
O consumo de moda passa por uma mudança estrutural impulsionada por um consumidor mais racional e criterioso. Em vez de priorizar tendências passageiras, brasileiros têm concentrado seus investimentos em peças versáteis, confortáveis e duráveis, transformando itens básicos em ativos estratégicos do guarda-roupa. O movimento, identificado em pesquisa da Ecglobal aponta que o chamado "essencial" deixa de ser visto como commodity e passa a representar uma oportunidade de maior valor agregado para o varejo.
Um levantamento realizado em junho de 2026 com cerca de 440 participantes mostra que a calça jeans é considerada indispensável por 51% dos entrevistados, seguida pela camiseta básica (39%) e pelo tênis (37%). Além disso, 40% afirmam que conforto, qualidade e durabilidade são os principais fatores na hora de comprar roupas.
O estudo também mostra que a renovação do guarda-roupa ocorre, em sua maioria, a cada dois ou três meses, motivada pela reposição de peças essenciais e não pelo consumo impulsivo. Entre as grandes varejistas, C&A lidera a preferência (41%), seguida por Renner (35%) e Riachuelo (31%).

O básico passa a competir pelo valor, e não pelo preço
O consumidor atual busca peças capazes de atender diferentes momentos do cotidiano, reduzindo a necessidade de grandes volumes de compra e aumentando a expectativa por produtos que entreguem qualidade superior.
A Ecglobal avaliou que o consumidor não está comprando menos porque ficou conservador e sim porque possui mais critério. Peças versáteis, que resolvem vários contextos e duram mais, valem mais do que tendências de curta duração. Esse comportamento abre espaço para uma nova disputa entre as varejistas: desenvolver linhas premium dentro das categorias mais básicas do vestuário. Em vez de competir apenas por preço, as marcas podem ampliar o ticket médio ao oferecer versões com melhor acabamento, tecidos de maior qualidade e maior durabilidade.
Outro ponto destacado pelo estudo é que o estilo casual e confortável não representa desinteresse por moda. Pelo contrário, as peças básicas funcionam como uma base que permite ao consumidor incorporar tendências de forma pontual, mantendo praticidade nas escolhas do dia a dia.
A comunicação ganha papel estratégico. Demonstrar como uma única peça pode ser utilizada em diferentes ocasiões tende a fortalecer a percepção de valor, reduzir a barreira de compra e aumentar a recorrência de consumo. A oportunidade está na ampliação do relacionamento com consumidores que já reconhecem a qualidade das marcas e estão dispostos a investir mais em produtos considerados essenciais.
Leia também: Consumidores de beleza testam novas marcas e ampliam uso de IA
COMPARTILHAR ESSE POST






