
Ao substituir a Pepsi pela Coca-Cola na operação nacional, o Burger King iniciou um dos movimentos mais simbólicos do food service brasileiro nos últimos anos. A decisão marca uma mudança estratégica que conecta preferência do consumidor, posicionamento de marca, eficiência operacional e potencial criativo para campanhas integradas.
Segundo Pedro Barbosa, CMO do Burger King, foi o próprio consumidor brasileiro que indicou onde a empresa deveria investir, já que a Coca-Cola lidera a escolha de preferência do consumidor nacional na categoria de refrigerantes. A combinação entre o Whopper e a Coca-Cola busca fortalecer percepção de valor, experiência e conexão da rede com o público no Brasil.
“Nossa prioridade é sempre os consumidores. Desde o início da operação no Brasil, tivemos uma jornada de muito sucesso com nosso antigo fornecedor de bebidas, fundamental no crescimento do Burger King. No entanto, estamos em um novo capítulo da marca e os dados mostram que a Coca-Cola é a bebida mais escolhida pelos brasileiros. Unir o nosso sabor de grelhado no fogo ao refrigerante que lidera a preferência nacional é o 'match' perfeito”, afirmou em entrevista ao Mundo do Marketing.

A troca reposiciona uma das combinações mais tradicionais do fast food global e reforça uma tendência cada vez mais evidente no varejo alimentar de realizar alianças estratégicas guiadas por comportamento de consumo e construção de ecossistemas de marca.
“Foi um processo muito maduro. De um lado, respeitamos nossa trajetória,. Do outro, olhamos para a inteligência de mercado que apontava a Coca-Cola como a marca preferida. O equilíbrio veio em usar nossa criatividade para transformar uma decisão de negócios em um fato cultural relevante, celebrando o futuro com otimismo e transparência”, pontua.
Co-branding e cultura pop entram no radar
Outro ponto destacado pelo CMO é o potencial de colaboração entre Burger King e Coca-Cola em territórios ligados à cultura pop, entretenimento e lifestyle.“Estamos unindo dois ecossistemas que compartilham uma ligação profunda com a cultura pop e o estilo de vida do consumidor”, afirma.
A parceria deve extrapolar o PDV e ganhar espaço em campanhas integradas, ativações e experiências de marca. O novo momento mostra o poder das alianças estratégicas no varejo alimentar, cada vez mais orientadas por dados, comportamento e relevância cultural.
“Isso sinaliza que as marcas precisam ser dinâmicas. O varejo alimentar hoje exige uma escuta ativa constante. As alianças estratégicas estão se tornando mais focadas em sinergias culturais e de consumo. As grandes marcas estão se unindo para criar ecossistemas que façam sentido para o hábito de vida do cliente, buscando crescimento através da relevância”, afirma Pedro Barbosa.

Mudança vai além da bebida
Embora a preferência do consumidor tenha sido o principal gatilho, o Burger King afirma que a decisão também envolve operação, expansão e logística. Pedro Barbosa explica que a distribuição da Coca-Cola se torna um ativo importante para o crescimento da rede no país. “A robustez logística e a capilaridade da Coca-Cola também são ativos valiosos para o plano de expansão da marca. É uma aliança que une o desejo do público a uma estrutura operacional que nos permite continuar crescendo com eficiência”, conta.
A implementação acontecerá de forma gradual. Inicialmente, as bebidas chegam em lata, enquanto a integração completa da operação será feita em fases. O objetivo é preservar a experiência do consumidor e garantir excelência operacional durante a transição.
Conhecido pelo tom provocativo e bem-humorado, o Burger King também precisou equilibrar uma mudança histórica sem romper emocionalmente com a trajetória construída ao lado da Pepsi. Para isso, a marca aposta na campanha “Pode ser!”, reinterpretando de forma leve uma das perguntas mais tradicionais do balcão de fast food. “A irreverência do BK nasce da nossa capacidade de rir com o consumidor. Queremos celebrar essa nova fase com o bom humor de sempre”, frisa o executivo.
Embora existam parcerias globais, este movimento foi desenhado sob medida para o Brasil. “Levamos em conta o paladar do brasileiro e o cenário logístico nacional. Foi uma decisão estratégica tomada aqui, pensando no consumidor brasileiro. Mais do que uma troca de portfólio, vemos aqui um espaço fértil para explorar territórios onde ambas as marcas já têm uma presença histórica, como o entretenimento e os grandes momentos de celebração”, conclui.
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