
A Black Friday chega a 2026 diante de um consumidor mais planejado, racional e atento às vantagens oferecidas pelo varejo. Uma pesquisa do Google encomendada à Offerwise, com dois mil brasileiros de diferentes regiões e classes econômicas, mostra que quase metade dos entrevistados pretende comprar na data, contra 61% que tinham essa intenção em 2025. Ainda assim, entre os que planejam comprar, 41% esperam gastar mais do que no ano passado.
O cenário indica que a menor intenção geral de compra não significa desinteresse pela data. O consumidor está mais seletivo e chega à Black Friday com maior planejamento. Entre os interessados, 48% já têm uma lista dos produtos que pretendem comprar, enquanto 44% já começaram a pesquisar preços.
A busca por vantagens também aparece como um dos principais gatilhos de conversão. Outra pesquisa do Google, realizada com a Quantas e quatro mil brasileiros, aponta que 81% das compras já são realizadas a partir de algum tipo de incentivo, como desconto, frete grátis ou cashback.

Na Black Friday, 80% dos consumidores afirmam procurar descontos e 73% gostam de garimpar as melhores ofertas. Além disso, 72% acompanham promoções de forma recorrente. O levantamento também indica que os incentivos têm potencial para elevar o tíquete médio.
Desconto não é mais o único argumento
Embora o preço continue no centro da estratégia promocional, o comportamento observado pelo Google aponta para uma jornada de compra mais sofisticada. O consumidor pesquisa, compara e acompanha ofertas antes de decidir. Entre os incentivos preferidos, o desconto direto aparece em primeiro lugar, seguido por frete grátis e cupons.
A preferência mostra que o consumidor não busca necessariamente comprar mais, mas encontrar uma justificativa econômica para concretizar uma compra planejada. O cenário econômico reforça essa postura. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados estão com a renda comprometida. Para o varejo, portanto, transformar intenção em conversão dependerá de uma combinação entre comunicação, preço, benefícios e uma proposta de valor percebida como realmente vantajosa.
A oportunidade para as marcas está em entender que o consumidor pode até esperar pela Black Friday, mas não está disposto a comprar a qualquer preço. A maturidade da jornada faz com que ofertas pouco competitivas tenham menor capacidade de conversão.

“Apesar do bolso do consumidor estar mais apertado, sempre há expectativa pelo melhor desconto e por uma boa promoção. E os momentos de maior aperto são os que pedem melhores ofertas e melhores estratégias”, afirma Gleydis Salvanha, diretora de varejo e tecnologia do Google Brasil.
Com um consumidor mais consciente e preparado, a Black Friday de 2026 tende a premiar menos quem simplesmente reduz preços e mais quem consegue apresentar vantagens claras, ofertas competitivas e uma jornada capaz de justificar a decisão de compra.
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