
Em um ambiente onde trends digitais moldam comportamento em escala, uma campanha começa a ganhar atenção do mercado ao colocar luz sobre um fenômeno ainda pouco decodificado pelas marcas: a misoginia digital. Impulsionado pela circulação de conteúdos como a trend “Caso ela diga não”, que incentiva reações masculinas negativas diante da rejeição feminina, o tema avança para além das agressões explícitas.
Cresce, nas entrelinhas das redes, o uso de códigos simbólicos, como os memes e os emojis, para constranger, ridicularizar e silenciar mulheres. É nesse contexto que surge a campanha “Além do Emoji”, da Agência Bistrô. A iniciativa aposta em um caminho cada vez mais relevante para o Marketing: traduzir cultura em entendimento.
A campanha nasce a partir de uma experiência real de Fernanda Aldabe, CEO e VP Institucional e de ESG da agência. Após recusar uma investida em um aplicativo de relacionamento, a executiva recebeu uma sequência de emojis de urso. O que parecia apenas uma reação irônica mostrou, após investigação, um significado mais complexo: o símbolo vinha sendo utilizado em fóruns online como forma de ridicularizar mulheres que rejeitam homens.
O episódio traduz uma mudança importante na dinâmica da violência digital. Ela deixa de ser evidente e passa a operar por camadas simbólicas, o que exige repertório cultural para ser reconhecida.

Mais do que um relato pessoal, o caso se transforma em um insight estratégico: há uma camada invisível da cultura digital que ainda não foi plenamente interpretada pelas marcas. A campanha toca na necessidade de interpretar linguagens emergentes. A misoginia digital se insere em um território onde branding, comportamento e cultura se cruzam. E, nesse cenário, não basta apenas marcar posição, já que é preciso traduzir.
A iniciativa dialoga com debates recentes das redes, como a pergunta viral sobre segurança feminina envolvendo a escolha entre um urso e um homem desconhecido. A discussão mobilizou diferentes comunidades online, incluindo grupos associados à cultura incel, evidenciando tensões latentes no ambiente digital.
Como parte da iniciativa, foi criada a plataforma www.alemdoemoji.com, que reúne conteúdos educativos sobre misoginia digital, explicações sobre símbolos e emojis usados como códigos de ataque e informações sobre legislação e canais de apoio para vítimas. A página também apresenta dados sobre violência de gênero no Brasil e orientações práticas para reconhecer e denunciar situações de agressão no ambiente online.
Livro leva debate para escolas - Como desdobramento da campanha, a agência também lançará, no dia 18 de março, o livro ilustrado A carta enigmática, escrito por Natália Mansan, doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
A obra foi criada como ferramenta pedagógica para orientar educadores no diálogo com adolescentes de 12 a 16 anos sobre convivência digital, linguagem simbólica e formas sutis de violência online. Parte dos exemplares será distribuída para instituições de ensino do Rio Grande do Sul, e o material também ficará disponível para download gratuito na página da campanha, permitindo que escolas de todo o país utilizem o conteúdo em atividades educativas.
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