
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (17), em meio à maior crise financeira recente da companhia. A varejista declarou dívidas de R$ 17,3 bilhões e busca, por meio do processo, reorganizar seus passivos e preservar a continuidade das operações. A medida envolve a Casas Bahia e outras empresas do grupo, incluindo negócios ligados a comércio eletrônico, logística e fabricação de móveis.
A decisão acontece um dia após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A companhia acumula oito trimestres consecutivos de perdas e encerrou o período com patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões. O resultado foi impactado por baixas contábeis e medidas de reestruturação, mas o prejuízo ajustado também permaneceu negativo em R$ 978 milhões.
A crise representa uma mudança relevante na operação de uma marca que construiu sua presença no varejo brasileiro a partir da combinação entre capilaridade física, crédito, categorias de bens duráveis e, mais recentemente, uma estratégia omnicanal.

Menos lojas, operação mais enxuta
Como parte do processo de redimensionamento, o grupo fechou 298 lojas, de uma rede que tinha cerca de mil unidades, e revisou seu quadro de funcionários. A companhia também informou que está ajustando contratos, despesas, investimentos e estoques ao novo tamanho da operação.
A redução da presença física muda a relação da marca com o consumidor. Durante décadas, a Casas Bahia utilizou a capilaridade de suas lojas como um dos principais pontos de contato com o público, especialmente em categorias como móveis, eletrodomésticos, celulares e linha branca. Ao mesmo tempo, o grupo pretende rever a estratégia dos canais digitais. A orientação passa a priorizar margem e geração de caixa, em vez de buscar crescimento de volume ou ampliar categorias sem rentabilidade.
A companhia já vinha tentando reposicionar a operação digital. No primeiro trimestre de 2026, as vendas pela internet apresentaram crescimento, com expansão também em canais de terceiros, como Amazon e Mercado Livre, embora o período ainda tenha registrado prejuízo. O desafio agora é sustentar a relevância da marca em uma estrutura menor.
A Casas Bahia não opera apenas como varejista, como também reúne marcas, marketplace, serviços financeiros, logística, comércio eletrônico e a fabricante de móveis Bartira. No relatório integrado mais recente, a companhia reportava 1.064 lojas, presença em mais de 530 cidades, 116 milhões de clientes em lojas físicas e e-commerce e mais de 171 mil lojistas parceiros no marketplace.

O grupo também destacava a estratégia de omnicanalidade e a criação de um hub de retail media. A prioridade passa a ser definir quais ativos, canais e categorias conseguem gerar retorno e quais precisam ser reduzidos ou descontinuados.
Uma marca em reconstrução
A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. O novo pedido ocorre em uma situação financeira mais severa, após a combinação de juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e dificuldades para obter novas fontes de liquidez.
Apesar da recuperação judicial, a companhia afirma que pretende manter lojas, comércio eletrônico e demais canais em funcionamento. O processo, portanto, não significa o encerramento da marca, mas inaugura uma fase em que decisões de portfólio, canais, experiência do consumidor e investimentos em Marketing deverão estar diretamente ligadas à capacidade de gerar resultado.
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