresas tradicionalmente vinculadas ao esporte.
“O Mundial feminino de 2027 não começa do zero. Ele já parte de um patamar relevante de animação e intenção de presença nos estádios. Como o Brasil será o país-sede, existe uma janela rara para construir associação com antecedência, combinando o alcance da TV aberta com a participação e a linguagem do YouTube e das redes sociais”, ressaltou Marlene Treuk.
Metodologia - O Instituto QualiBest realizou, entre 24 e 28 de julho de 2026, dois levantamentos quantitativos online com amostras independentes. A pesquisa sobre a Copa masculina de 2026 ouviu 805 respondentes, enquanto o estudo sobre a Copa feminina de 2027 contou com outros 804 entrevistados. As amostras incluem homens e mulheres adultos de diferentes faixas etárias, classes socioeconômicas e regiões do Brasil.
O comparativo pré-Copa utiliza pesquisa realizada entre 13 e 24 de fevereiro de 2026, com 1.000 internautas do painel proprietário do Instituto QualiBest. Como as ondas possuem amostras independentes, as diferenças representam variações agregadas entre os períodos, e não mudanças individuais dos mesmos participantes. Na pesquisa estimulada sobre a Copa masculina, foram avaliadas 40 marcas no pré-Copa e 60 no pós-Copa. No levantamento sobre o Mundial feminino, a mensuração de marcas foi feita exclusivamente por associação espontânea.
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