Reformular um produto tradicional sempre envolve riscos. No caso do Nivea Creme, um dos hidratantes mais reconhecidos do mundo, a decisão da Beiersdorf não foi impulsiva, nem motivada por queda de vendas. Pelo contrário, o produto segue como um dos maiores sucessos da marca, com milhões de unidades vendidas anualmente.
A mudança nasce de uma estratégia de longo prazo, conectada à transformação do comportamento do consumidor e à agenda de sustentabilidade do grupo. A principal motivação atende à crescente demanda por produtos com ingredientes de origem natural e menor impacto ambiental.

Ao invés de alterar a fórmula clássica, a Beiersdorf optou por criar uma segunda versão, o Nivea Creme Natural Touch. Essa decisão protege o capital simbólico do produto original e, ao mesmo tempo, amplia o portfólio para novos perfis de consumo, especialmente públicos mais jovens e atentos a critérios ESG.
A escolha de manter duas versões do mesmo ícone é estratégica. A marca evita alienar consumidores fiéis, reduz o risco de rejeição e transforma a sustentabilidade em opção, não imposição. É uma lógica de expansão de portfólio baseada em segmentação de públicos, diferentes motivações de compra e convivência entre legado e inovação.

Sustentabilidade como valor de marca, não como discurso
A reformulação levou seis anos, mais de 2.100 protótipos e milhares de testes com consumidores. O esforço mostra que a sustentabilidade precisa vir acompanhada de performance e experiência sensorial equivalentes à versão clássica. O resultado é um creme vegano feito com 99% de ingredientes de origem natural e enriquecido com 100% de óleos de origem natural – incluindo girassol, canola e karité.
Além da fórmula natural e alta biodegradabilidade, a embalagem segue o mesmo racional, com alto índice de material reciclado, conectando produto e narrativa de marca.

A iniciativa também se conecta diretamente à meta global da Beiersdorf de atingir Net Zero até 2045. Mais do que uma ação pontual, a reformulação do Nivea Creme funciona como um símbolo de transformação, mostrando que até marcas centenárias precisam evoluir para seguir relevantes. O movimento fortalece o brand equity, atualiza o discurso da marca e reposiciona o clássico como contemporâneo, sem perder sua essência.
O produto será lançado inicialmente no mercado alemão agora, a partir de janeiro de 2026, onde o produto original foi lançado pela primeira vez há mais de 100 anos.
Leia também: Creator Economy entra em fase de institucionalização e projeta US$ 33,5 bilhões no Brasil até 2034
COMPARTILHAR ESSE POST







